Tudo sobre Lady Last, próximo álbum de estúdio de Gloria Groove

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Foto: Rodolfo Magalhães

“Estava sentido muita falta de fazer o pop”, revelou Gloria Groove logo no comecinho da coletiva que aconteceu de forma virtual nesta quinta-feira (17). O encontro foi marcado para contar mais detalhes sobre o trabalho que substituirá o intimista Affair, mas logo de cara descobrimos que, ao contrário do que costuma fazer quando convoca os jornalistas, GG não está com tudo pronto. A maior novidade ficou por conta do clipe de Bonekinha, que ela mostrou na integra.

Assinado pelo Felipe Sassi, com quem Gloria já trabalhou em Coisa Boa, A Caminhada, YoYo, dentre outros, o vídeo é uma verdadeira carta de amor para quem cresceu durante os anos 2000. Além do celular V3 e uma galera junta numa lan house, os figurinos lembram bastante a invasão do rock naquele período em Avril Lavigne, Evanescence, Pitty e outras bandas dominavam os topos das paradas.

“Meu eu adolescente ia ficar muito feliz de ver como consegui aplicar as referências que a gente coletou para aplicar nesse trabalho”, argumenta Groove. “Bonekinha mostra o que acontece quando a gente mistura o rock com outras coisas. Eu estou com um estilo mais rockeira mesmo e acabei caindo num universo mais monster high e bratz que não consegui sair até agora”.

“A Bonekinha não sabe brincar”

Como dito anteriormente, Bonekinha foi escolhida como carro chefe do que Gloria chama de “nova era”. A música veio da saudade de fazer música pop com a vontade de misturar estilos e reafirmar o amor pena Zona Leste. “Bonekinha não teve tempo de gaveta. Eu precisava de uma música que fosse a roupinha da nova era, sabe? A música funciona como uma porta de entrada para Lady Leste. Ela é a fusão do funk com o rock, deu uma coisa muito Gloria Groove e essa música funcionou muito bem desse jeito. Essa fusão é como brincar de fundir tecidos para montar um look. É pop porque pode ter de tudo um pouco”.

No single, Gloria divide parte dos vocais com Mirella Barbosa, a irmã mais nova de Drika Barbosa. As três já tinham trabalhado juntas em Quem Tem Joga, que também conta com Karol Conka. “[O convite] aconteceu meio de surpresa. Testamos vozes distorcidas, mas aí meu sócio sugeriu a Mirella e deu super certo. A gente já se conhecia porque causamos muito quando gravamos Quem Tem Joga com a Drika e a Karol. Ela tirou de letra, gravou superrápido”, explicou a drag queen que enfatizou canção “traz um clima nostálgico de quem cresceu nos anos 2000”.

Bonekinha é, além de tudo, a reafirmação da identidade feminina. Há muito poder e muita irreverência no universo feminino”, diz ela sobre o single que chega às plataformas de música ainda nesta quinta, às 21h, e o clipe que estreia na próxima sexta (18), às 12h. No entanto, o comecinho está disponível no Instagram da GG.

“Me chamem de Lady Leste”

Qualquer pessoa que já ouviu mais de três músicas de Gloria Groove sabe que ela cresceu na Zona Leste de São Paulo, mais especificamente na Vila Formosa. Ter vindo dessa região é um dos maiores orgulhos dela e para escancarar de vez esse sentimento, a cantora criou Lady Leste. Muito mais que o título do álbum, o nome é também o alter ego que representa o nova fase da carreira de GG.

“Lady Leste é a oportunidade de eu contar melhor a minha história. Vou abrir ainda mais o meu coração porque ainda tenho um monte de coisas para contar. Lady Leste evoca o pop, mas também traz as pessoas mais para dentro da minha casa, da minha vida e de mim. Acaba sendo muito autobiográfico”, defende Gloria. “Vou adorar se começarem a me chamar de Lady Leste”.

A escolha do nome é uma espécie de homenagem as mulheres da vida da cantora. “A Lady Leste é fruto da minha imaginação. Eu sempre fico pensando sobre nomes para minha próxima era. A gente conhece algumas Ladies, né? Lady Gaga, Lady Night… vem muito do trocadilho com o lado leste, que é uma gíria da zona leste. E também é uma homenagem as mulheres que vem da zona leste e me inspiram. Minha mãe, minha coreografa, enfim, várias pessoas que trabalham comigo e vivem da radial para lá”.

Referências e mudança de eras

Questionada sobre a possibilidade de termos mais uma baladinha romântica em Lady Leste, Gloria relembra que tudo ainda está sendo desejando, mas dúvida. “Eu venho de uma fossa tão forte de Affair que não sobrou muita coisa para o Lady Leste. Ela é mais pé na porta”, pontua. “Para trabalhar as músicas desse álbum, eu preciso MUITO me divertir. É o contrário de Affair. A gente precisa muito disso nesse momento que a gente tá passando. Eu inventei a Lady Leste para ela me tirar daqui”, diz fazendo referência a pandemia.

Por falar em referência, Gloria admite que no momento é a própria referência e que, embora sinta a pressão do mercado, é a cabeça dela quem mais a pressiona para se reinventar. “Sempre quero mostrar uma nova faceta. Os artistas que mais admiro sempre tem essa coisa de conseguir mostrar uma nova versão, então também espero ser assim”, argumenta. “Existe uma pressão do mercado, mas como diz a Gaga, ‘my biggest enemy is me’. Ralo muito para não me repetir e não ser monótona, sabe? E eu sei que tem muita gente querendo ouvir coisa nova”.

Gloria também deixou claro que Lady Leste é mais explícita e por isso ninguém deve se espantar com o “ezinho” na frente das músicas. “Cansei de não falar o que estou pensando”, justificou.

Ainda sobre referências, Gloria admite que tem escutado mais rock e que as pessoas vão perceber isso assim que ouvirem os novos trabalhos. “Lady Leste tá sendo muito novo e experimental. Tenho sim escutado mais rock e cheguei a pedir algo mais rasgado, mais Slash fazendo um solo para produção de Bonekinha, sabe? Não é um álbum de rock, mas vamos ver a Gloria mais roqueirinha sim”.

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Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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