O mês do Orgulho e a visibilidade jurídica da causa LGBT

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após anos de militância e mortes de ícones LGBT, à preço de sangue e de muitas vidas ceifadas com extrema violência, a sociedade se deu conta de que existimos e estamos conquistando alguns espaços, vingando, mesmo que ainda minimamente, pessoas que outrora brigaram por nossos direitos.

Se hoje a homofobia é crime, tenha a certeza que alguém morreu por isso. Se hoje você pode andar de mãos dadas com seu boy, sua mina ou alguém que ame na Av. Paulista, saiba que alguém apanhou para isso ser possível. Se comemoramos o mês do orgulho na maior Parada LGBT do mundo, dentro do País que mais MATA LGBTs, é porque alguém deitou na frente de militares e afrontou, no passado.

Nossas conquistas ainda são bem tímidas frente ao tamanho descaso que nossa comunidade sofre da sociedade, mas acredito que desta vez, neste mês do orgulho de 2021 temos uma visibilidade bacana para se comemorar, que eu prefiro chamar de Visibilidade Jurídica.

Em Maio, de forma feliz e muito assertiva, o Estado do Paraná promulgou uma a Lei nº 20.568 de 12/05/2021, que dispõe sobre penalidades à serem aplicadas no âmbito dos campeonatos e jogos de futebol, quando vislumbrado algum ato discriminatório ou mesmo homofóbico. A lei já está em plena aplicabilidade e abrange desde insultos raciais até de orientação sexual.

Já há alguns anos temos visto uma movimentação de algumas marcas na direção do público LGBT, que por óbvio foi recebida como clara intenção do famoso Pink Money. Algumas de fato eram e até apoiam o Governo Genocida atual, mas muitas outras provaram o contrário. É possível encontrar, sem muita busca, marcas realmente preocupadas com LGBTs e pessoas marginalizadas desse meio.

Basta uma rápida olhada na rede social LinkedIn que você vai encontrar diversas empresas engajadas na luta LGBT, com reais propostas e políticas que beneficiam esta população. Quando que esperaríamos ver uma vaga de emprego EXCLUSIVA para pessoas pretas? Pessoas Trans? Mulheres? Isso é real e está acontecendo!

Hoje conseguimos encontrar empresas que possuem setores específicos para o enfrentamento ao preconceito, que possuem políticas REAIS acontecendo em prol à populações marginalizadas, que desenvolvem métodos e indicadores para contratar cada vez mais esse público. O que é verdadeiramente sensacional e desejável que aconteça em toda nossa sociedade.

Claro, é preciso separar as coisas e saber que ainda há muita montanha para ser escalada. Vislumbrar estas atitudes é tomar um fôlego, respirar fundo e pegar energia para continuar nossa luta!

Outras movimentações muito interessante de se ver foram os escritórios de advocacia e várias entidades jurídicas se manifestando contra o projeto da ALESP, já tratado aqui no Dentro do Meio, que visava proibir propaganda com conteúdo LGBT. Esses órgãos tidos como conservadores e muito formais, se atiraram publicamente em uma pequena luta contra a injustiça e o preconceito.

É disso que precisamos, ocupar espaços e ter orgulho do que somos, do que nascemos para ser. Fico feliz em ver e saber que nossa sociedade jurídica, em sua grande maioria, apoia a causa, por ser humanitária e estar prevista em nossa querida Constituição Federal, que ao contrário de leituras deturpadas direitistas, assegura SIM, à todas as pessoas LGBT o direito à vida, à segurança, à família, ao emprego e ao amor!

Viva o mês da diversidade. Viva às empresas que empregam LGBTs. Viva o mês do Orgulho!

Comentários

Willian é Advogado, acredita que para a informação jurídica chegar à toda sociedade (toda mesmo), ela deve ser fácil de entender e sem palavras difíceis e cafonas
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