As transformações do mercado pornô nacional

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Basta uma rápida pesquisa para comprovar que o brasileiro adora consumir pornografia. Um dos estudos mais recentes, divulgado pelo Sexy Hot em 2018, mostra que 22 milhões assumem, sem nenhum constrangimento, que assistem pornô com frequência.

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No geral, homens gays são os que parecem ter menos problemas em assumir que gostam de assistir filmes pornô. É comum, inclusive, conhecer atores por nome e saber se ele é exclusivo de alguma produtora ou se trabalha apenas com plataformas como o Onlyfans.

Essas empresas, inclusive, são as responsáveis por modificar o mercado pornô e deixá-lo um pouco mais livre, no sentido de que os atores podem produzir conteúdos de forma independente, distribuí-los sem precisar de uma grande produtora e ficar com a maior parte dos lucros.

Outro fator modificador foi a recente pandemia que o mundo inteiro está enfrentando. Protocolos de segurança pedem que as pessoas evitem contato e não há como fazer pornô sem beijos e toques, certo?

Para entender o momento atual do mercado pornô nacional, o Dentro Do Meio conversou com as produtoras HotBoys e Meninos Online e com os atores Pedro Messina e Yuri Oberon.

Pirataria é um inimigo maior do que a pandemia

É inegável que, embora tenha sido extremamente necessário parar para poupar vidas, a pandemia e a falta de um plano do governo para a população fizeram com que muitas pessoas fossem financeiramente impactadas.

Quando falamos de atores independentes a coisas não é nada diferente. “Impactou nas gravações porque achei mais seguro diminuir o ritmo para me expor menos”, conta Pedro Messina.

O ator começou a carreira focada no Onlyfans pouco tempo antes da pandemia chegar ao Brasil e para não correr riscos de contrair o novo coronavírus, diminuiu drasticamente a variedade de parceiros nos filmes.

Para Yuri Oberon, que além de ator é publicitário, as plataformas chegaram com ares revolucionários. Antes ele as usava como apoio, mas hoje elas passaram a ser “principal renda de trabalho” dele.

Quem está na indústria teve que encontrar maneiras diferentes de driblar o coronavírus para continuar produzindo, mas o que esse mercado ainda não encontrou foi uma maneira de barrar a pirataria e vazamento de conteúdo que deveria, em tese, ser consumido apenas por quem paga.

Questionados, representantes das produtoras HotBoys e Meninos Online classificaram a pirataria como maior desafio de se criar pornô no Brasil.

“Todos perdem quando isso (pirataria) acontece. Como pegam o conteúdo e jogam no ar de graça, as vezes a gente não consegue fazer um investimento maior, um cachê melhor para a equipe ou contratar um ator mais caro. É ruim quando consomem de graça e acaba tirando a força da produtora”, comentou um porta-voz da HotBoys.

“Nesse ramo é tudo muito caro de se produzir, ou seja, a matemática precisa fechar para se criar conteúdo porque ninguém trabalha de graça. Além disso, esses sites “piratas” arriscam a privacidade e segurança das pessoas que acessam”, acrescentou um porta-voz da Meninos Online.

Sobre a pandemia, as duas produtoras disseram que foram liberando filmes gravados antes dos protocolos de isolamento social serem aplicados no Brasil.

Escolha, exclusividade e liberdade dos atores

Se antes era necessário ter um vínculo com alguma produtora para ser considerado ator, hoje o caminho foi encurtado e mesmo quem produz conteúdo exclusivamente de forma independente possui esse título.

Por vezes, é por conta desses vídeos mais intimistas, com menos cortes e closes, que novos nomes surgem no mercado, como é o caso de Pedro Messina.

Ao Dentro Do Meio ele contou que começou em janeiro deste ano e direto no Onlyfans, mas que algumas pessoas consideram o trabalho dele, por falta de vínculo com uma produtora, menos válido.

Entre as produtoras o tema divide opiniões. Enquanto Meninos Online diz que adora o Onlyfans e “fazemos parceria com muito atores que tem perfil lá”, a HotBoys acha que a construção do ator é mais complexa.

“Cada produtora tem um jeito de trabalhar, mas HotBoys acredita que se faz um ator a partir do terceiro filme”, explica a produtora. “Atuar não é colocar o pênis aqui, ali e transar. É conseguir entregar bem uma história e entregar um sexo prazeroso para quem está assistindo”.

A linha de raciocínio talvez seja o fator determinante para definir sobre a exclusividade ou não de um ator, que é bem comum no mercado pornô no exterior.

A HotBoys argumenta que não trabalha com exclusividade e pauta as contratações com base nas histórias que querem apresentar, como buscar homens mais velhos para viver paizões, por exemplo.

“A gente não tem esse negócio de que gravou aqui não pode gravar lá ou gravou lá não pode vir aqui. A gente não dá preferência, lógico, para pessoas que não são sucesso em outras produtoras, mas tudo é o contexto”.

Já a Meninos Online mira no que é feito fora do Brasil e garante que “quase 100% do casting é exclusivo”.

E por falar em produtoras estrangeira, Oberon destaca que, apesar de ter sido muito bem tratado nas duas com que já trabalhou, sendo uma nacional e outra fora do Brasil, as conversas entre profissionais acabam mostrando as maiores diferenças entre o que é feito dentro e fora do nosso país.

“Os pontos que eu observo nas conversas entres os profissionais na área, e de que o cuidado com o colaborador é o que mais acaba sendo a diferença. Esse cuidado seria, a imagem do ator, como lidam com ele nos bastidores e nos contatos, organização, benefícios e etc”.

O Dentro Do Meio tentou contato com a produtora Mundo Mais para produzir essa reportagem, mas não obteve retorno. Em breve você lerá na íntegra as entrevistas com Pedro Messina e Yuri Oberon.

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