Não gostar de uma matéria não a torna mentira

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Desde antes de o Bolsonaro assumir a presidência estamos observando um fenômeno de ataque ao verdadeiro jornalismo. Aquele que traz fontes, checagens e, em teoria, seria incontestável.

Não tem sido raro que mesmo com gravações, prints e áudios, as pessoas não aceitem a verdade, mas juro que achei que isso era apenas na política até que, por duas vezes, aconteceu comigo na última semana.

Eu poderia detalhar o meu currículo, mostrando tudo que estudei e fiz até a criação do Dentro do Meio, mas o site não foi criado para me promover, então vou me limitar a dizer que sou formado em jornalismo.

Por ser formado, eu não brinco de escrever matérias. Eu checo as fontes e, quando uma história tem dois lados, procuro dar espaço para que os dois falem. Foi assim na treta do Edu Albuquerque e Victor Ferraz, por exemplo.

No entanto, o dono da Irmãos Dotados, muito insatisfeito com as acusações de racismo que sofreu por usar “Negros Importam” para divulgar uma nova cena, se achou no direito de esquecer os contatos que fiz para ouvir a versão dele e atacou o Dentro do Meio.

Numa série de Stories, ele disse que somos “falsos moralistas, hipócritas” e que estamos tentando “desgastar a imagem dele”, tudo porque, sem nenhuma ataque e dando chance de resposta, relatamos as acusações de racismo que ele recebeu.

Dias depois foi a vez da equipe da 1007 de Balneário Camboriú ficar insatisfeita com a matéria que tratava do fechamento definitivo dos endereços físicos dos clubes.

Embora o texto tenha dito exatamente a mesma coisa que um comunicado oficial emitido por eles e tenha, inclusive, pautado outros portais, a boate usou o Instagram para dizer que nossa matéria era “caluniosa”.

Não gostar de um texto jornalístico não o torna “hipócrita”, “calunioso” e muito menos mentiroso. O Dentro do Meio nasceu com o objetivo de informar não de inventar histórias.

Recebo os ataques desses dois casos como um sinal de que estamos chegando em casa vez mais lugares, mas também como um alerta de que, infelizmente, algumas pessoas não sabem separar a “fake news” do trabalho sério.

Ainda assim, vamos continuar fazendo o certo. Replicar matérias duvidosas ou publicar algo sem checar as fontes não faz parte do nosso estilo.

Se errarmos, vamos corrigir e nos desculpar publicamente, mas não vamos nos deixar intimidar por qualquer um que grite “fake news” apenas porque se incomodou com que foi escrito.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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