3 vezes que o POPline errou com a comunidade LGBT

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A noite da última terça-feira (15) foi marcada pelo puxão de orelha que a cantora Danny Bond deu no POPline, ao menos no twitter, onde o assunto atingiu picos nos trending topics. Mas engana-se quem acredita que essa é a primeira vez que o portal, fundado por um homem gay, se envolve em alguma espécie de confusão com a comunidade LGBTI.

Em menos de um ano, essa é a terceira vez que POPline apaga a divulgação, reescreve uma matéria ou faz outro texto após ter o nome relacionado a alguma polêmica, seja ela falta de representatividade ou apagamento de uma pessoa trans para conseguir mais alcance. Abaixo listamos os casos, do mais recente para o mais antigo.

Isso é Danny Bond

Como mencionado no início desta matéria, Danny Bond dedicou algumas horas da noite de terça para dar um chacoalhão na equipe do POPline. A cantora não gostou de ver uma postagem sobre o filho do presidente Bolsonaro e acusou o portal de ignorar lançamentos dela e de outros artistas LGBTI.

Quando o tuíte e o texto do site começou a repercutir de forma negativa, ambos foram tirados no ar, mas como estamos em 2021, nada some definitivamente da internet. Abaixo você confere um print do começo da confusão que durou ao menos até as 0h desta quarta (16).

Após apagar a postagem, o site tentou colocar panos quentes na situação e disse que estava entrando em contato com a cantora para esclarecer os problemas na “falha de comunicação”, mas Bond respondeu a postagem dizendo que se havia alguma falha, essa seria de noção, já que tanto a equipe dela quanto a de Thiago Pantaleão, artista que Danny divulgou uma parceria recente, foram ignoradas pelo POPline.

Dez minutos antes de encerrar a terça, o perfil do site, que já estava apresentando uma movimentação atípica para o horário, fez mais uma postagem para tentar colocar um ponto final na história. Dessa vez publicaram a imagem de um comunicado justificando que em outras oportunidades tentou contato com Danny para alguma publicação, mas não teve retorno.

Eles também explicaram que há uma matéria gravada com ela que já tem data para ser divulgada, mas que a pandemia acabou atrasando alguns planos e que só excluíram a postagem sobre o filho de Bolsonaro por acreditarem que não faz parte da linha editorial. Leia na integra.

Falta de diversidade em matéria com homens gays

Em março deste ano, uma matéria sobre a recepção de artistas gays no mercado musical causou uma repercussão diferentes do que esperava a equipe do site. A intenção parecia ser denunciar a falta de apoio, fosse de fãs mais engajados ou a pressão para continuar no armário em troca de reconhecimento. Mas o que realmente chamou atenção foi a ausência de homens negros dentre os seis cantores entrevistados.

A ausência de artistas não-brancos foi sentida de tal forma que vários influenciadores negros fizeram críticas sobre o tema. Outros leitores ridicularizaram o texto escrevendo coisas como “pobre gays brancos”, “só tem padrão”, dentre outros comentários que evidenciavam a falta de negros.

Embora o caso tenha ocorrido antes do primeiro que mostramos, aqui começamos a ver um padrão. O pedido de desculpas publicado nas redes volta a mencionar os 15 anos de existência, falar sobre a linha editorial e garantir que dá sim visibilidade para minorias. Horas após a publicação da matéria original, o POPline publicou uma segunda matéria para que os leitores tivessem a oportunidade de “conhecer, ouvir e prestigiar uma série de cantores gays pretos do Brasil”.

Apesar da tentativa, o portal continuou sendo criticado por não buscar entrevistar os artistas negros como fez com os brancos do texto anterior e foi acusado de escrever a nova matérias as pressas apenas para abafar a repercussão negativa causada pela falta de representatividade.

Apagamento trans

Em julho do ano passado o site foi acusado de transfobia ao ocultar de forma intencional a imagem e o nome de Arca. Alguns tentaram argumentar que o POPline estava usando clickbait para alavancar os acessos, mas dessa vez o que rolou foi a exclusão da postagem original sem nenhum tipo de pedido de desculpas ou tentativa de justificar o fato.

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Comentários

Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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