Bianca DellaFancy fala sobre moda, racismo e cancelamento

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O ano de 2019 foi importantíssimo para Bianca DellaFancy. O “Tá Bom Pra Você?” para recebeu ainda mais convidados memoráveis e alcançou 100 mil seguidores. Além de humanizar quem participou do DellaMake, a youtuber também usou o canal para se humanizar com Vlogs.

“Eu não gravo Vlog em boate, por exemplo. Eu toco como DJ em alguns lugares, mas eu não gravo porque as pessoas já esperam que eu esteja ali. O Vlog serve para mostrar a drag queen em lugares que as pessoas não imaginariam”, explica Bianca.

Os vídeos não apenas humanizam a youtuber como também mostram “que o corre é real”. Nos mais recentes, Bianca mostrou os bastidores da última edição da Casa de Criadores, no qual ela desfilou para três estilistas diferentes, incluindo Fernando Cozendey que foi quem a levou para passarela pela primeira vez.

“Não lembro direito como surgiu o convite e nem que ano era, mas lembro que já tocava montada nessa época e veio da parte dele de querer mais diversidade na passarela dele”, relembra.

Por conta da diversidade que Bianca continuou aceitando convites para desfilar. Ela sabe da importância de uma Drag Queen ocupando espaços, especialmente quando se trata do mundo da moda, que está acostumado a ditar padrões sobre o que é belo de verdade.

“Eu estou fora do padrão porque as pessoas esperam que um menino negro, sendo ele gay ou hétero, tenha um corpo específico que é bem diferente do meu. Também esperam que performem alguma coisa que é bem diferente do que eu performo.  Eles esperam que homens negros sejam másculos, o que já é normal para qualquer homem, mas é bem mais forte em homens negros”, explica.

Ciente de que esses rótulos são uma criação do racismo, Bianca admite que mais do que conscientizar outras pessoas, busca se desconstruir todos os dias.

“Todo mundo tem um pouco de racismo. A gente cresceu num meio racista. A sociedade é feita a partir do racismo, então, todo mundo é racista e ponto. O primeiro passo é a gente reconhecer para evoluir”.

A evolução, no entanto, encontrou um inimigo bem forte em 2019, o cancelamento. Alguns dos entrevistados de Bianca como Gloria Groove, por exemplo, foram alvos de tentativas de cancelamento, o que DellaFancy considera “uma grande bobagem”.

“Eu acho muito perigoso porque, é bizarro, mas acabamos caindo no racismo de novo. Por exemplo, Nego do Borel, Jojo Toddynho… eu vejo uma comoção muito grande quando são pessoas negras sendo cancelada. São ataques absurdos, mas eu não vejo o mesmo para quando a Ana Hickman, por exemplo, fala uma merda. É um dia zoando a cara dela e acabou”, comenta a youtuber.

Entrevista exclusiva com Bianca DellaFancy

Abaixo você confere a entrevista exclusiva que fiz com Bianca DellaFancy e, de quebra, fica sabendo de tudo que deve rolar no “Tá Bom Pra Você” em 2020. Olha só:

Dentro Do Meio: Você acabou de participar de 3 desfiles na edição mais recente da Casa de Criadores. Como começou o seu contato com o mundo da moda?

Bianca DellaFancy: Eu sempre gostei muito, até antes mesmo de ser drag. Eu lembro que quando eu morava em Santos, que é uma cidade muito conversadora e com muita gente enrustida, eu comecei a flertar com a moda.

Não sei se posso dizer que eu fui andrógino, mas eu gostava muito da estética. Lembro que eu e os meus amigos saíamos de salto alto e maquiagem para dar rolê na praia, sabe? Isso há pelo menos 10 anos. 

Depois disso eu virei drag e comecei a desfilar justamente na Casa de Criadores para o (Fernando) Cozendey, que eu também fiz esse ano. Não lembro direito como surgiu o convite e nem que ano era, mas lembro que já tocava montada nessa época e veio da parte dele de querer mais diversidade na passarela dele.

Lembro também que não tinha muito isso de drag desfilando até esse primeiro desfile dele que, além de mim, tinha outras drags, mulheres trans, travestis, mulheres gordas, homens gordos, enfim… era bem plural e eu acho que foi uma vontade dele de trazer essa pluralidade para as passarelas.

Como faz muito tempo isso, na época, eu não era engajada nas redes sociais, só tocava nas festas mesmo. Acho que foi assim que ele me conheceu e me levou para passarela. Acredito que ele já via em mim um potencial que talvez nem eu mesma tivesse reconhecido ainda.

DDM: Ainda sobre o mundo da moda, quando você está montada você perfoma algo mais dentro do padrão de beleza imposto pela sociedade. Como você vê essa questão de padrão de beleza?

DellaMake: Então, eu já pensei muito sobre isso. De fato, quando eu estou montada, e apenas montada, meu corpo, tecnicamente, se aproxima mais do padrão do que seria uma mulher cis… é um corpo magro, é isso, um corpo magro. Mas ainda assim eu fujo do padrão. Primeiro porque eu sou drag e é muito difícil de a gente ver drag na passarela. Quando tem é porque é convidada de um estilista específico que quer mais diversidade e, ainda assim, é bem difícil porque nem toda marca quer estar associada a esse tipo de diversidade.

Mas eu estou fora do padrão porque as pessoas esperam que um menino negro, sendo ele gay ou hétero, tenha um corpo específico que é bem diferente do meu. Também esperam que performem alguma coisa que é bem diferente do que eu performo.  Eles esperam que homens negros sejam másculos, o que já é normal para qualquer homem, mas é bem mais forte em homens negros. Nos colocam numa posição de dominador que tem que ser ativo na cama e essas coisas que eu não faço questão de performar.

Então, eu já pensei sobre até que ponto eu ajudo a desconstruir padrões quando estou montada e sou uma pessoa magra. Mas acho que há tantos outros recortes sobre a minha existência e sobre o meu corpo estar presente na passarela ou em qualquer outro lugar que ser magro é só um detalhe. Pode ser que esse detalhe não ajude a desconstruir ninguém, mas tem outras questões, além das coisas que eu falo, tem a cor da minha pele, eu perfomar uma drag, eu ir contra o que esperam de uma pessoa negra, enfim, eu acho que tem outros recortes mais importantes do que o meu peso, por exemplo. 

DDM: Aproveitando que você falou sobre ser negro, uma pesquisa do nosso site mostrou que racismo é uma das discriminações mais comuns em aplicativos de relacionamento. Você acredita que o racismo ainda é muito forte entre os LGBTI?

DellaFancy: Eu acredito, mas eu acho que as pessoas estão um pouco mais cuidadosas porque hoje em dia a internet é um meio gigante de propagar uma ideia, seja ela qual for, e de exposição também. Então, é muito fácil eu dar um print numa mensagem escrota que um cara me mandou no aplicativo e acabar com a vida dele num modo geral. Por isso as pessoas estão sendo mais cuidadosas.

E, que horror, sendo bem negativa agora, é por isso também que a gente fica com a sensação de que estamos caminhando para um lugar melhor quando na verdade as pessoas estão só camuflando mais. Elas não querem ser expostas e rechaçadas nas internet, mas na prática eu continuo vendo pessoas negras, e eu inclusive, não conseguindo manter ou começar um relacionamento. Vejo pessoas negras passando por uma situação de tentar com uma pessoa branca e ela falar que não está pronta no momento para depois aparecer namorando uma outra pessoa branca. E aí você fica “você não quer namorar ou não quer namorar comigo?”.

Eu tento acreditar que a gente tá num caminho de desconstrução porque senão a gente perde as esperanças e nem tem porque a gente lutar. Também nem teria porque fazer o trabalho que eu faço no meu canal se eu desacreditasse da mudança. Eu acredito, mas acredito que junto com ela tem muita gente que se nega a evoluir e encarar de frente os preconceitos.

Todo mundo tem um pouco de racismo. A gente cresceu num meio racista. A sociedade é feita a partir do racismo, então, todo mundo é racista e ponto. O primeiro passo é a gente reconhecer para evoluir. Mas a pior coisa do mundo é você apontar o dedo para um branco e dizer que ele é racista. Nossa… É uma ofensa e eles ficam “não, porque eu tenho até amigo”. E você fica “mano, é tão mais fácil você perceber do que você tentar negar”.

Então, eu acredito sim que a gente tá num caminho de mudança, mas também acredito que tem muita gente que se recusa a mudar. Essas pessoas continuam aí, talvez elas não estejam tão aparente, talvez elas tenha tirado da bio delas do hornet que elas não querem preto, mas na prática elas ainda não querem.

DDM: Deixa eu me aprofundar na pergunta. Falamos muito da comunidade LGBT, mas você acha que nós, Gays, excluímos muito as outras letras?

DellaFancy: Total, né?! Eu acho e vejo muita gente que se apropria disso para o texto e para ficar bem nas redes, mas na prática mesmo não faz nada. Esse dias me perguntaram o que eu de marcas que querem se relacionar com a gente, mas que não se preocupam com pessoas LGBT. E eu respondi: “Olha, se a marca chamou uma pessoa LGBT para um trabalho ou uma campanha só para ganhar status de desconstruída, é lógico que isso é uma bosta, mas se essa marca estiver pagando bem, estiver dando o dinheiro da gata e dando uma posição boa também, tá ótimo, bee. Passa essa pano para essa marca aí que pelo menos tá fazendo alguma coisa. A intenção a gente nunca sabe”. 

E eu ligo isso ao meio porque a letra G é muito excludente, a gente faz muito isso. Eu vivo num constante processo de desconstrução quanto a isso e eu acho que hoje em dia eu estou muito bem nessa questão porque eu me relaciono com pessoas trans. Ainda não me relacionei afetivamente, mas minha melhor amiga é uma pessoa trans. Somos amigos antes dela transicionar, então, eu acompanhei e ainda acompanho de perto e isso me torna muito íntimo da pauta como um aliado, sabe? E é isso que eu faço, chamo essas pessoas para o meu canal, entrevisto e quero que elas falem abertamente sobre o que elas vivem, independentemente da monetização, não importa se o youtube vai brecar o vídeo ou não, eu quero saber da história da gata.

Eu vejo muita gente, na internet também, sem se preocupar com essas pessoas. Mesmo que seja estudando um pouco para fazer as perguntas certas e dando o lugar de fala ou o protagonismo para que elas passem uma visão. Só estão preocupadas com a imagem e em mostrar “vejam como eu que sou desconstruído”, mas não são. Então a gente exclui, sim. Parece preguiça de entender e de se relacionar, sabe? E isso é péssimo.

DDM: Ainda falando sobre aplicativos, quando entrevistei a Pabllo pela última vez, ela disse que mesmo conquistando o que conquistou, ela tem dificuldade de conseguir encontros por ser afeminada. Acontece o mesmo com você ou acha que se aproximam justamente pelo que você se tornou?

DellaFancy: Acho que as duas coisas. Os dois acontecem. Eu descubro quebrando a cara mesmo. Mas existem alguns sinais. O cara só quer ir para balada, não quer ir para o cinema, não quer ir para um barzinho comigo, não quer ir para minha casa… Tem também quando chega num nível que considero doença que é se permitir passar por isso. Quando perguntam: “mas você vai montada, né?”. Isso eu nunca passei, esse nível eu não chegaria, mas são níveis que você vai percebendo que a pessoa quer se relacionar com a sua drag e quem só quer se relacionar com a sua drag não tem intenções sinceras com você. 

Mas também existem as pessoas que não querem nada com você justamente por você ser drag. Eu confesso que na minha vida isso é muito mais raro porque as pessoas geralmente me conhecem por causa da minha drag. Mas também acontece do cara ficar chocado, de dizer que não consegue acompanhar o seu ritmo ou que você trabalha demais. De dizer que não consegue lidar com assédio ou com a feminilidade. Tem os dois casos. É bem complicado.

DDM: Você acha que é mais complicado do que quando você era apenas um “viadão”?

DellaFancy: Eu acho que é complicado em níveis diferentes. São complicações diferentes. Antes era complicado porque eu não era tão seguro antes de ser drag, entende? Quando eu era só um viadão eu tinha muitas questões quanto ao meu corpo, meu cabelo, meu rosto e minha existência. Então era complicado eu me abrir para relacionamentos. Hoje em dia os problemas que tenho são os que colocam para mim. Eu me relacionaria normalmente com qualquer pessoa pela qual eu me sentisse atraído, as pessoas que não conseguem.

DDM: Você já entrevistou Gloria Groove, Urias, Pabllo Vittar, Karol Conka e outras dezenas de nomes relevantes do meio LGBT. Você vê o Dellamake se transformando em outra coisa a longo prazo, já que você já entrevistou nomes tão importantes?

DellaFancy: Eu já vi ele se transformando numa rede de apoio, coisa que eu não tinha pensando de início. O quadro foi se moldando, embora eu já tivesse uma ideia do que eu queria desde que comecei. Quando eu gravei com a Gloria, a ideia era que fossem dois vídeos: um maquiando a pessoa e falando sobre futilidades e um outro falando de pautas mais sérias. E ela nem lembra, mas foi a Gloria que deu a pincelada final para o quadro ser o que é hoje.

Ela falou: “Por que a gente não faz um vídeo só? Se maquiando, falando de coisas sérias e futilidades que surgirem pelo caminho. Porque as pessoas não imaginam que a gente faça isso. Elas não imaginam que a gente tenha a capacidade de se maquiar e ainda assim falar de política, de vida, de felicidade e outras coisas”. Eu falei: “meu, é isso”, ponto.

E no decorrer do tempo eu fui percebendo que existe essa cobrança de saber quem vai ser o próximo e que ele precisa ser mais relevante que o outro, mas eu não vejo assim. Todos os meus convidados são extremamente relevantes, cada um pela sua história, cada um pela sua fala e eu me orgulho muito disso. 

Me orgulho de ter convidado essas pessoas, de elas terem topado e terem falado o que falaram aqui, sabe? Não tem ninguém que eu tenha entrevistado que não me dê orgulho. Não tem nenhum vídeo do Dellamake que eu assista e pense “nossa que futilidade” ou “nossa que bobagem”. 

O Dellamake para mim é um quadro atemporal. Você pode assistir ao vídeo da Gloria, que foi o primeiro, hoje ou daqui um ano que ele vai continuar superatual e relevante por tudo que é dito. E a maquiagem é só uma ponte, ela não é a coisa principal, mas só a cerejinha do bolo. Além de todo o papo, toda a troca, toda essa experiência, tem também a maquiagem para a gente ver e se divertir. Pode ficar engraçado, pode ficar incrível, pode ficar feio, tanto faz porque esse não é o foco.

DDM: Quais são os anseios que você tem para o canal em 2020?

DellaFancy: Então, eu vou me mudar ainda esse ano. Eu quero manter essa coisa de “vocês estão na minha casa” por gostar de produzir o que eu consumo. Eu assisto poucos canais no YouTube e normalmente eu assisto os que me sinto em casa, os que me sinto confortável. Eu não gosto de estúdio, eu não gosto de parede de cor. Isso não funciona comigo e, enquanto pessoa que consome conteúdo, isso me afasta. Eu acho que fica muito plástico. O diferencial do meu canal é justamente a humanidade. 

O Dellamake, assim como todos os outros quadros, é para humanizar a figura da drag queen e humanizar os meus convidados. Enquanto eu me torno humano, eu também torno meus convidados humanos. E nada mais humano para mim do que ter a pessoa na minha casa, sabe?

E isso é incrível porque as pessoas acompanharam por um ano os meus vídeos nesta casa e agora vão me acompanhar onde eu vou morar. Isso torna a coisa mais íntima ainda do que colocar num cenário.

Além do espaço novo, logo no começo do ano vai ter o Dellamake com fã. Entre janeiro e fevereiro vou lançar a promoção para escolher quem vai participar. 

O vlog também continua com a mesma intenção de mostrar uma drag queen ocupando espaços diferentes, e essa é a ideia do vlog, quero aproveitar para explicar caso alguém não saiba. Eu não gravo vlog em boate, por exemplo, eu toco como DJ em alguns lugares, mas eu não gravo porque as pessoas já esperam que eu esteja ali.

O vlog serve para mostrar a drag queen em lugares que as pessoas não imaginariam. Quando eu vou para o baile da Vogue montada é diferente do que as pessoas esperam, elas não esperam ver uma pessoa vivendo isso. Quando vou desfilar para Casa de Criadores, na Fashion Week ou qualquer outro lugar, é essa a ideia.

Eu gosto muito de mostrar todo percurso até o evento, primeiro porque o corre é real e as pessoas não sabem, elas acham que fácil e não é. Gosto de mostrar isso. Também acho chiquérrimo mostrar as regalias, enfim… As pessoas precisam saber que não é só transtorno. Também acontece um bafo maravilhoso aqui e ali que precisam ser gravados.

Então, o canal ano que vem tem cenário novo, tem o vlog do jeito que eu já venho fazendo e talvez algum quadro novo que eu estou pensando como fazer porque eu já faço muita coisa. Sou eu quem edito meus vídeos, então é babado.

DDM: Qual é sua opinião sobre a cultura do cancelamento?

DellaFancy: Eu acho uma grande bobagem. Acho perigosíssimo porque cai no bullying virtual num piscar de olhos. O foda dessa cultura de cancelamento é que ela raramente vem atrelada a uma vontade de ensinar, uma vontade construir de fato. É mais uma coisa “eu quero acabar com a sua vida e ponto final”. Eu acho isso muito perigoso.

Quando uma pessoa faz uma coisa errada, a gente tem que ter a noção que às vezes a pessoa não tinha mesmo a acesso a informação. Mesmo com a internet, mesmo com todos os acessos, a vivência dessa pessoa foi outra. 

E eu acho muito perigoso porque, é bizarro, mas acabamos caindo no racismo de novo. Por exemplo, Nego do Borel, Jojo Toddynho… Eu vejo uma comoção muito grande quando são pessoas negras sendo cancelada. São ataques absurdos, mas eu não vejo o mesmo para quando a Ana Hickman, por exemplo, fala uma merda. É um dia zoando a cara dela e acabou.

Então, eu acho que a gente tem que tomar muito cuidado porque as pessoas que querem cancelar as outras, elas querem acabar com a carreira e a vida das pessoas sem se preocupar com suícidio ou coisas assim. É um prazer mórbido em ver a pessoa chorando na merda, um prazer mórbido de encher o instragram com ofensas absurdas que saem do tema ou pauta do que a pessoa fez ou falou de errado e indo para questões pessoais, íntimas, para família, só para acabar com a vida da pessoa mesmo. Essa é a ideia do cancelamento e eu acho isso extremamente perigoso.

Primeiro porque isso pode se voltar contra você, já que todo mundo é passível ao erro. Você tentar cancelar alguém é você se colocar num lugar de perfeição. 

Acho péssimo a cultura de cancelamento porque ninguém cresce, ninguém aprende, a gente só se junta para acabar com a vida e carreira de alguém ao invés da gente se juntar para discutir e tornar aquilo uma pauta para que mais pessoas entendam. Porque se essa pessoa que tá sendo cancelada errou, você pode ter certeza que várias outras pensam errado igual e elas não vão aprender com cancelamento. O cancelamento não ensina e pode acabar com uma vida.

Então, eu acho que essa comoção ao invés de ser focada em cancelar alguém poderia ser focada para transformar o assunto numa pauta para ensinar as pessoas o que é o certo.

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