Deezer e Spotify excluem música transfóbica da plataforma, mas dupla cresce no Instagram

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É provável que durante o final de semana você tenha acompanhando o surgimento de mais um caso envolvendo transfobia e a música serteneja. Ao contrário de Marília Mendonça, a dupla Pedro Motta e Henrique não reconheceu o peso da “piada” e teve a música excluída do Deezer.

Na canção, a dupla canta a história de um homem cis gênero que começa o relacionamento com uma mulher sem saber que ela é trans. Conforme as coisas se desenvolvem, o que poderia virar uma história de amor evolui para uma trama de decepção e sofrimento apenas por causa da descoberta.

Não é mistério que o Brasil é um dos países que mais mata pessoas trans no mundo. A chamada “passabilidade”, que é quando transexuais passam por pessoas cis, é uma das razões dos assassinatos. Boa parte de homens cis conservadores acabam matando as parceiras por medo que outras pessoas descubram o relacionamento.

Como não poderia deixar de ser, não demorou para que ativistas criticassem a música e mostrassem todas as razões pelas quais ela é extremamente problemática. Como resposta, a dupla gravou um vídeo dizendo que não são transfóbicos, mas não se desculparam e nem se preocuparam em tentar justificar a música.

Nesta segunda (21), o Deezer respondeu alguns comentários no twitter dizendo que não compactua com transfobia e avisando que a música já foi excluída da plataforma. O Dentro Do Meio entrou em contato com empresa em busca de um posicionamento mais completo e recebeu a resposta abaixo.

A Deezer reforça que não tolera qualquer tipo de discriminação, violência ou ódio contra indivíduos ou grupos por causa de raça, religião, gênero, sexualidade ou outros fatores. No caso da música “Lili”, assim que identificado com conteúdo discriminatório, a canção foi retirada da plataforma de streaming.

Temos um processo rigoroso em vigor para monitorar e remover conteúdo ilegal de nossa plataforma, ao mesmo tempo em que garantimos que não restringimos a liberdade de expressão, independentemente da visão pessoal sobre um determinado artista ou assunto

Também entramos em contato com o Spotify para saber se planejam seguir os passos da rival, mas ainda não houve posicionamento formal. Estamos no aguardo do retorno.

Atualização: Nesta terça-feira (22), o Spotify informou que excluiu a música da plataforma, mas não quis dar nenhum posicionamento sobre o assunto.

Crescimento no Instagram

Com a polêmica, a dupla que era relativamente desconhecida foi catapultada nas redes sociais. De acordo com o Social Blade, entre sábado e esta segunda-feira (21), ele ganharam cerca de 39 mil seguidores até a publicação deste texto.

Após o lançamento da música, a dupla fez alguns stories agradecendo o sucesso e reforçando a “piada” cuja a graça é um homem hétero ter se interessado por uma mulher trans. Chegaram a falar de “golpe”, mas depois mudaram a abordagem para “não tem maldade”.

Desde a polêmica, eles não se pronunciam mais nas redes.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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