5 perguntas para candidatos LGBTI

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Em duas matérias especiais sobre as eleições 2020, já te contamos que este é o ano com mais candidatos LGBTI na história do Brasil, embora estejamos longe do ideal de representatividade política.

Sabemos que muitas vezes, até por falta de espaço, candidatos LGBTI podem ter dificuldades de mostrar suas ideias e, por isso, o Dentro Do Meio está enviando 5 perguntas para que eles tenham chance de mostrar aos eleitores as ideias e ideais deles.

A intenção é que essa matéria seja atualizada até o dia das eleições, portanto, estamos em constante contato com outros candidatos. Se você concorre ou conhece algum candidato que gostaria de ter um pouco mais de espaço, escreva para contato@dentrodomeio.com.br.

Abaixo você confere, na íntegra, as respostas separadas por estados, cidades e em ordem alfabética:

Rio de Janeiro

Vereadores

Rio de Janeiro

Indianarae Siqueira (13.169)
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Estou nas ruas, estou nas quebradas, estou no ar, nesse vídeo maravilhose! E VAMOS ESTAR NA CÂMARA, porque esse mandate será de construção coletive com Amiel, Cristian e Rafaela, e aberto à participação da população. Juntes seremos radicais na solidariedade e na força para abrir caminhos e transformar esse Rio, que tem que ser DE TODES, e não só para alguns poucos. Através da diversidade de nossos corpos, lutaremos por políticas públicas, na saúde, educação, moradia, alimentação, transporte público que garantam DIVERSIDADE e respeito para todes que aqui habitam e que mais precisam de apoio. Vem! Vota pra p(h)oder com a gente. Vem, se envolve, faz 13 169! ✊🏳‍⚧📣🏳️‍🌈 Compartilhe, espalhe e monte com a gente nesse tanque rosa choque para revolucionar e tornar essa cidade mais justa. #indianarae13169 #votepraphoder13169 #Benedita13prefeita #anossasolidariedadeerevolucao13169 #lgbtia+ #vegan #pute #forabolsonaro

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Conhecida especialmente pelo trabalho a frente da Casa Nem, espaço de apoio e acolhimento para pessoas LGBT em situação de vulnerabilidade, Indianarae Siqueira concorre pelo PT.

O que te levou a se candidatar?

A atual conjuntura do país e também a importância de termos pessoas que representem as populações vulneráveis, mas que também tenham a capacidade de suportar esses momentos difíceis de turbulência pelos quais estamos passando, que já tragam essa experiência e na qual a comunidade e os movimentos sociais já confiam. Eles, inclusive, pedem que a gente faça essa disputa para que possamos elevar a voz deles até dentro das câmaras legislativas, das assembleias legislativas, das câmaras municipais e dos parlamentos em geral.

Qual a importância de eleger candidatos LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

É levar essas pessoas para o lugar onde as decisões são tomadas, colocá-las num lugar de poder onde elas podem tomar decisões e votar leis referentes, não só a população LGBTIA+, mas leis inclusivas que melhoraram a sociedade como um todo. Não é uma questão de acreditar que mereço uma das vagas ou não, é uma questão de confiança da comunidade dos movimentos sociais nos quais eu milito e com os quais eu caminho.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições do cargo?

As atribuições de um vereador são, principalmente, fiscalizar o prefeito; votar leis para cidade; vigiar, na questão orçamentária; promover o bem-estar dos cidadãos nas cidades e nos municípios, através de leis, fazer com que leis já votadas sejam cumpridas e trabalhar junto com o prefeito para que cidade melhore cada vez mais. Também fazer propostas e escutar a população. Com certeza, se não escutarmos a população, será outra vez a mesma política antiga de sempre.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

A ampliação de centros de acolhimento e lugares aonde as pessoas possam ser acolhidas respeitando-se a sua identidade as suas orientações LGBTIA+ sem que sejam separadas da sociedade como um todo. Também a reinserção dessas pessoas através de cursos, como a gente já tem a experiência de fazer, a exemplo do Prepara Nem e vários outros que a gente oferece através da Casa Nem, mas principalmente uma acolhida para essas pessoas LGBTIA+ tão afastadas, digamos assim, afastadas da própria família por conta do preconceito, mas também debate amplo na sociedade e nas escolas sobre as diversidades, sobre LGBTIA+ para que possamos ter uma sociedade mais inclusiva no futuro e que as próprias famílias, que hoje rejeitam, possam também ser chamadas para um acolhimento. Porque as famílias também precisam de acolhimento, precisam que alguém conversa com elas e debata a situação com elas, já que elas também não foram ensinadas em nenhum momento que teriam filhos LGBTIA+ e a gente sabe que esse preconceito é estrutural da sociedade.

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

A ideia de conseguir que as propostas sejam ouvidas e trabalhar em conjunto com outras campanhas e outros candidatos para levarmos o máximo de candidaturas de esquerda para câmara e assim teremos um bloco de pessoas que estarão propondo juntos, que estarão se ouvindo, estarão ouvindo as propostas uns dos outros, estarão trabalhando em conjunto para melhorar a sociedade. Então, é nesse momento de campanha ainda, trabalhar em conjunto com outras candidaturas para termos o máximo de candidaturas LGBTIA+, mulheres, candidaturas de pessoas negras e de esquerda no parlamento.

Você pode acompanhar mais propostas e detalhes da campanha de Indianarae Siqueira através do Instagram.

Rio Grande do Sul

Vereadores

Canoas

Ágata Mostardeiro (13.999)

A mestranda de sociologia travou uma batalha na justiça pelo direito de registrar o próprio filho como mãe e agora busca uma chance de representar a população trans em Canoas

O que te levou a se candidatar?

A vontade de estar na luta, de acreditar que devemos ocupar espaços para transformar, bem como a falta de representatividade no município de Canoas. Travei muitas batalhas nos últimos anos(como a questão do registro do meu filho) que só me fizeram querer alcançar novas vitórias.

Qual a importância de eleger um candidato LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

Eleger candidatos LGBTs nessas eleições é uma forma de se impor contra o conservadorismo e colocar representantes que devem pensar em políticas pro comunidade LGBT. É quebrar o cenário atual e colocar uma frente de luta importante.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições do cargo?

A vereadora deve ser a representante direta da população, das suas demandas e comunicação com toda a estrutura política dos municípios. Deve também propor soluções pra essas demandas e dar o retorno dessas soluções. Deve também fiscalizar o fazer politico, denunciar, lutar e não se calar.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

Quero fortalecer o ambulatório T do município assim como fortalecer o acesso a este. Pretendo também trabalhar na geração de renda e qualificação da população lgbT, tentando utilizar o SINE como facilitador de empregos para trans por exemplo.

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

A polarização é um grande desafio, mas acredito que com o fazer de mostrar as demandas, denunciar aqueles que barram os projetos e o diálogo com a população para pressionar os conservadores sejam os caminhos para garantir. É explicar a importância de forma transparente e objetiva e claro, se necessário, fazer todo o barulho e luta que for necessário

Acompanhe Ágata Mostardeiro pelo Facebook, Instagram e Twitter.

Rio Grande do Norte

Vereadores

Santa Cruz

Lara Bianck (50.123)
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Agora começa inicia nossa caminhada em busca de luta por novos desafios por diversas demandas populares tão necessárias no nosso município que ainda tem muito a avançar na construção de uma política pública voltada a toda sociedade Santacruzense a qual o legislativo e o legislador tem esse papel fundamental de cumprir com tal função que lhe foi honrada por votação mas que na maior das vezes muitos fingem desconhecer tais atribuições em busca de melhorias e soluções para o melhor desenvolvimento da cidade, e por este motivo o município de Santa Cruz ainda é muito carente de políticas sociais aos cidadãos que visem respeito e dignidade a nossa população Santacruzense que tanto clama por representantes que lembrem -se de luta diariamente pelo povo sofrido. É justamente para fazer fazer o diferencial nesse cenário político, é que estou como candidata oficial pela disputa ao cargo de Vereadora na cidade de Santa Cruz/RN como Lara Bianck pelo partido PSOL 50123. E por este motivo quero contar com o apoio de cada um(a) de vcs votando no 50123.

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O nome de Lara Bianck já é bem conhecido no município de Santa Cruz por conta do trabalho a frente da ONG Atreva-se, agora, filiada ao PSOL, ela tenta uma cadeira na câmara municipal da cidade.

O que te levou a se candidatar?

A necessidade de representatividade e de levar adiante as diversas pautas sociais e demandas populares da sociedade. Porque a gente não se sente representado por muitos que estão lá e pouco faz pela população, sobretudo pelo segmento LGBTQIA+. Na maioria das vezes prometem, não fazem e quem sofre é a população e os segmentos sociais do nosso município. Sofremos bastante por não termos representatividade e pessoas comprometidas com as causas sociais. Então, esse foi um dos motivos que me levaram a me candidatar a vereadora.

Qual a importância de eleger um candidato LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

É importante termos nossos representantes ocupando espaços de poder, seja no legislativo, seja no executivo ou em outros diversos setores públicos, privados e, sobretudo, na política porque é na política onde se constroem as importantes pautas e onde se constroem as políticas públicas voltadas para o segmento LGBTQIA+. Se nós não tivermos nosso representantes como protagonistas, ocupando os espaços, nós não vamos conseguir avançar politicamente. Eu mereço uma dessas vagas justamente por acreditar que precisamos ocupar esses espaços por ser essa pessoa representativa no município, que luta, briga e corre atrás pelos direitos LGBTQIA+, pelos direitos das minorias e pelos direitos da população em geral. Eu acredito que mereço porque tenho esse espírito de luta, porque tenho toda essa disponibilidade, essa coragem de enfrentar os desafios, obstáculos e correr atrás dos nossos objetivos para que a gente possa conseguir alcançar êxito nas nossas tão sonhadas políticas públicas.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições do cargo?

No meu entendimento, legislar, ou seja trabalhar em prol do povo da comunidade,  fiscalizar as ações que o poder público realiza e desenvolve, fiscalizar os recursos públicos para saber como estão sendo aplicados e se aproximar mais da comunidade e do povo para desenvolver ações sociais para com a comunidade e prestar serviços à comunidade.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

Nós precisamos de qualificações profissionais na área da saúde que possam atender o segmento LGBTQIA+ de uma forma humanizada nos serviços de saúde.  Nós precisamos de uma educação inclusiva e de qualidade que possa garantir o acesso e a permanência dos LGBTs no âmbito escolar. Precisamos de centros de referências que possam acolher e atender as pessoas LGBTs diante das necessidades e diversos acontecimentos. Assim como também necessitamos de mais ações sociais voltadas à comunidade LGBT como casas de acolhimento para pessoas que são abandonados pela família, que são expulsos de casa, que são violentadas… essas são as principais propostas LGBT que pretendo priorizar e batalhar por elas.

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

Eu acho que torna público as ações, tornar público o que a câmara vem discutindo, trabalhar em conjunto com a população e incentivar que a população participe das discussões e das ações que são realizadas pelo legislativo. Estar próxima da comunidade e levar essas discussões para os bairros para as comunidades. É isso que eu pretendo, facilitar para que as minhas propostas sejam mais ouvidas e estejam próximas do povo, próximas da população e próxima da comunidade que tem menos acesso às informações.

Para ficar por dentro de mais propostas e projetos da candidata, basta acompanhá-la no Instagram e no Facebook.

São Paulo

Vereadores

Itu

Felipe Cavalheiro (23.023)

Felipe Cavalheiro diz estar em busca de um espaço para mudar o que está além do alcance como cidadão. As propostas para a comunidade incluem a população trans e diversidade religiosa, confira:

O que te levou a se candidatar?

O que me trouxe para a política foi a frustração de não conseguir mudar as coisas que estavam fora do meu alcance.

Qual a importância de eleger um candidato LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

Nossa representatividade ainda é baixa, mas muito necessária para que haja políticas públicas voltadas para nossa comunidade. Eu estou preparado para assumir uma cadeira, tenho apoio de deputados da esferas estaduais e federais do meu partido o que irá me auxiliar na melhor execução dos meus projetos.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições cargo?

Fiscalizar o executivo, ser um representante ativo da população e auxiliar na elaboração de políticas públicas para o melhor desenvolvimento do seu município.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

Promover a Diversidade Religiosa através de incentivos à promoção e realização de eventos de matrizes africanas.

Irei propor a criação de um Conselho afim de debater políticas públicas e proporcionar atendimento psicológico para a população LGBTQIA+.

Criar um local que garanta a dignidade e o fim do desconforto para o público transexual que deseje mudar seu nome.

Elaboração de um Centro de Integração através de parcerias para que incluam as mulheres e os homens transexuais no mercado de trabalho.

Buscar parcerias afim de viabilizar uma clínica de saúde de saúde sexual especializada para a população LGBTQIA+.

Incentivar a criação de times esportivos municipais LGBTQIA+ em diferentes modalidades.

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

Tudo é uma questão de articulação política, para desenvolver um bom trabalho como vereador é preciso ter boa comunicação com o executivo municipal.

O melhor lugar para acompanhar propostas e projetos de Cavalheiro é através do Facebook.

Presidente Prudente

Ferks Guaré (23.777)

Conhecida por seu trabalho com música, Ferks acredita que já passou da hora para levar mais representatividade para câmara de PP. Ela espera que, se eleita, a cidade deixe de lembrar da comunidade apenas no mês do orgulho

O que te levou a se candidatar?

A falta de representatividade nos poderes públicos aqui na minha cidade. Representatividade jovem, mulher, LGBTQI+… Aqui quase não existe.

Qual a importância de eleger um candidato LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

Acredito que pela câmara ser o canal da população com o governo da cidade, tem que ter representantes de todas as comunidades! E nós LGBTQI+ temos que estar inseridos nela também! Eu acredito merecer a vaga, por ter estudado as gestões anteriores da câmara e ver que dá pra se fazer muito mais!!! Que dá pra se executar os projetos, mais por boa vontade do que qualquer outra coisa. Aqui, a maioria dos políticos fazem tudo por marketing pessoal e não pra ajudar a população de fato, e eu não agirei desta forma.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições cargo?

3 – Para mim o vereador tem que pegar o diagnóstico da cidade com a população, depois de ter feito isso, pleitear melhorias com propostas de leis frente ao poder executivo. Paralelamente, é de suma importância a fiscalização de perto do executivo enquanto prefeitura e secretarias. Além de articular caminhos para maior arrecadação de verbas para os projetos públicos da cidade.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

Aqui na minha cidade, a comunidade LGBTQI+ é lembrada apenas em julho na parada LGBT. Algumas pessoas ainda falam em junho no dia do orgulho gay… e mais algumas no dia da visibilidade lésbica. Eu acredito numa gestão em que lembremos da comunidade LGBTQI+ como uma constância e nessas datas comemorativas demos ênfase, e não deixar esquecido e lembrar apenas nesses meses. Quanto mais falamos de um assunto, mas esse assunto se torna natural e é desta forma que eu quero lidar na câmara. Além da tríade que eu acho de suma importância, que seria a saúde, assistência jurídica e assistência psicológica voltada para a comunidade LGBTQI+. Ainda temos profissionais da saúde que não estão preparados para atender TRANS, Lésbicas e isso precisa ser pontuado.

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

Eu tenho minha opinião sobre a política nacional bem clara. Porém, se eu me tornar representante da população, acredito que eu tenha que representar o todo, obviamente não fugindo da minha ideologia politica. Minha vida toda sempre tive respeito de ambos os lados e na campanha não está sendo diferente. Felizmente até agora tenho ouvido boas sugestões e apoio, tanto de direita quanto de esquerda. Vou trabalhar para que esse cenário me acompanhe ao longo dessa trajetória.

Acompanha a corrida eleitoral de Ferks pelo site oficial e pelo Instagram

Ribeirão Preto

Bancada [R]existir (65.123)

Nas urnas, Frances Júnior aparece representando a primeira candidatura LGBT coletiva de Ribeirão Preto pelo PCdoB, mas a estudante universitária Ana Carolina J. Martin também compõe a Bancada [R]existir.

O que te levou a se candidatar?

Nós da Bancada [R]existir sempre sonhamos com uma Ribeirão Preto mais justa, humana e democrática. Entendemos que este também é o desejo de todos os ribeirãopretanos. Realizar esse sonho, porém, depende de um trabalho intenso, conjunto e contínuo da administração pública. E, graças à confiança que o povo de Ribeirão depositou em nós, podemos traçar o caminho para a concretização da cidade dos nossos sonhos. O nosso cuidado com Ribeirão se reflete no zelo com a cidade, na ampliação da prestação de serviços de qualidade e no olhar atento às pessoas.

Continuamos sonhando, diariamente, com uma cidade cada vez melhor e com mais qualidade de vida para o nosso povo. Por isso, decidimos nos candidatar a vereança em uma bancada coletiva, nossa intenção é procurar, a cada dia, transformar planos, programas, projetos e ideias em ações, por meio de políticas públicas formuladas com a ajuda do cidadão Ribeirãopretano. Para tanto, entendemos ser essencial o fortalecimento dos laços que nos unem, o aumento da confiança das pessoas na nossa candidatura e a efetiva participação da juventude na realização desse sonho que é nosso.

Qual a importância de eleger um candidato LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

Cidades que contam com centros de referência da diversidade – aparelhos municipais que visam à proteção e geração de oportunidades para cidadãos LGBT+ – recebem emendas diretamente dos vereadores. Ou seja, esses centros podem receber verbas para a realização de projetos que buscam o bem-estar da comunidade LGBT+ daquele município.

Essa não é a realidade de todo o País. A grande maioria das cidades brasileiras não possui nenhum tipo de órgão, secretaria ou coordenadoria voltada ao desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a causa LGBT+. A boa notícia é que esse fato pode ser revertido no momento em que votamos em vereadores LGBT+. Eleitos, eles têm o poder de criar condições para que esses equipamentos sejam desenvolvidos no município.

Outra importância de eleger vereadores LGBT+ é a possibilidade de afinar leis que venham do âmbito federal – tanto as aprovadas pelo Congresso Nacional quanto as que venham das assembleias estaduais. Leis aprovadas nessas duas esferas que coloquem a comunidade LGBT+ em risco podem ser barradas e revertidas nos perímetros municipais.

Nós da Bancada [R]existir merecemos uma das 22 vagas na câmara municipal porque pautamos nossas propostas, ideias e projetos em dados. Não estamos brincando de legislar e nem queremos fazer das cadeiras da câmara uma profissão, queremos fazer mudanças significativas em Ribeirão Preto. Muitos irão falar da nossa pouca idade ou da nossa pouca experiência, mas nada disso vai tirar o real foco das propostas fundadas e reais que nós temos para a nossa cidade. Convidamos você a participar da nossa campanha, para que possamos, juntos, ampliar o desenvolvimento da nossa cidade. Este convite expressa o nosso respeito, o nosso compromisso e o nosso amor por Ribeirão e pelo nosso povo. Como em toda a nossa trajetória nos movimentos estudantis e sociais, não construímos sozinhos a nossa proposta de diversidade e inovação. Nós escutamos a população em nossas andanças e caminhadas pelos bairros de Ribeirão, discutimos nas comunidades e, com isso, pudemos entender qual é a Ribeirão Preto dos sonhos de cada um. Portanto, reitero o nosso convite a você. Venha conosco nessa caminhada, transformando o nosso amor por Ribeirão em um elo comum entre nós e em um instrumento de construção de uma cidade mais democrática, ambientalmente saudável, inclusiva, diversa e socialmente justa.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições do cargo?

O vereador costuma ser muito cobrado no atendimento dos anseios e necessidades dos munícipes que, quase sempre, são problemas relacionados à competência do Poder Executivo. Mas é necessário que a população esteja ciente das reais possibilidades e responsabilidades de um vereador. Ele não dispõe de um Orçamento para gastar (como o prefeito), nem pode aumentar despesas para a prefeitura ou tomar uma providência que seja prerrogativa legal do prefeito.

O poder que um vereador possui, portanto, não está diretamente relacionado à execução de uma obra, seja esta uma simples troca da lâmpada de um poste ou a construção de uma escola. Este poder é indireto, pois ele pode apresentar uma emenda à Lei Orçamentária, sujeita à votação, ou por meio de uma indicação ou requerimento enviado ao prefeito. Através destes instrumentos, o vereador poderá solicitar a realização de uma obra, mas sempre dependerá da ação do Poder Executivo.

Ele tem quatro principais atribuições: representar (os eleitores e a comunidade), legislar (em defesa do bem comum), fiscalizar (a aplicação do dinheiro público) e assessorar (encaminhamento de indicações ao prefeito e secretários municipais). O vereador fala em nome da população, do partido político que representa e de movimentos organizados, devendo realizar seminários, debates e audiências públicas como meios de ouvir e de permitir que sejam ouvidos os interesses da comunidade em geral.

Cabe a ele/ela fiscalizar os atos do prefeito na administração municipal, principalmente no tocante ao cumprimento da lei e da boa aplicação e gestão dos recursos públicos. A fiscalização acontece também por meio de análises do Plano Diretor e da atuação das comissões especiais com os objetivos de discutir e aprovar o orçamento anual – a Lei de Diretrizes Orçamentárias – que define onde e como aplicar o orçamento do município.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

Acreditamos que todas as nossas propostas para o movimento LGBTQIAP+ é principalmente na conjuntura em que vive o nosso país e a nossa cidade. Nossas propostas são:

PROPOSTAS PELA PROMOÇÃO DA CIDADANIA E DOS DIREITOS LGBTI+

Organizar mandados populares abertos a toda comunidade LGBTI+, que tenham como regra uma política de empatia, não apenas antiLGBTfóbica, mas também antimachista e antirracista.

Integrar ou promover esforços para instituir a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBTI+.

Integrar ou promover esforços para instituir a Frente Parlamentar em HIV/Aids.

Integrar ou promover esforços para instituir outras Frentes Parlamentares por Políticas Sociais e por Direitos Humanos.

Promover esforços para aprovar projetos de lei de garantia, defesa, promoção e proteção da cidadania e dos direitos humanos de LGBTI+ apresentados pelo Executivo, em razão de competência, como:

Proibição e penalização administrativa da discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero praticada por agentes públicos ou privados.

Utilização do nome social de travestis e transexuais por todos os órgãos da administração pública municipal direta e indireta.

Apresentar ou promover esforços para aprovar projetos de lei ou outras proposições a favor da garantia, defesa, promoção e proteção da cidadania e dos direitos humanos de pessoas LGBTI+, como:

Revisão do estatuto dos servidores públicos, criando a isonomia de direitos entre servidores heterossexuais e LGBTI+.

Instituição de datas comemorativas alusivas à promoção da cidadania LGBTI+:

● 29 de janeiro, dia da visibilidade de pessoas trans

● 17 de maio, dia de enfrentamento à LGBTIfobia

● 28 de junho, dia do orgulho LGBTI+

● 29 de agosto, dia da visibilidade das lésbicas

● 23 de setembro, dia da visibilidade de bissexuais

● 26 de outubro. dia da visibilidade intersexo

● 20 de novembro. dia internacional da lembrança trans

Reconhecimento de ativistas e militantes LGBTI+ (vivos(as) e falecidos(as), através da concessão de títulos de cidadão/ã honorário/a e nomes de logradouros.

Votar contra projetos de lei que ferem, propositadamente ou não, a igualdade de direitos da população LGBTI+, garantida pela Constituição Federal.

Garantir no PPA, LDO e LOA recursos financeiros para execução de ações, programas e projetos de promoção da cidadania e dos direitos de LGBTI+.

Defender a educação pública de qualidade, pautada nos marcos normativos da Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Zelar pela defesa do Estado Laico.

EMPRESA AMIGA DA DIVERSIDADE

Este projeto irá conferir o Selo empresa amiga da diversidade às organizações que valorizem a comunidade LGBTI+, principalmente as pessoas trans. Com a criação do Selo Empresa Amiga da Diversidade nós queremos incentivar as empresas ribeirãopretanas a promoverem ações de valorização da população LGBT+ e o enfrentamento da desigualdade no ambiente de trabalho. Será criada uma comissão na câmara, composta por dez membros indicados pelo Conselho Municipal de Atenção a Diversidade Sexual e Gênero. As empresas que se destacarem em promoção, acompanhamento e em dar as melhores condições de trabalho a diversidade ribeirãopretana serão premiadas com um selo. Uma comissão visitará ‘in loco’, verá as condições de trabalho das pessoas e as empresas que tiverem uma atenção especial com a diversidade será contemplada com o selo.

Para ser premiada com o Selo Empresa Amiga da Diversidade, a empresa, vai precisar desenvolver ações que valorizem a diversidade, a exemplo da implantação de políticas antidiscriminatórias, de promoção da diversidade e de redução da desigualdade de gênero, e a criação de sistemas de reclamações e recebimento de denúncias para LGBTI’s vítimas de assédio sexual e moral no ambiente de trabalho, entre outros.

CENTRO DE REFERÊNCIA DE ATENDIMENTO HOSPITALAR E AMBULATORIAL PARA AS PESSOAS TRANS

O início da disponibilização deste serviço será um marco na garantia do acesso da população de transexuais e travestis aos serviços de saúde. O CRAHA realizará consultas nas áreas da psiquiatria, endocrinologia, clínica médica, enfermagem, psicologia e serviço social, ginecologia, dermatologia, urologia, proctologia e cirurgia geral, além do acompanhamento clínico e do processo de hormonização de pacientes transexuais.

O processo transexualizador foi instituído no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Portaria nº 1.707 e nº 457 de agosto de 2008, tendo sido posteriormente redefinido e ampliado pela Portaria nº 2.803, de 19 de novembro de 2013, com o objetivo de atender as pessoas que sofrem com a incompatibilidade de gênero, caracterizada pelo não reconhecimento do próprio corpo em relação à identidade de gênero (masculino ou feminino).

A Portaria prevê duas modalidades de habilitação para procedimentos do processo transexualizador: ambulatorial e hospitalar. Na modalidade ambulatorial é ofertado atendimento clínico pré e pós-cirúrgico, além da hormonioterapia. A modalidade hospitalar prevê a realização de procedimentos cirúrgicos e acompanhamento pré e pós-operatório.

A decisão sobre qual o tipo de modalidade é necessária para a população trans de Ribeirão Preto será amplamente discutida por meio de debates e escutas desta população com a Secretaria Municipal de Saúde e o Conselho Municipal de Atenção a Diversidade Sexual e de Gênero.

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

No momento estamos enfrentando não só a polarização política, mas uma pandemia mundial, então as formas tradicionais de fazer campanha não estão acontecendo com muito cuidado, usando máscara e álcool gel. Nós, por sermos jovens, estamos usando as redes sociais a nosso favor, para nos conectarmos com diversos grupos e pessoas para quem direcionamos nossas propostas, estamos contando também com a ajuda de amigos e apoiadores para a divulgação das mesmas.

Você pode acompanhar a Bancada [R]existir no Facebook e no Instagram.

São Paulo

Erika Hilton (50.700)

O nome de Erika Hilton não é uma surpresa para os paulistanos. Ativista, ela foi co-deputada da Bancada Ativista e agora concorre a uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo. Conheça mais da candidata.

O que te levou a se candidatar ?

A minha experiência enquanto co-deputada que me mostrou que os instrumentos políticos legislativos e institucionais são muito importantes e fundamentais para que a gente possa construir uma sociedade democrática, participativa, diversa e conduzida a partir da perspectiva de nós do movimento LGBTQIA+. A minha história, a minha bagagem de vida, minha experiência como co-deputada e a necessidade de ampliação do projeto que eu comecei na Bancada Ativista me fizeram escolher estar candidata agora nas eleições de 2020. E também barrar bolsonarismo, vocalizar as nossas falas dentro da câmara municipal da maior cidade da América Latina… esse conjunto de coisas que me fizeram estar candidata a vereadora no ano de 2020.

Qual a importância de eleger um candidato LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

Porque cada vez mais o retrocesso, a retirada de direitos, o fascismo e a LGBTfobia vem avançando contra os nossos corpos e faltam representantes comprometidos, com bagagens e vivências suficientes para defender e fazer a manutenção dos nossos direitos. Então, é fundamental que hajam LGBTs em espaços de poderes para que nós possamos romper com as barreiras do anonimato, da marginalidade, da violação, das violências estruturais e estruturantes da nossa sociedade, dos preconceitos, dos estigmas, dos estereótipos e que, a partir das nossas próprias lentes, sejamos capazes de formular políticas públicas que nos deem um resgate da humanidade, que nos dê o direito pleno da cidadania e que nós possamos vencer a democracia. Então, é imprescindível a eleição de candidaturas comprometidas com o direito humano, com a vida e com um projeto político humanizador para a comunidade LGBTQIA+.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições do cargo?

As principais atribuições de um vereador é fazer, entre aspas, a zeladoria da cidade, apresentar projetos de leis, construir políticas públicas e fiscalizar prefeito vice-prefeito e secretários.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

Quando se refere a comunidade LGBTQIA+ da cidade de São Paulo o problema é muito mais embaixo. É uma cidade imensa, complexa com LGBTQIA+ vindos de várias outras cidades, de vários outros estados e com realidades muito distintas que vivem aqui nesta cidade. Então, não daria para dizer um principal tendo em vista que a gente tem muitos projetos e que as necessidades são muitas, urgentes e todas são necessidades e não precisam de respostas prontas. Claro que a gente não tem tempo hábil para dar essas respostas de imediato, então, uma das primeiras coisas que a gente quer chegar na Câmara Municipal fazendo é fortalecendo, endossando, fomentando e incentivando o programa Transcidadania para recolocar as transexuais e travestis, as pessoas transvestigeneres nas escolas, no mercado formal de trabalho, no ensino técnico e aí, depois, ir pensando na atuação da cultura, da educação e do serviço social para abranger atender toda a comunidade LGBTQIA+.

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

Essa polarização que se colocou no Brasil realmente dificulta muito, mas eu acho que ela também já faz com que quem esteja do lado certo da história, da democracia, dos Direitos Humanos, das camadas mais oprimidas e baixas dessa pirâmide social abram os ouvidos para os projetos que estão sendo propostos nessas eleições. Então, eu acredito que essa polarização também ajude as pessoas a estarem mais atentas ao que está acontecendo. Para além disso, eu acho que a internet, as panfletagens, os meios de comunicação como sites, perfis, telejornais, enfim, tudo que a gente possa se utilizar. As ferramentas de comunicação que a gente possa utilizar são importantíssimas e fundamentais para que nós consigamos ampliar os nossos projetos, a nossa voz e alcançar cada vez mais pessoas. Então, eu acho que ter a parceria de canais do YouTube, podcasts, perfis no Instagram, mídias independentes e esse anseio mesmo de transformação social são mecanismos e ferramentas fundamentais para a ampliação da pauta do programa e da minha candidatura aqui na cidade de São Paulo.

Acompanhe mais propostas e o andamento da campanha de Erika Hilton pelo site oficial, Instagram e Twitter.

Pedro Melo (23.500)

Mesmo antes das eleições, o nome de Pedro Melo chegou a aparecer nos tópicos mais comentados do twitter. Chegamos a entrevistá-lo, mas na época regras eleitorais o impediam de falar sobre os propostas. Agora, Pedro está livre para responder as 5 perguntas do DdM.

O que te levou a se candidatar?

Nunca me senti representado politicamente e cansei de só reclamar. Decidi agir. Precisamos renovar os quadros e investir na boa política.
Sempre gostei muito de política mas tive o cuidado de me preparar. Fui aluno do RenovaBR, uma escola de formação de novas lideranças políticas.
Com isso, consegui estruturar uma ideia de campanha, juntar pessoas e propostas em torno da candidatura.
Agora, estou candidato pelo Cidadania. Me sinto pronto para ser um dos representantes LGBT+ na Câmara de São Paulo.

Qual a importância de eleger um candidato LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

Precisamos de representatividade. Não temos nenhuma representatividade na Câmara Municipal. Tenho me preparado para fazer um mandato que construa e faça pelos direitos dos LGBT+, na busca de respeito, igualdade, qualificação e dignidade a todos nós, que não temos acesso pleno em nossa sociedade.
Mereço uma das vagas pois tenho capacidade profissional por aglutinar experiência em áreas como direito, administração e gestão pública. Por fim, tive o cuidado de formar uma equipe diversa que representa toda a comunidade LGBT+ e não apenas o meu recorte como homem cisgênero e homossexual.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições do cargo?

O papel de um vereador é de propor e aprovar leis que impactam diretamente a vida das pessoas na cidade. Também temos o dever de fiscalizar as ações no Poder Executivo, no caso: o prefeito e a prefeitura. Além disso, representar. No meu caso, ser um porta-voz da população LGBT de São Paulo, lutando por leis que tragam mais segurança e igualdade, cobrando ações da Prefeitura para que essa legislação seja realmente cumprida, e promovendo nossa visibilidade e representatividade na Câmara de São Paulo.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

Tenho propostas em diferentes áreas, que vão de segurança a direitos civis, passando por trabalho e assistência social, chegando no esporte e na saúde.
A população LGBT+ não pode sofrer com mais violência. Além da violência urbana nossa sexualidade nos torna alvos de crimes de ódio e intolerância, muitas vezes fatais. Temos que criar políticas para que a Guarda Civil ajude a mudar essa condição.
Também quero que a população trans tenha mais acesso ao trabalho, com a promoção de novas políticas públicas de inclusão e o aprimoramento do programa “Transcidadania”.
Na assistência social, temos que oferecer alternativas para a população LGBT+ de rua e da terceira idade, com a criação de aparelhos de acolhida temporária e permanente.
Para a promoção da saúde, proponho a criação de clínicas de saúde que atendam demandas específicas de LGBT+.
No esporte, o Poder Público deve estimular os coletivos de esporte LBGT+ existentes com a promoção de eventos e a disponibilização de espaços seguros para a prática esportiva.
Enfim, são propostas para melhorar a qualidade de vida da população LGBT+ na cidade de São Paulo, com igualdade de direitos e de oportunidades.

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

A polarização também deixou a população LGBT+ mais consciente da necessidade de representação política. Com a pandemia, meu contato com eleitores de modo presencial está reduzido. Apesar disso, no contato pelas redes sociais, tenho recebido apoio de muita gente por conta das minhas propostas.

Você pode conhecer mais sobre o candidato através do site oficial, do Instagram e do Facebook.

William De Lucca (13.000)
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Ei, psiu! Vote #DeLucca13000 😉✊🌈⠀ ⠀ #AGenteLá

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Candidato pelo Partido dos Trabalhadores, William De Lucca ganhou bastante notoriedade na mídia 2018 quando pediu que a torcida do Palmeiras, seu time do coração, parasse com os gritos homofóbicos. Atualmente busca por uma cadeira na câmara dos vereadores.

O que te levou a se candidatar?

Eu sempre fui muito questionador – desde meus 14, 15 anos – sobre as desigualdades e os problemas sociais. Trabalhei alguns anos na administração pública, sempre como jornalista. Em 2015, me mudei para São Paulo e comecei a trabalhar no Sindicato dos Bancários, contribuindo na luta dos bancários pelos direitos dos trabalhadores. Fui um dos fundadores do coletivo Palmeiras Livre, de torcedores pela diversidade – chegue a ser ameaçado de morte repetidas vezes por conta da minha luta contra homofobia no estádio. Me filiei ao PT em 2018, pelas mãos do presidente Lula dias antes de sua prisão. Então foi um caminho natural: canalizar este acúmulo de militância que eu tive ao longo da minha vida para ocupar um espaço na Câmara de Vereadores.

Qual a importância de eleger um candidato LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

Em primeiro lugar, não basta apenas ser LGBT; é necessário que essa pessoa LGBT efetivamente abrace as demandas desta nossa comunidade e entenda toda a complexidade e pluralidade que lhe é inerente. Ao longo da construção desta candidatura, tivemos conversas com pessoas trans, com LGBTs negros e negras, mulheres bissexuais e lésbicas… Mesmo sendo um homem branco de classe média, procurei traçar diálogos com o maior número possível de setores para trazer propostas condizentes com a complexidade que a cidade de São Paulo apresenta.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições do cargo?

Além da função óbvia de propor, votar e aprovar leis, tem também a de fiscalizar o executivo e o uso do dinheiro público. Ou seja, votar o orçamento da cidade, decidir como o dinheiro da cidade vai ser investido. A lei orçamentária anual é proposta pela Prefeitura, mas é a Câmara que discute e aprova. Acho inclusive que a cidade tinha que parar durante a votação do orçamento, porque é o momento mais importante do ano! Teria que ser feita uma discussão profunda com as pessoas sobre as prioridades onde os recursos públicos vão ser usados. O PT tem uma tradição de orçamentos participativos, e a gente precisa retomar essa tradição na cidade de São Paulo, trazendo as pessoas para discutir quais são as prioridades para a cidade. Outra função importante é a de promover os debates públicos. Não é só aprovar projetos, mas também os assuntos que você pauta na cidade. O vereador tem espaço de voz para falar pelas pessoas que o elegeram para pautar temas importantes para toda sociedade. Ainda que não prove um projeto de lei, lança uma luz sobre essa discussão na sociedade.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

Retomar o programa Transcidadania – um programa incrível de capacitação, emprego, renda e dignidade para travestis e transexuais criado pela gestão Haddad e desmontado pelos sucessores. Empregabilidade e capacitação de pessoas LGBT será uma das nossas prioridades. Temos também projetos educacionais, pois entendo que não há saída para o fim da violência e da discriminação que não passe pela educação. Neste sentido, vamos propor um programa de capacitação dos profissionais da educação para a diversidade e ampliação do acervo LGBT nas bibliotecas municipais. Vou defender também a criação de abrigos específicos para população LGBT em situação de rua e vulnerabilidade e a reestruturação dos Centros de Cidadania LGBT nas diversas regiões da cidade. E a transformação do Arouche no Bairro LGBT de São Paulo, inspirado no Castro, em São Francisco/Califórnia. Haverá um amplo processo de capacitação da guarda civil para levar, ao local, segurança com respeito aos direitos humanos; incentivo ao comércio local, com eventos culturais e sociais, como uma feira de empreendedores LGBT rolando periodicamente no local. Isso gera renda, segurança e aumenta também o potencial turístico, trazendo dinheiro para a cidade, o que também é muito importante quando se fala em gestão pública.

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

Sempre houve um componente de silenciamento, não só com LGBTs, mas também com mulheres, negros, imigrantes, pessoas com deficiência… Nossas pautas, não raro, são tratadas como “mimimi”, ou como “isso não é prioridade”. A gente tem conseguido rever o jogo, furando esse bloqueio através das redes sociais, e amplificar nosso alcance com apoio uns dos outros. Por isso sempre insisto que o nosso é um projeto colaborativo: as pessoas trazem propostas, elaboramos juntos, e cada um leva estas proposições mais específicas para suas áreas de atuação. Assim conseguimos essa capilaridade e fazemos uma candidatura mais de unidade.

Você pode acompanhar o William De Lucca no Twitter, no Instagram, no Facebook e no YouTube.

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Agatha Souza (23.013)
Publicado por Agatha Souza Souza Souza em Quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Na corrida eleitoral pelo Cidadania, a candidata Agatha Souza tem uma estratégia focada nas redes sociais para conseguir colocar uma pessoa trans na câmara.

O que te levou a se candidatar?

O que me fez ser candidata foi a força de querer mostra o que uma mulher trans pode fazer diante da sociedade, transferindo o pensamento de que ser mulher trans não são servas, escravas ou objeto. Quero que nos olhem para além do objetivo sexual ou de marginalização.

Qual a importância de eleger um candidato LGBT nessas eleições e por que você acredita que merece uma das vagas?

A importância é a mesma para qualquer candidato, a colocação de criar métodos para a sociedade ver seus projetos com respeito e dignidade.
Eu vejo o meu lugar numa câmara por lutar há mais de 20 anos, fazendo cultura e educação, gerando oportunidade de empregos, criando e educando outros seres humanos . Por isso vejo que meu lugar é político de um corpo político diante da sociedade brasileira.

No seu entendimento, quais são as três principais atribuições cargo?

Fiscalizar, criar e lutar para o povo ter oportunidade de vida melhor.

Quais são suas principais propostas no que se refere à comunidade LGBT?

A casa transcidadania, humanização e ação nas comunidades e povoados, capacitação para empregos, casa da cultura e ambulatório trans

Com a polarização política atual, como conseguir que suas propostas sejam ouvidas?

Redes sociais, Facebook, Instagram e Zapi

Acompanhe Agatha através do Facebook.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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