3 vezes que JK Rowling foi transfóbica

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Os fãs da saga Harry Potter estão desolados depois que, pela terceira vez em três anos consecutivos, a autora JK Rowling deu claros sinais de que despreza a existência de pessoas trans. Se estivéssemos no universo hétero do futebol, ela já poderia pedir uma música no fantástico.

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Famosa por criar um universo supostamente diverso e marcar toda uma geração, a transfobia de JK Rowling tem conseguido mais destaque do que os últimos filmes do universo mágico que ela insiste em espremer para continuar relevante – mesmo que o último filme tenha sido um fracasso comparado aos demais.

Reuni as três últimas situações que causou comoção nas redes sociais e compram que JK Rowling é transfóbica.

Likes em comentários transfóbicos (2018 e 2020)

A primeira situação que levou o nome de JK aos trending topics do Twitter por conta de transfobia aconteceu em 2018. Na época, a conta da autora no microblog (alguém ainda chama o twitter assim?) começou a distribuir likes em postagens que atacavam pessoas trans.

“Em meu primeiro encontro do Partido Trabalhista, homens chamaram minha atenção após eu pedir que retirassem a página 3 do calendário. Me pediram para ser mais dura, barulhenta, forte e independente. Eu não costumo me sentir apoiada. Homens de vestido conseguem uma irmandade socialista que eu nunca tive. Isso é misoginia!”, diz uma das postagens que recebeu like de Rowling.

Outra postagem curtida por ela em 2018 diz: “Mulheres não são um sentimento. É uma realidade biológica que cria a opressão feminina. Homens vestindo roupas de mulheres e se declarando assim, faz eles literalmente impactarem nas nossas definições femininas de política e de vida. Falar sobre sentimentos é juvenil, indefinível, regressivo”.

Na época, a cara de pau dos representantes de JK Rowling fez com que eles escrevessem uma nota dizendo que ela não era transfóbica e os likes aconteceram sem querer pela maneira que a criadora de Harry Potter segurava o celular.

Ao que parece, até hoje ela não aprendeu a segurar o celular. Em maio deste ano, a autora curtiu uma resposta direta a uma postagem dela em que a jornalista transfóbica Helen Joyce dizia que existiam “dois e apenas dois sexos imutáveis”.

Entediada com o lockdown. Solitária. Tentando focar na luz do sol e no fato de que a maioria das pessoas não precisa convencer que os humanos são de dois, e apenas dois, sexos imutáveis

Após as críticas, JK sempre volta atrás nos likes, mas os prints seguem eternos para que todos vejam o posicionamento dela. Dessa vez não houve nenhuma nota ou resposta sobre a curtida.

Defesa da transfóbica Maya Forstater (2019)

Já em 2019 a transfobia de JK Rowling voltou a ser pauta. Dessa vez, a postura da escritora foi a protagonista da polêmica e não teve como disfarçar o que ela realmente pensa de pessoas trans.

Ao defender Maya Forstater, que foi demitida do Centro para o Desenvolvimento Global depois de vários comentários transfóbicos, JK Rowling usou o twitter para sugerir que estavam “arrancando uma mulher do emprego” por machismo.

Foi só então que a postura da criadora de Harry Potter em relação a pessoas trans foi ficando mais clara. Os discursos feitos e defendidos por Rowling se aproximam demais dos de feministas radicais que argumentam que mulheres trans jamais serão mulheres e querem roubar o protagonismo delas na luta contra o sexismo e o patriarcado.

“Se vista como quiser. Se chame da maneira que te agradar. Durma com qualquer adulto que consinta isso. Viva o melhor da sua vida com paz e segurança. Mas forçar a demissão de uma mulher por defender que sexo existe? #EuApoioMaya #IssoNãoÉUmTreinamento

Novamente, a maneira de lidar com essa polêmica foi o silêncio. Não houve um pedido de desculpas, mas também não houve uma insistência de JK na história. O assunto estava encerrado…. pelo menos até a chegada de 2020.

Transfobia de JK Rowling sai do controle (2020)

Provando que ainda não chegamos ao fundo do poço da transfobia de JK Rowling, durante o mês do orgulho LGBT deste ano, a escritora voltou ao twitter para despejar todo desprezo a comunidade trans e criticar o título de um artigo que fala sobre pessoas que menstruam.

“Pessoas que menstruam.” Tenho certeza de que costumava haver uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajude. Wumben? Wimpund? Woomud? (em um trocadilho com a palavra Woman)

Ao contrários dos anos anteriores, que depois de críticas o silêncio reinava, dessa vez JK estufou o peito e não sabendo que era possível passar mais vergonha, foi lá e soube. Ela tentou justificar o comentário insistindo que “o sexo é algo real” numa sequência pavorosa de tuítes.

Se sexo não é real, não existe atração pelo mesmo sexo. Se sexo não é real, a realidade vivida por mulheres ao redor do mundo é apagada. Eu conheço e amo mulheres trans, mas apagar o conceito de sexo remove a habilidade de muitos de discutirem sua vida de maneira significativa. Falar a verdade não é discurso de ódio.

A ideia de que mulheres como eu (que são empáticas com pessoas trans por décadas e se identificam porque trans são vulneráveis da mesma maneira que mulheres são, ou seja, a violência masculina) odeiam pessoas trans porque acreditam que o sexo é real e tem consequências é sem noção. – palavras e elementos gráficos foram trocados de ordem para melhor entendimento.

Eu respeito o direito de todas as pessoas trans de viverem de qualquer forma que julguem autênticas e confortável. Eu marcharia com vocês se vocês fosse discriminados. Ao mesmo tempo, minha vida toda foi moldada por ser fêmea. Eu não acredito que é dizer isso é discurso de ódio.

Na tentativa de justificar a linha de raciocínio, JK Rowling atacou de maneira indireta toda a comunidade LGBT ao compartilhar um artigo anonimo, supostamente escrito por uma lésbica, dizendo que o “GLBTs” não apoiam mulheres lésbicas.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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