Em 2020, a representatividade LGBTI cresce na literatura

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Foto: Ricardo Matsukawa/Tem Q Ter

Assim como houve um aumento de pessoas LGBTI ocupando a política neste ano, podemos dizer que um momento parecido ocorreu na literatura. Esse crescimento, em áreas distintas, tem uma mesma explicação: a necessidade de representatividade. Com a população LGBTI se descobrindo e se aceitando de forma mais ampla, ela passa a buscar referências e aspectos identitários em diferentes universos – e a cultura, aliás, costuma ser uma das primeiras bases de apoio.

Para o youtuber Netto, que mantém o canal Mil Páginas, esse crescimento tem impacto no número de obras escritas por autores LGBTI e gera uma pressão no mercado. “Até mesmo editoras mais tradicionais estão correndo atrás de aumentar o seu catálogo. Elas estão atentas ao mercado e como o público LGBTI quer se ver retratado. Além disso, houve um salto de qualidade nos livros no que se refere a essa temática”.

Esse crescimento também foi identificado pela Amazon Brasil. Procurada, a empresa não soube revelar quantas obras LGBTI há em seu catálogo, mas confirmou um aumento na quantidade de livros e de autores que retratam essa temática. Inclusive, a sua plataforma de publicação de livros digitais, o Kindle Direct Publishing, se tornou uma aliada para autores independentes.

“O mercado de obras voltadas ao público LGBTI está crescendo no país, e a autopublicação pelo KDP é um caminho que permite aos escritores publicarem seus livros de modo fácil, rápido e gratuito. E diversos autores têm alcançado sucesso com seus lançamentos na temática”, detalhou a empresa, em nota. Para incentivar a leitura de obras LGBTI, a Amazon possui uma página especial, onde lista os 100 livros mais vendidos sobre este universo.

Vendas de livros crescem 20% no comparativo com 2019

Segundo dados do Painel de Varejo de Livros no Brasil, realizado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pela Nielsen Book, no comparativo entre os meses de dezembro de 2019 e de 2020, houve um crescimento de 20,5% na quantidade de livros vendidos e de 20,8% no valor movimentado pelo mercado literário neste período.

Netto reforça que, como público, vê esse crescimento em escala. Autores nacionais têm obtido um maior espaço – a maioria pela plataforma de publicação da Amazon –  e há também uma diversidade em formatos, com destaque para obras em mangás. Ele aponta diferentes movimentos no interesse das editoras e no consumo de leitores. “O primeiro deles é, obviamente, a diversidade do catálogo e poder conversar com os mais diversos públicos. O outro é a renovação de editores e profissionais do livro, pessoas que desejam de coração trazer essas obras ao público e fazer com que todas as vozes sejam ouvidas”.

O youtuber conclui que esse movimento de inclusão de obras LGBTI no mercado tem um impacto social. “É muito importante essa representação das mais diversas vozes, pois isso é um fomento para a chegada de novos leitores, que procuram histórias que fujam do casal hétero que não os representam. Além do valor político dessas publicações, de reafirmação que estamos aqui e queremos nos ver em obras que conversem conosco e a nossa realidade”.

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