Acesso ao Hornet cresce 30% durante quarentena

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Fizemos uma rápida pesquisa nas redes sociais para saber se nossos leitores e seguidores ainda estavam usando os aplicativos de encontro durante o período de isolamento social e, no geral, a maioria disse que estava dando um tempo.

+ Pelo menos 6 a cada 10 pessoas já foi alvo de discriminação em apps

O Hornet nos forneceu dados que contestam os resultados das enquetes e mostram um aumento de 30% no engajamento social e uma transformação na maneira de usar o app.

Na média das enquetes feitas no Twitter e no Instagram do Dentro Do Meio, 53% das pessoas disseram que diminuíram o uso de apps de encontro desde que a quarentena começou. Trinta porcento disse que não usa aplicativos e outros 17% respondeu que o uso aumentou.

Além do Hornet, procuramos pelas equipes do Grindr e do Scruff para entender o comportamento dos usuários durante a pandemia e também para descobrir se essas plataformas fizeram alguma ação para reforçar o que a Organização Mundial da Saúde vem pedindo desde que tudo isso começou: que as pessoas fiquem em casa, preferencialmente sozinhas.

Mudança de comportamento

Das três empresas, apenas o Hornet compartilhou alguns dados de acessos com a nossa reportagem. De acordo com Christof Wittig, CEO e fundador da empresa, o comportamento dos usuários dentro da plataforma vem mudando desde antes da pandemia do coronavírus.

Para ele, as pessoas já enxergavam no app muito mais do que um espaço para conhecer pessoas para um encontro. Na verdade, os usuários acessam a plataforma porque veem um ambiente seguro para se relacionar e expressar quem realmente são.

“Existe uma confusão de que todos os aplicativos gays são aplicativos de namoro e isso não é verdade. A comunidade gay, seja ela offline ou, graças ao Hornet, cada vez mais online, é muito maior do que apenas encontros sexuais”, esclareceu Witting ao deixar claro que não considera mais a plataforma como um mero “aplicativo para encontros”, explicou Wittig ao Dentro Do Meio.

Embora o engajamento social, isso é, as postagens com fotos na timeline do Hornet, tenha crescido 30% durante a quarentena, a plataforma observou uma queda de 15% dentre os perfis que tem um perfil de “caça”, apenas pulando de um perfil para outro.

Hornet e Scruff orientam pessoas a não se encontrarem pessoalmente

Sobre o próprio papel dentro dessa pandemia, o Hornet e o Scruff adotaram a postura de incentivar apenas encontros virtuais para combater a solidão causada pelo isolamento social. O Scruff fez, inclusive, mudanças dentro do app.

“Dentro do app também temos a função eventos, que foi totalmente substituída por indicação de eventos virtuais. Não temos controle sobre as pessoas, mas tentamos ser educativos e geradores de conteúdo para o nosso público” disse Octavio Maringoni, um dos responsáveis por administrar as redes sociais e notificações do app no Brasil.

Por falar em notificações, Maringoni também enfatizou que o Scruff tem usado essa ferramenta para lembrar as pessoas de lavarem as mãos, ficarem em casa e usarem máscaras durante o período de quarentena.

Já o Hornet criou uma campanha especial batizada de #GreatGayStayIn, algo como #GayEspertaFicaEmCasa em livre tradução. A princípio, a empresa usou os influenciadores da marca para incentivar que outros usuários compartilhassem suas novas rotinas em casa.

Mais tarde, em 23 de abril, a plataforma organizou o GreatGayStayIn Extravaganza, uma espécie de festival on-line que contou com exercícios, culinária, debates sobre sexo e DJ’s convidados na programação (Você pode ver e rever o festival aqui).

“Diferente da maioria dos outros aplicativos, os aspectos da nossa comunidade foram primordiais antes do COVID-19 e ainda mais fortalecidos depois da crise, quando as pessoas estão fisicamente afastadas e precisando de muito mais apoio social. O Hornet preencheu o vazio deixado por bares e eventos gays quando as pessoas foram obrigadas a se isolar”, argumentou Wittig.

O Grindr não respondeu as tentativas de contato da nossa equipe até a publicação desta matéria.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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