TV brasileira ainda aposta em LGBTI como “alívio cômico”

178
views
Série Tô De Graça tem personagem gay, lésbica e bissexual

Sem previsão de recuo da pandemia do coronavírus, a representatividade de personagens LGBTI na TV diminuiu no exterior e, no Brasil, se limitou a reprises com bastante “alívio cômico”. O grupo Globo é responsável pelo maior número personagens no ar.

O Dentro Do Meio se debruçou nas programações de canais abertos e pagos para identificar o número de LGBTIs em séries e novelas nacionais no primeiro bimestre de 2021. Com o número de mortes causadas pela Covid-19 ainda em alta no país, produções inéditas seguem suspensas.

No total, nosso estudo contou 18 personagens LGBTI no ar, todos de produções do grupo Globo e com forte apelo no “humor”. O canal pago Multishow tem 44,4% todos personagens distribuídos entres os programas Treme Treme, Tô de Graça, Xilindró e Vai que Cola.

Em seguida, aparece a Globo com 33,3% e por último o Viva com 22,2%. Outras emissoras como SBT, Band e Record não estão reprisando nenhum conteúdo com personagens LGBT. Embora o estudo tenha focado em obras de ficção, também não foi encontrado um número representativo de pessoas abertamente LGBT a frente das câmeras nestas emissoras.

Gays brancos são maioria dentre a minoria

Lindsay Paulino interpreta a travesti Xuxeta

O levantamento identificou apenas uma pessoa negra dentre os LGBTI no ar atualmente: Jorge Lafond. O ator, nacionalmente conhecido pelo papel de Vera Verão no programa A Praça é Nossa, também faz parte do núcleo de alívio cômico da novela Sassaricando – transmitida originalmente em 1987.

A falta de diversidade também fica evidente quando olhamos para outras letras da sigla. Homens gays representam 50% dos personagens LGBT, já mulheres lésbicas e mulheres bissexuais aparecem com 22,2% cada. A letra T é representada pela personagem caricata Xuxeta, interpretada pelo ator cis Lindsay Paulino.

Plataformas de streaming falham em representatividade nacional

Não é mistério que existe pouco material nacional sendo produzido pelas plataformas de streming. Dentre as líderes de mercado, talvez a Netflix seja a que mais se destaca, mas, ainda assim, o número de séries, filmes e realities feitos para pessoas LGBT é pequeno.

Com a promessa de lançar um filme por semana, a Netflix lançou durante o primeiro semestre apenas um conteúdo nacional, a celebrada Cidade Invisível. A primeira temporada não trouxe nenhum personagem LGBTI. É esperado que ainda este ano a plataforma apresente a série Maldivas e estreie o reality Queer Eye Brasil.

Já a Prime Vídeo anunciou uma série protagonizada pela cantora Liniker. Não há previsão de produções nacionais para HBO Max e Disney + que chegarão ao país nos próximos meses.

Comentários

Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
COMPARTILHAR