O 1º de dezembro e a luta contra o HIV/AIDS

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Desde os anos 90, no dia 1ª de dezembro comemoramos o Dia Mundial da Luta contra a AIDS, data essa que nos coloca a frente de muitos desafios, muitas lembranças e muita luta. Pensar que em apenas um dia conseguiremos acabar com a sorofobia ou com as infecções de HIV pelo mundo é  utópico, porém mais nesse dia podemos lembrar o quanto ainda temos que caminhar para chegar aonde queremos.

Trabalhar com população que vive com HIV/AIDS me coloca todos os dias a pensar o que é viver dessa forma, quais são as implicações pessoais, sociais, trabalhistas, de relacionamentos e de expressão. Tudo isso, todos os dias, bate na minha cara bem forte, pra me lembrar o quanto as pessoas que vivem com HIV lutam para serem respeitadas e tratadas como todas as pessoas deveriam ser tratadas: com respeito.

Atualmente, estima-se que o número de pessoas que vivem com HIV no mundo chegue a 39 milhões, sendo essas já diagnosticadas ou não. No Brasil, temos um número próximo a 700.000 mil pessoas que vivem com HIV. A cada ano, mais de um milhão de pessoas ainda morrem em consequência da AIDS no mundo inteiro, com grande prevalência em zonas subdesenvolvidas e com acesso precário a saúde. Esse número assusta, e ele ainda é bem subestimado.

O acesso ao teste diagnóstico ainda está muito aquém do que gostaríamos que estivesse. Até antes disso, a informação sobre o HIV e a AIDS ainda é muito  escassa para muitas e muitos, não chega de forma fácil, da forma que todos conseguem entender. Isso só aumenta o tabu e o preconceito que caminha ao redor da doença, transformando ela num grande medo coletivo. 

É ótimo que tenhamos hoje acesso a terapias incríveis de tratamento e controle do HIV, que tenhamos pesquisas para a cura também. Porém, para além de tratar, também devemos lembrar que a prevenção faz parte do ciclo de luta contra o HIV/AIDS. Realizar testagem rotineiramente, usar preservativo, tomar PrEP ou PEP, tratar seu HIV para ficar indetectável: todas essas são formas de diminuirmos a transmissão e novos casos de HIV no mundo.

É importante ressaltar que o respeito contribui muito pra isso também. Imaginem vocês serem discriminados por estarem indo pegar a medicação para tratar sua doença – pessoas com HIV/AIDS ainda passam por situações como essa. E também são julgadas por como adquiriram a doença, ou de por serem “promiscuas”, de momentos por abandono de tratamento devido à serem maltratadas no serviço de saúde, ou mesmo de não entenderem sua doença. A informação é a melhor arma, sempre será. E com ela vem o respeito. 

Neste dia primeiro, junto de uma outra pandemia nova, a epidemia do HIV precisa ser lembrada como aquela que desde os anos 80 vem sendo esquecida pelos governantes, pelo serviço de saúde e até mesmo por nós. Se colocar na pele do outro vale muito no momento de tentar entender a dor de ser quem se é, e pode muito contribuir em ações eficazes para diminuirmos os casos de HIV, diminuirmos as mortes por AIDS e termos mais respeito por pessoas que vivem com o vírus. Seguimos, dia primeiro de dezembro e todos os outros. 

Comentários

Felipe Medeiros
Felipe é médico, gay, faz residência de infectologia, vive com seus dois gatos e também é pai de 4 cachorros bem fofos. Se envolveu com saúde LGBT desde a faculdade e desde então se tornou uma poc militante das bem fervorosas.
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