Por que a comunidade LGBTQIA+ briga tanto entre si?

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O questionamento é proposital e inquietante. Quantas vezes você já presenciou discussões acaloradas dentro da comunidade LGBTQIA+? Às vezes sobre ela própria, sobre conteúdos que ela defende, sobre pautas que ela luta, sobre assuntos que ela traz a tona, sobre temas que ela discute.

Certamente várias vezes, correto? Vivemos em uma cena infeliz e para delineá-la, uma enciclopédia não teria espaço suficiente.

Nossa comunidade LGBTQIA+ já lutou tanto, já conquistou, à duras penas, diversos direitos para os que ainda estão vivos. Porém, ainda assim, é inviabilizada e silenciada por vários de sua própria afetividade.

A falta de compaixão é notória em nossa sociedade, porém isso se agrava em nossa comunidade, infelizmente. As pessoas perderam o dom da compaixão, da solidariedade. Perderam a memória e se não tomarem cuidado, perderão o que foi conquistado a custo de litros… Litros e litros de sangue LGBT que já se esvaiu por ruas, avenidas, esquinas, pedras, matagais, tijolos e celas.

Quantos LGBTs já morreram para podermos ir à balada rebolar a raba? Quantos tiveram que ser espancados, até não aguentarem mais, para que você possa pegar o metrô de mãos dadas com seu boy? Quantos foram torturados, explorados, estuprados, enforcados, para que você possa ir ao open bar arrasar com as amigue?

Nossa luta não acabou. De Stone Wall até 2020, não ganhamos nada sem luta, não adquirimos nada sem gritar, protestar, peticionar e apelar.

No Brasil você pode se casar, sim. Pode chamar a família toda e ter uma cerimônia de casamento dos sonhos com seu boy, com tudo o que tem direito. Mas sabe porquê? Porque alguém, em algum momento, estava cansado ou cansada da omissão legislativa de nosso país e decidiu por bem impetrar uma ação que, após o crivo do nosso STF, permitiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Foi assim para o casamento e está sendo assim para adoções, doações de sangue e até a criminalização mais dura para aqueles que caçam nossos IGUAIS.

Estamos no mês do orgulho LGBTQIA+. Nesse mês devemos renovar nossos votos de consciência. Ver que não estamos sozinhos no mundo e abraçar nossa comunidade. Nunca devemos nos esquecer dos que já morreram, literalmente, por nós. Nunca devemos deixar de lembrar daqueles que lutaram e ainda lutam duramente por todos nós.

Em nossa bolha informatizada, dentro do estado mais rico do país pode parecer que não, mas há incontáveis LGBT sofrendo dia após dia, apenas por serem quem eles são, trancados em comunidades e famílias preconceituosas que sequer querem ouvir o que eles têm à dizer. Imagine o quanto de dor e sofrimento estas pessoas passam, todo santo dia.

Tenham compaixão. Criem empatia. Coloquem-se no lugar do próximo. Faça aos outros apenas aquilo que você quer que façam para você!

Se for inviabilizar ou silenciar um LGBT, não o faça. Se for lançar hate gratuito para cima de artista LGBT, por favor, fique calado. Para apontar os erros e praticar bulling, conseguimos dezenas em um estalar de dedos mas, para ajudar, dar caminho, direção, ensinar onde fica o norte, poucos se propõe de verdade.

Por isso, essa é a coluna para te lembrar de apoiar o artista LGBT que você conhece e está começando. Quer dar dicas? Primeiro aprenda a ouvir se elas são bem vindas. Aprenda a apoiar o empreendimento que seu amigo acabou de começar. Ajude os seus colegas de profissão que possuem menos tempo de estrada. Compartilhe suas experiências com aqueles que você acredita que farão bom proveito.

Apoie a comunidade LGBT, ai mesmo da sua cidade, seu bairro, sua vila ou seu círculo de amigos. Pequenos gestos se propagam e ganham força. No final, seremos muito mais fortes e interligados.

Desejo, do fundo do meu coração, que a comunidade LGBT um dia fique adulta, deixando as brigas de ego para trás e verdadeiramente se apoiando, criando laços, raízes e redes de apoio emocional, fraternal, profissional e social.

Comentários

Willian Augusto
Willian é Advogado, acredita que para a informação jurídica chegar à toda sociedade (toda mesmo), ela deve ser fácil de entender e sem palavras difíceis e cafonas
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