“Alguns acham que sou burro porque trabalho com sexo”, diz Pedro Messina

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Foto: Alexandre Navarro

Pedro Messina é um dos nomes que comprovam que já se foi o tempo que ter contrato com alguma produtora era essencial para ser reconhecido como ator pornô – nós inclusive falamos sobre isso na matéria especial sobre as transformações do mercado pornô.

De sorriso largo e com uma carinha de safado, Messina é relativamente novo ramo, mas em pouco tempo já conseguiu gravar seu nome na indústria nacional e é um dos nomes mais lembrados quando o assunto é produção própria e específica para o OnlyFans.

Em bate-papo exclusivo para o Dentro Do Meio, Pedro falou sobre a decisão de se tornar pouco antes da pandemia mundial, a dificuldade de manter material inédito durante o isolamento social e a discriminação sofrida por conta da profissão. Confira:

Dentro do Meio: Há quanto tempo você trabalha com sexo?

Pedro Messina: Eu comecei em janeiro deste ano (2020). Comecei direto no OnlyFans e porque eu estava bem insatisfeito com o meu trabalho, com a minha vida profissional e eu queria uma mudança bem grande e geral. Eu já cogitava, meio de brincadeira, me tornar um ator pornô, mas nunca levei isso muito a sério e aí numa sessão de terapia eu percebi que talvez eu quisesse tentar para valer. Depois de perceber que eu estava muito infeliz com minha vida profissional, eu li uma matéria falando sobre OnlyFans, achei muito interessante e decidi que era aquilo que eu queria tentar. Foi tudo meio rápido na verdade, aconteceu em novembro do ano passado, eu fui tentando ler e entender formas de divulgação do OnlyFans e em janeiro criei também o twitter e comecei.

Dentro Do Meio: Com o sucesso do seu OnlyFans você já foi convidado para trabalhar com alguma produtora.

Pedro Messina: Não, ainda não me chamaram para nada.

DdM: Alguns atores, para conseguir mais lucro e visibilidade, distribuem vídeos próprios em outras plataformas. Por que você decidiu se concentrar apenas no OnlyFans?

Pedro Messina: Eu tenho dois vídeos no PornHub que também são monetizados, mas o ganho lá é muito pequeno e eu acabo usando mais como divulgação para o OnlyFans. Tomei essa decisão porque acho mais prático e fácil manter tudo num lugar só. Por enquanto não vi necessidade de ir para outras plataformas, acho que o OnlyFans está atendendo o que eu preciso e eu prefiro me concentrar numa coisas só porque não sei se daria conta de administrar muitas outras.

DdM: Você chegou a fazer um desabafo no twitter sobre pirataria, acredita que é o maior inimigo da indústria pornô? Como você dribla isso?

Pedro Messina: Eu não diria que é o maior inimigo, mas é algo que cedo ou tarde acaba acontecendo. É chato, mas hoje eu tento não me chatear muito com isso. O material vazado tem direitos autorais e estão sujeitos a processo.

DdM: Hoje você vive apenas dos filmes? Como é sua rotina de produção?

Pedro Messina: Sim, só dos filmes. Eu tenho gravado bem pouco na pandemia. Tem me atrapalhado bastante e eu estou gravando com quem eu já gravava, mas antes eu marcava um cerveja com os caras e ia conversando para ver se rolava química. Só que com a quarentena eu tenho gravado praticamente com um cara só.

DdM: Impactou muito, né? Houve queda ou aumento nos assinantes do OnlyFans?

Pedro Messina: Impactou nas gravações porque eu achei mais seguro diminuir o ritmo para me expor menos, mas as assinaturas cresceram bastante. No entanto, não comecei muito antes da pandemia, então, não sei realmente avaliar o quanto desse crescimento foi consequência da pandemia.

DdM: Você já sofreu discriminação por ser ator pornô?

Pedro Messina: Sim. A primeira delas é justamente por ter OnlyFans e não ser de uma produtora. Muita gente acha que pornô deve ser gratuito e que é errado cobrar. Já ouvi muito “não preciso pagar pra ver nude, consigo de graça”, essas coisas. Se você é de uma produtora parece que te levam mais a sério porque seria uma validação de que você é ator pornô. Com o OnlyFans algumas pessoas tendem a achar que vc é só um biscoteiro ególatra.
Mas já rolou discriminação intelectual também, de alguns caras me subestimarem achando que eu sou burro porque trabalho com sexo, já recebi mensagem me chamando de antro de ISTs, de imundo e também sempre tem os haters de twitter que ficam comentando às vezes. Na maioria das vezes é pra criticar os meus pelos, não exatamente o fato de fazer pornô, mas rola também..; tudo isso é no virtual, ainda não sofri discriminação na rua porque tenho saído muito pouco nos últimos meses. Não sei como vai ser depois, se vai rolar discriminação. Inclusive, na última entrevista que eu dei rolou uma: o cara perguntou “se o dinheirinho que eu ganhava pagava minha maconha”.

DdM: Falando em críticas aos pelos, você não tem um corpo “padrão” e tem feito bons números. Você acredita que o pornô está se tornando mais diverso?

Pedro Messina: Então, não sei dizer. Me considero um tanto padrão, apesar de não ser sarado e tal… Gostaria de acreditar que sim, que hoje é possível ver corpos e práticas mais diversos no pornô. Acho que o pornô amador é bem mais diverso que o produzido em estúdios.

DdM: Você pensa nessas questões quando produz? Digo, tenta gravar com pessoas mais diversas ou não chega a ser um limitador do seu trabalho?

Pedro Messina: Eu tento, mas não é tão fácil encontrar caras pra gravar, ao menos no meu caso. Não consigo gravar com quem não conheço, fico travado. Então preciso conhecer um pouco antes e tal. Nisso acaba limitando bastante, mas é algo que eu penso e levo em consideração, sim.

DdM: Quais são seus planos para a carreira a médio e longo prazo?

Pedro Messina: Pretendo continuar com o OnlyFans (ou outra plataforma similar) por algum tempo. Quem sabe ir para o pornô profissional se rolar algum convite bacana de alguma produtora.

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Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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