Como fica a nossa saúde física e mental durante a quarentena?

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Desde março estamos vivendo um período pelo qual nossa geração nunca passou. O distanciamento social não fazia parte da vida de muitos e não é comum para nós que vivemos em sociedade. Estamos todos os dias nos relacionando com os demais, conversando, trocando ideias, nos abraçando, beijando e trocando carinhos.

Porém, é uma necessidade do período de pandemia de uma doença viral que se dissemina por contato pessoa-a-pessoa que nos distanciemos uns dos outros para evitar um maior contágio e uma sobrecarga no sistema de saúde por necessidade de leitos.

E como é que a gente fica nesse período? Fica em casa pra quem pode ficar; fica longe da família pra não colocar os idosos à exposição; fica longe dos amigos que sempre víamos para não expor eles e não se expor; continua trabalhando quem precisa.

Infelizmente, não sabemos até quando iremos ficar nessa nova rotina e pra isso venho falar sobre algumas questões que surgem nesse período de quarentena e isolamento social que podem atrapalhar nosso novo dia a dia.

É normal se sentir sozinho, triste, angustiado com tudo isso que vem acontecendo. Não saber o dia de amanhã ou quando vamos voltar ao mínimo de normalidade que tínhamos realmente traz sentimentos de angústia e incertezas que podem afetar nosso desempenho e como lidamos conosco na quarentena.

Para pessoas que já convivem com doenças mentais como depressão e ansiedade, por exemplo, essas podem piorar seus sintomas durante esse período. Por isso, é importantíssimo que se mantenha o acompanhamento médico e/ou psicológico durante o período, para que esses sintomas não tragam prejuízos à sua vivência.

Se sentir pouco produtivo no home-office ou na sua quarentena também faz parte. Nossa casa sempre foi para nós como um lugar de descanso, fora do trabalho ou do estudo, onde o lazer e a convivência com familiares, parceiro ou consigo eram as prioridades.

Agora, além disso tudo, você tem que dar conta de uma não-rotina, sem horário fixo e isso bagunça com o que a gente entende de trabalho. Caso você se sinta cansado num dia, querendo ficar só na cama, curtindo o frio e Netflix, isso também faz parte desse período.

Não somos totalmente produtivos a todo o momento e no home-office conseguimos adaptar os horários às necessidades, fazendo com que o descanso também seja prioridade quando o corpo e – principalmente – a mente pedem.

Na questão da saúde física, temos principalmente a necessidade de nos cuidar com as prevenções necessárias para não adquirir a infecção por coronavírus como já falamos aqui. Caso você vá sair de casa, use sempre máscara. Com isso, você protege não só a si mesmo como os demais com quem terá pouco contato no mercado ou no transporte, por exemplo.

Mas e as atividades físicas que fazíamos antes? Academias fechadas, estúdios de dança também. Como manter o corpo? Vejo muitas pessoas, principalmente homens gays, com anseios de “perder o corpo perfeito conquistado com muito suor na academia” e isso gerando sofrimento.

Infelizmente, a imagem e a necessidade que a sociedade coloca em cima dos nossos corpos reflete muito em como a gente se enxerga e fugir disso dentro de um período de quarentena é quase que certeza.

Alimentação desregrada, sono sem horário certo, atividades físicas limitadas. Por isso, se você se sente afetado por isso, crie uma rotina não só de exercícios dentro de casa, como yoga, alongamentos, aeróbicos ou até mesmo com uso de aparelhos e acessórios, mas também leve em consideração seu novo dia a dia com ajuste do seu sono. Mantenha sua alimentação de acordo com o que era antes, na medida do possível.

Porém, é bom falar que fugir disso tudo também é normal. Faz parte das mudanças que estamos vivendo e não tem nada de errado nisso. A gente tá aprendendo a viver numa rotina que não é a nossa, que não foi a que nos foi colocada em nossa criação, pelo menos não da maioria de nós. Então, adaptações vão surgir e devem surgir para podermos melhorar essa ânsia de sermos totalmente produtivos sempre, ou estarmos felizes sempre.

Caso você não dê conta sozinho, procure ajuda de um profissional psicólogo, psiquiatra ou analista para dividir essas angústias, vários serviços online estão disponíveis nessa quarentena.

Distanciamento físico não significa distanciamento total, continue falando com seus amigos e família por vídeo-chamadas ou telefone, invente seu modo de continuar socializando. Logo estaremos de novo nos readaptando a socializar de novo. Sigam firmes!

Comentários

Felipe Medeiros
Felipe é médico, gay, faz residência de infectologia, vive com seus dois gatos e também é pai de 4 cachorros bem fofos. Se envolveu com saúde LGBT desde a faculdade e desde então se tornou uma poc militante das bem fervorosas.
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