51% dos LGBTs já sofreu discriminação no trabalho

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Conforme mostramos neste vídeo, a comunidade LGBT brasileira conquistou muitos direitos nos últimos anos. Mas esses direitos tem contribuído para uma sociedade menos discriminatória? Bem, pelo menos nas empresas, tudo indica que não.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Dentro Do Meio, 51% dos entrevistados já sofreu discriminação, seja ela velada ou explícita, durante a vida profissional. Outros 17,6 % não foram vítimas, mas conhecem alguém que já.

Cada vez mais marcas têm mostrado as cores LGBT durante o mês de junho, mas nem sempre existe, de fato, uma ação dentro das empresas para debater e conscientizar os funcionários sobre a diversidade. Um grupo de motoristas da plataforma Uber escancarou isso durante o carnaval de 2020.

No resultado da nossa pesquisa há outra prova da falta de empenho nos debates e integração de funcionários LGBT nas empresas. Apenas 20,1% dos entrevistados respondeu que trabalha num lugar que possui um grupo ou realiza ações específicas para pessoas da comunidade.

Amparo aos funcionários precisa ficar mais claro

Quando perguntados se sentem que teriam apoio da empresa no caso de uma discriminação no trabalho, os números ficaram próximos. Enquanto 49,6% disse que sim, 43,8% respondeu que não (sendo que 15,2% tem certeza que não teria e 28,6% disse não ter certeza).

Como em muitos casos não existem grupos, integração ou pessoas LGBT em cargos de liderança, discriminação e outras pautas dificilmente são debatidas abertamente nas empresas e acabam passando desapercebidas nas correrias corporativas do dia a dia.

Empresas de consultoria nasceram para tapar esse buraco causado pela rotina que engole temas importantes com a LGBTfobia nas corporações, especialmente as maiores. Mais Diversidade, iigual Inclusão e Diversidade e Diversidade & Talentos são alguns exemplos

O medo de se assumir no trabalho

Nossa pesquisa também abordou o receio que alguns tem de ser assumir no trabalho. Embora a imensa maioria (70,9%) fale abertamente sobre a sexualidade em todos ou na maior parte dos empregos, existe uma parcela (29,1%) que não se sinta a vontade para falar disso.

Os motivos? Bem, para 68,1% é o medo de ser rejeitado, discriminado ou não conseguir ser promovido se souberem da orientação sexual. Mais uma vez os números mostram a importância de ações muito mais específicas do que colocar as cores do arco-íris no logo da marca durante alguns dias do mês do orgulho.

Outra coisa que reforça esse medo é a falta de uma legislação específica. Não há nenhuma lei clara sobre discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero no trabalho. É verdade que temos uma série de decisões, chamada de jurisprudência, que indicam que a justiça está ao nosso lado, mas sem uma lei específica, nada impede que um juiz não veja problema numa demissão por LGBTfobia.

Aqui, um parentese importante: A equiparação da LGBTfobia ao racismo ajuda e dá um bom norte nas decisões a favor de LGBTs em caso de demissão por discriminação, mas não há nada nas leis trabalhistas, que regem os contratos, falando sobre o assunto. O que temos são as chamadas as doutrinas, isso é, pareceres, artigos e entendimentos de juristas renomados.

A pesquisa foi feita pelo Dentro Do Meio através de um questionário durante o mês de maio de 2020 e contou com 340 respostas de pessoas espalhadas por todo país.

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