Para LGBTIs, o discurso da diversidade ainda não chegou nas carteiras de trabalho

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Foto: Ricardo Matsukawa/ Tem Q Ter

Uma pesquisa realizada pelo Grupo Croma sobre a preocupação da diversidade em ambientes de negócios mostrou que o discurso de inclusão ainda não é visto na prática. Para 57% dos entrevistados, as empresas ainda possuem receios em contratar profissionais assumidamente LGBTIs. Este número aumenta se considerarmos apenas as respostas dos LGBTIs entrevistados: 75% veem esse preconceito nas contratações.

+ 51% dos LGBTs já sofreu discriminação no trabalho

A pesquisa, intitulada Oldiversity, entrevistou 2.032 pessoas, sendo 308 assumidamente LGBTIs. Do total dos entrevistados, 55% acreditam que o governo federal influenciou negativamente para o aumento do preconceito de gênero ou orientação sexual. No recorte entre os entrevistados LGBTIs, esse indicador vai para 73%.

O estudo também mostra como a implementação da diversidade é necessária em todos os ambientes de uma empresa. Essa diversidade, aliás, é cobrada pelos entrevistados LGBTIs: 69% não consomem produtos de marcas com comportamentos preconceituosos, 72% gostariam de ver mais propagandas com elementos de diversidade e 68% declararam que as propagandas com representatividade LGBTI ajudam a criar uma sociedade mais tolerante.

“Se posicionar em prol desse público [LGBTI] deve ser, não apenas economicamente estratégico, e sim, uma questão de representatividade. É falar, olho no olho, com pessoas que merecem valorização e respeito por lutarem diariamente contra uma sociedade difícil de ser sociável, e ouvir e entender o que agrada e o que desagrada, é conquistar um espaço”, afirmou Mario Souza, diretor de produção da Mauricio de Sousa Produções, em depoimento ao estudo. “É cumprir o nosso dever como marca, empresa ou instituição em uma posição mais privilegiada, de sermos a força de transformação”.

Natura é a empresa com mais representatividade

Ao analisarem os mercados com mais representatividade LGBTI, os entrevistados apontaram o setor de cosméticos, beleza e higiene pessoal com mais diversidade (52%), seguido pelo mercado de moda e confecção (27%); entretenimento e redes sociais (25%) e alimentos e bebidas (17%).

Já na análise por marcas, a Natura apareceu como a empresa mais diversa, com 32%, seguida por O Boticário (21%), Netflix (13%) e C&A (12%). O estudo completo, que também analisa as percepções de pessoas negras e com deficiência, está disponível para download. 

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