Aj and the Queen é como um filme da Sessão da Tarde

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Estreou no último dia 10 de janeiro a primeira temporada de Aj and the Queen. A série e criada e estrelada por RuPaul, conforme a gente já tinha te adiantado aqui.

E Ru não é a única queen no show, muitas outras participantes de Drag Race fazem uma pontinha como coadjuvantes na série.

Fiz questão de esperar passar um tempinho para não correr o risco de dar um grande spoiler para ninguém, mas esse texto discute cenas chaves na série, então, se ainda não acabou, volte aqui depois.

Aj and the Queen é bom?

O show acompanha a drag queen Ruby e Aj, uma menina de 10 anos que tem uma mãe viciada em drogas e decide ir morar com o avô. O resumo é simplório, mas é suficiente porque a série não vai muito além.

Cada um dos 10 episódios tem cerca de 1 hora de duração. E não vou mentir, não é o tipo de programa que o tempo passa e você nem sente. Em muitos capítulos, a tempo custa a passar.

No entanto, a Aj and the Queen nem de longe é ruim. A fórmula é batida, não deixa a desejar em nada para nenhum filme da Sessão da Tarde.

Talvez isso seja por conta do protagonismo de uma criança, afinal, mesmo com uma classificação indicativa determinando que menores de 14 não devem assistir, é bem complicado afastar uma certa infantilidade do show.

Temas importantes são rasos

Há essa altura você pode estar se perguntando como uma série que tem uma personagem viciada em drogas pode ter uma certa infantilidade. Bem, temas “polêmicos” não se aprofundam.

A ideia é que Aj and the Queen seja uma dramédia, uma mistura de drama com comédia, mas existe uma certa dificuldade de ficar no drama ou em assuntos mais sérios.

A maneira que RuPaul, que aqui e Ruby Red, conclui que uma criança com discursos feministas vai se tornar lésbicas ou como ela compara o direito ao posse de armar a sexualidade de alguém me causou arrepios.

Atuações são (quase todas) convincentes

Uma das coisas que mais me empolgaram quando soube da série, foi a oportunidade de ver RuPaul atuando e foi decepcionante. Ruby e RuPaul são praticamente a mesma pessoa.

No entanto, não posso deixar de destacar a atuação IMPECÁVEL de Micheal-Leon Wooley. Louis é, de longe, a melhor coisa nessa série.

Cheguei a acreditar que tinha escalado um ator cego, mas ele só é muito bom mesmo e a maneira de interpretar as tiradas é um espetáculo a parte.

Izzy G, a Aj, aguenta bem a série, desde que não precise atuar uma cena de choro. Não a lágrimas, por mais que ela force muito para que isso aconteça. O sarcasmo, no entanto, tá em dia.

Ainda não sabemos se a série deve ganhar uma continuação, mas isso não significa que Ru não vá tentar. O último episódio deixa um gancho incrível. Resta esperar. E você, o que achou?

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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