A Riachuelo deixou de ser homofóbica?

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Representantes da Riachuelo assinando um compromisso com a comunidade LGBT

O ano de 2018 tirou muita empresa conservadora do armário e, como resposta, muitas pessoas começaram a parar de gastar dinheiro e boicotar lugares que tinham posições contrarias aos direitos LGBTI. A loja de departamentos Riachuelo foi uma delas.

Flávio Rocha foi o responsável por dar a fama homofóbica para loja depois de ter se declarado contra o casamento gay e a ideologia de gênero quando ainda era pré-candidato a presidência. Quando decidiu não concorrer, ele declarou apoio ao Bolsonaro e a gente bem sabe o que o presidente pensa da gente.

Eu mesmo me tornei a pessoa que evitava passar na frente da Riachuelo e que riscou a loja da lista de possibilidades para renovar o guarda-roupa. Mas 2019 marcou uma mudança no posicionamento da marca que me fez questionar, a Riachuelo mudou?

Afastamento de Flávio Rocha e empregabilidade trans

Ainda em 2018, mais especificamente em abril, quando era pré-candidato, Flávio Rocha deixou de ser CEO da Riachuelo. No lugar dele, Oswaldo Nunes tomou a frente da loja com discurso mais friendly para comunidade LGBT. Claro que isso não é muito, já que poderia ser apenas um disfarce para conseguir o famoso pink money.

Afinal, em agosto de 2018, Flávio foi eleito presidente do conselho administrativo do Grupo Guararapes, que é dona da marca Riachuelo, e foi a opinião dele que grudou a fama de homofóbica na marca.

Mas o aceno da Riachuelo a causa LGBTI não ficou apenas no discurso e na produção de peças que dialogavam diretamente com esse público e em junho de 2019, mês do orgulho, rolou uma matéria na UOL falando de como agora marca empregava pessoas trans.

Eles também usaram o próprio blog para falar sobre Stonewall e direitos LGBTI, enquanto no Facebook anunciaram que haviam assinado um documento com 10 compromissos com respeito e a promoção aos direitos humanos LGBTI e que agora faziam parte do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+.

Mais tarde, em agosto, Riachuelo fez parte do #AgoraVai uma feira de capacitação e empregos encabeçada pela TransEmpregos.

Colocando na balança

Eu não estou aqui para decidir que a comunidade deve ou não descancelar a Riachuelo, mas gostaria de trazer uma reflexão a tona: nós vivemos num país que mais mata e invisibiliza pessoas trans, então não seria louvável que uma empresa olhe para letra T?

Sou a favor de que a gente defina onde devemos gastar ou não nosso riquíssimo Pink Money, mas também acho importante que a gente coloque na balança questões importantes como a empregabilidade LGBT, principalmente quando se trata de pessoas trans.

É possível que estejam apenas tentando “limpar a barra”? Talvez, mas a Riachuelo já fez bem mais do que a Havan, que também apoia Bolsonaro, em relação a nossa comunidade e em tempos como os de hoje é importante ter marcas se posicionando a nosso favor.

Mais uma vez, não proponho um descancelamento porque tenho plena convicção de que não sou eu quem decido isso e por acreditar que cada um faz e defende o que quiser, mas acho válido olharmos para a mudança no discurso e no posicionamento da Riachuelo para que, então, você decida se pode ou não gastar seu dinheiro por lá.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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