Gays asiáticos querem ser mais vistos pela comunidade e fugir de estereótipos

10
views

Embora o maior objetivo da comunidade seja acolher, casos de discriminação dentro dela não são tão raros como deveriam. Para deixar essas situações claras, em novembro publicamos uma matéria especial sobre a população negra e no mês de janeiro o Dentro Do Meio publicou uma série de reportagens sobre alguns recortes envolvendo pessoas trans, mas ainda há outras minorias que sofrem com estereótipos e invisibilização. Um dos exemplos são asiáticos e orientais.

Mesmo que a Ásia seja o continente mais populoso do mundo, muitas vezes, sejam membros da comunidade LGBTI ou não, pessoas de descendência asiática são reduzidas ao apelido japa ou china e ao estereótipo pejorativo relacionado ao tamanho do órgão genital. Outra coisa que não é incomum e é muito experimentada por negros é um misto de fetichização e rejeição nos aplicativos, que geralmente vem acompanhada do “questão de gosto”.

“É bem comum ouvir ‘Tenho tara em asiáticos’ ou ‘Você é o primeiro japonês que pego’. O contrário também acontece: ‘Não curto orientais’. Eu acredito que exista um limite saudável em sentir uma atração ou fetiche em determinado tipo de corpo. Muitas construções sociais que estamos submetidos influenciam nossos desejos sexuais. O que se torna problemático é quando essas construções nos limitam ou nos prendemos a elas como verdade absoluta”, diz Pedro Kawachi, que é neto de um casal nascido no Japão.

A opinião de que outras etnias também são sexualizadas é compartilhada por Daniel Kim, que é filho de um casal sul coreano. “Na nossa sociedade as pessoas asiáticas são vistas como submissas ou feminilizadas e na maioria das vezes não é isso que homens gays procuram. Daí, quando alguém se interessa por nós, asiáticos, a gente fica na dúvida do porquê daquela atração. Ficamos num limbo se é fetichização dos nossos traços ou se de fato querem nos conhecer mesmo”, complementa.

Representação em filmes adultos

Para explorar o campo do fetiche, o Dentro do Meio fez uma rápida pesquisa em sites adultos para analisar a questão da representação.

Apesar de estarmos praticamente em maio, três das maiores produtoras de filmes adultos nacionais só apresentaram uma produção com um homem asiático e na descrição é possível ler que o ator, que chamado de japa, “deu conta de dois pauzudos”.

Quando a pesquisa pelo termo “asiático” é feita na “parte gay” de sites como XVideos e Pornhub é possível ver orientais sendo ativos quando transam com semelhantes, no caso de relações interraciais, quase sempre são passivos e palavras-chave como “submissão” e “dominação” estão no título.

Nossos dois entrevistados concordam que a imagem vendida por boa parte das produções adultas pode ser excitante, mas passa longe de ser uma verdade absoluta para a maioria dos asiáticos.

Pensando em desejos sexuais, não sei se desconstruir essa imagem seria suficiente, pois se em algum momento o perfil de asiático submisso não tiver mais sentido socialmente, talvez nos apeguemos a outros esteriótipos para criar fantasias”, pontua Pedro.

“Conheço asiaticos que são ativos e ficam super na pressão de ter um pau grande para poder ser ativo”, complementa Daniel.

Falocentrismo e o mito do asiático pequeno

Não é segredo que para muitos tamanho é sim documento. Essa máxima, inclusive, atinge diferentes camadas da comunidade de diferentes formas.

Enquanto muitos homens negros são vistos apenas como um pênis grande, muitos asiáticos são preteridos pela possibilidade de não atenderem as expectativas no quesito tamanho.

Há dezenas de artigos na internet que prometem ranquear países de acordo com o tamanho, mas não há unanimidade entre eles e existe diferença de até 3 centímetros entre um texto e outro.

De acordo com o Instituto de Urologia e Nefrologia (IUN), “um dos maiores estudos já realizados, publicado no British Journal International , com mais de 15 mil homens, de 17 a 91 anos, revelou valores médios de 9,1 cm em estado flácido e 13,12 cm ereto”.

O texto também diz que é considerado normal pênis com tamanho entre 10 e 17 centímetros e apenas 3% da população com pênis estaria abaixo disso. Inferir que todos os asiáticos possuem pênis pequeno, sendo a Ásia o maior continente do mundo, é apenas discriminação.

Vale ressaltar que no Brasil, país com uma enorme miscigenação fica ainda mais evidente que determinar uma média para pessoas com traços orientais é muito mais difícil.

Comentários