Parada de Londres é acusada de racismo por ex-voluntários

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Uma das mais conhecidas Paradas LGBTI do mundo sofreu um forte baque nesta semana depois que um voluntário que trabalhou por sete anos anos na organização do evento entregou o cargo alegando que a alta cúpula da marcha contribui com a perpetuação do racismo no movimento.

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Em entrevista ao The Independent, Rhammel Afflick, que ocupava o cargo de Diretor de comunicação, disse que a organização da Parada LGBTI de Londres fecha os olhos para intolerância enquanto voluntários negros ficam no ostracismo. “Eu pessoalmente testemunhei a insistência da liderança em ignorar vozes negras na nossa comunidade e entre os próprios voluntários quando eles se manifestaram”, apontou.

Ele também criticou uma ação considerada oportunista da organização que fez postagens dizendo que estava comprometida com ações antirracistas logo após a morte de George Floyd, mas não fez nada de concreto para combater o racismo.

“A Parada LGBTI de Londres não é considerada um lugar seguro pela maioria dos ativistas negros, asiáticos e de outras minorias étnicas. Isso é resultado do racismo enraizado na comunidade LGBTI e que muitas vezes surgem nem lugares convencionais”, pontuou Afflick.

O ex-voluntário não é o primeiro a tornar a preocupação com o racismo no organização londrina. Organizações como Stonewall e Black Pride já tinham feito críticas pela falta de diversidade nos times que cuidam do evento. Além disso, outras pessoas negras que trabalharam na Parada LGBTI de Londres também falaram sob a condição de anonimato.

“Não é segredo que há problemas dentro da Parada de Londres no que diz respeito a raça. Isso não é novo. Há falta de fé na Parada neste ponto. Tendo testemunhando esse padrão de comportamento há algum tempo, posso dizer que isso não inspira muita confiança”. argumentou.

Direção da organização renuncia após acusações

Como resposta as criticas, os lideres renunciaram e a Parada de Londres publicou uma longa carta falando sobre a história do movimento e anunciando algumas mudanças.

“Em resposta à recente cobertura crítica da mídia e feedback recebido de ex-voluntários e da comunidade LGBT+ sobre a necessidade urgente da Parada de Londres de criar um ambiente mais inclusivo, que concentre voluntários negros, pessoas de cor e outros grupos comunitários marginalizados, a CIC (“Pride in London”) está anunciando mudanças imediatas e significativas em sua estrutura e liderança, para fazer o caminho necessário para novas vozes e maior diversidade”, diz um trecho do comunicado.

Embora não tenham apresentado todos os nomes responsáveis pela nova equipe que organizará o evento, já se sabe que Chris Joell-Deshields será copresidente interino.

“A Parada de Londres está empenhada em reconstruir a confiança das comunidades minoritárias que está quebrada, mas esperamos que não seja irreparavelmente. Estamos cientes de que somente por meio de uma ação imediata e decisiva, bem como de uma mudança demonstrável nas próximas semanas e meses, poderemos mostrar autenticamente seu compromisso com as diversas vozes e experiências”.

Você pode ler o comunicado completo, em inglês, clicando aqui.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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