O que é Chemsex e por que é importante saber sobre?

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Imagem do documentário britânico Chemsex

Você provavelmente já se deparou com o termo Chemsex – ou Chemical Sex, traduzido livremente como sexo químico – que consiste na prática sexual associada ao uso de substâncias psicoativas para melhorar o desempenho sexual, minimizar a sensação de dor ou até mesmo pela sensação que o uso das drogas trazem quando usadas.

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Não estou aqui para tachar práticas sexuais como certas ou erradas, porque quando conscientemente feitas de comum acordo pelas partes, de nada deve valer o julgamento moral. Mas como disse, é importante que todos que queiram ou que já pratiquem Chemsex saibam quais os riscos envolvidos no uso de substâncias, suas possíveis consequências no corpo e estejam cientes para procurar auxílio médico quando necessário.

No sexo químico podem ser utilizadas diversas substâncias como maconha, ecstasy, metanfetamina, álcool, cocaína, poppers e outras tantas substâncias. Algumas combinações são mortais.

A metanfetamina é um psicoestimulante que causa euforia, trazendo mais disposição as custas de aumento de frequência cardíaca e pressão arterial. A sensação de aceleramento se assemelha ao uso da cocaína, um derivado da metanfetamina com os mesmos efeitos.

O problema é que associado ao uso do álcool ou mesmo sozinha pode trazer problemas cardíacos, perda de consciência e de sensação de dor, podendo que faz uso das substâncias estar mais predisposto a lesões da pratica sexual e aumentando o risco de ISTs durante o sexo.

Além disso, a diminuição da consciência predispõe a uma vulnerabilidade de ação e limite para quando a pessoa deseja parar a prática ou colocar seus limites.

A maconha é uma droga depressora do sistema nervoso, trazendo sensação de relaxamento, aumentando a tolerância a dor e percepção de sensações pelo corpo, podendo também estar ligada ao aumento de lesões durante o sexo e risco aumentado para ISTs.

O poppers, substância amplamente conhecida pela população de gays e homens bissexuais, tem propriedade de vasodilatação dos músculos lisos do corpo (aqueles que não temos controle voluntário) e é usado na prática sexual para relaxamento do esfíncter anal e da garganta, facilitando sexo anal e oral.

O problema vem do uso em grande excesso, fazendo com que o risco de lesões anais aumente significativamente, devido à diminuição da limitação de dor e resistência, podendo contribuir para lesões do esfíncter que podem gerar dificuldade em segurar o cocô – chamado de incontinência fecal – e também aumentando o risco para ISTs.

Caso você utilize qualquer uma das substancias descritas ou outras e inicie sintomas de desconforto, falta de ar, dor torácica ou qualquer sintoma que assuste ou não está te deixando confortável, procure o serviço de assistência medica imediatamente para ser atendido.

Respondendo ao título, nada desse texto tem como fundamento o julgamento entre certo ou errado da sua pratica sexual. Quero aqui trazer as possíveis consequências que o uso das substancias podem levar ao corpo, trazendo para seus praticantes a total consciência do que pode acontecer com seu corpo e mente durante o uso e sexo.

Tudo isso, aliado a informação de prevenção de IST, é para que você que está lendo tenha seu prazer da melhor forma possível, sem colocar sua saúde e de quem esta com você em risco, mantendo o sexo da melhora forma possível.

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Felipe é médico, gay, faz residência de infectologia, vive com seus dois gatos e também é pai de 4 cachorros bem fofos. Se envolveu com saúde LGBT desde a faculdade e desde então se tornou uma poc militante das bem fervorosas.
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