Organização LGBT distribui água e alimento em Macapá

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Foto: Marta da Silva -Levante Popular da Juventude

Apesar da tímida melhora depois que a imprensa começou a acompanhar mais de perto, a situação no estado do Amapá continua bastante precária. Para tentar minimizar os impactos causados pelo apagão que nesta terça-feira (10) chega ao 8º dia, a União Nacional LGBT do Amapá (UNALGBT/AP) passou a distribuir água e comida para partes mais carentes da capital.

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“Estamos recebendo doações em dinheiro e em material para distribuirmos comida, água, gelo e velas nas comunidades. A alimentação está sendo entregue em forma de marmitas, porque muitas pessoas ainda não tem água potável para cozinhar, não tem gás de cozinha e os eletrodomésticos, como geladeira e fogão, queimaram no apagão”, conta Dandara Souza, presidente da UNALGBT/AP e vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da População LGBT de Macapá, para o Dentro Do Meio.

Através do Instagram a organização vem compartilhando algumas das ações que encabeçam em parceria com A União da Juventude Socialista do Amapá – UJS AP, o Levante Popular da Juventude Amapá e o espaço cultural negro de Macapá, Quilombo Sankofa. Na última segunda, foi postada uma foto que mostrava uma cozinha a luz de velas, na qual comida era preparada para ser distribuída no bairro Açaí, Zona Norte de Macapá.

Situação é mais grave na periferia

No último domingo (8), a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) divulgou que um rodízio seria instaurado no estado. Cada região teria energia pelo menos duas vezes por dia por um período de 6 horas, mas não é o que tem acontecendo.

“No meu bairro, que fica na Zona Sul, o rodízio tem funcionado como o esperado, mas nas comunidades mais periféricas o rodízio não é respeitado. Ontem, na extrema Zona Norte de Macapá, a comunidade do Parque dos Buritis teve apenas 2h de energia elétrica em 24h do dia. Em algumas outras localidades, como em áreas quilombolas, a energia sequer chegou em rodízio, existem pessoas há 7 dias no apagão total”, contou Dandara.

Ela também revelou que muitos protestos estão acontecendo e um deles, no bairro do Congós, uma das balas de borracha usadas para dispersar os manifestantes acabaram cegando um adolescentes de apenas 13 anos. “O preço da alimentação básica subiu MUITO nos últimos dias, a periferia não tem dinheiro pra comprar comida com os preços altos assim.”.

Foto: UNALGBT/AP

Mapeamento de pessoas LGBT em situação de vulnerabilidade

A distribuição de comidas e água está sendo feita para toda população, sem distinção de orientação sexual e identidade de gênero, mas um mapeamento focado nas pessoas LGBT para estudar ações específicas para esse grupo já começou a ser feito.

“Requeri agora mesmo os dados cadastrais que temos no conselho municipal pra tentar contatar todes e saber se precisam de doações. Uma das nossas lideranças em Santana está mapeando LGBTs em vulnerabilidade por conta do apagão por lá”, explicou Dandara.

O dados foram obtidos em outro mapeamento, feito no início da pandemia, para entrega de auxílio-alimentação e auxílio emergencial em dinheiro pra população LGBT de Macapá. “Através do conselho estadual conseguimos alcançar também LGBTs no município de Santana, o segundo maior do Estado. Entregamos por 2 meses cestas básicas e um auxílio emergencial de 140 reais (em 2 parcelas, 70 reais por mês)”.

A pandemia, inclusive, não foi superada e voltou a registrar aumento no número de mortes. Informações divulgadas pelo Google Notícias, há um total de 53.330 casos e, apenas na última segunda, houve 764 mortes.

Sobre a UNALGBT

Criada em 2015, a União Nacional LGBT foi criada para articular políticas públicas especificas para população LGBT. A organização está presente em diversos estados brasileiros.

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A UNALGBT começou com um desejo de que existisse uma rede socialista de pessoas LGBT. No dia 20 de dezembro de 2014, num longo encontro que aconteceu em São Paulo, conseguimos começar a gestar esse sonho, que nasceu no dia 15 de outubro de 2015, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, sob as bençãos da nossa diva Leci Brandão. No segundo dia do lançamento, foi eleita a primeira direção nacional da nossa entidade, em meio a representantes de 16 estados brasileiros. Nestes 5 anos, a UNALGBT se tornou um bravo e ousado instrumento de luta contra os machismos, racismos, lgbtfobias, sem tergiversar na defesa da democracia, da soberania e das liberdades individuais e coletivas, graças à coragem e dedicação de militantes que carregam orgulhosamente as cores da nossa luta, nos quatro cantos do Brasil! Viva a UNALGBT!

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Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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