Brasil já tem 56 assassinatos de pessoas trans em 2021; EUA tem 19

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Embora estejamos em meio a uma pandemia mundial, o que em tese deveria fazer o mundo desacelerar, a alta na violência contra pessoas LGBTI, especialmente a população trans, não parece que dará uma trégua. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), pelo menos 56 transgênero já foram assassinadas no Brasil nos últimos quatro meses, nos Estados Unidos, onde o monitoramento é feito pela Human Rights Campaign (HRC) foram registrados 19 assassinatos.

Como já sabemos, o governo federal brasileiro não tem nenhum monitoramento específico sobre pessoas LGBTI e, quando tratamos de violência, esse descaso se estende aos estados e ao distrito federal, por essa razão, os relatórios e boletins que a imprensa tem acesso acaba sendo responsabilidade de ONGs, que acompanham a notificação das mortes pela imprensa como parte do método.

“A expectativa de vida de uma pessoa transexual ou travesti no Brasil é de 35 anos. Ao que tudo indica, essa média, 40 anos mais curta que a do restante dos brasileiros, pode diminuir ainda mais. Em 3 de janeiro, quebramos um dos recordes mais tristes no assassinato dessa população: aos 13 anos, a cearense Keron Ravach se tornou a vítima mais jovem do transfeminicídio no País”, escreveu Jão Ker num artigo para Revista Hibrida em janeiro deste ano.

O triste recorde foi registrado no Ceará, que no dossiê publicado pela ANTRA sobre o ano de 2020 aparece apenas atrás de São Paulo no número de mortes do país. Nos Estados Unidos, o recorte também evidência a quantidade de pessoas negras que são vítimas de crimes de ódio.

“Embora os detalhes de cada caso seja diferente, é claro que a violência fatal afeta desproporcionalmente mulheres transgênero de cor – especialmente mulheres trans negras – e que as interseções de racismo, sexismo, homofobia, bifobia, transfobia e acesso desordenado a armas conspiram para privar de emprego, habitação, saúde e outras necessidades”, diz trecho do relatório da (HRC) sobre as mortes nos EUA.

Comentários

Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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