Walcyr Carrasco diz que é homofobia “especular sexualidade” de artistas

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Responsável por ter conseguido levar para o horário nobre da Rede Globo o primeiro beijo entre dois homens, Walcyr Carrasco criticou o que ele chama de “homofobia cotidiana”. Dentre outras coisas, ele destacou especular a orientação sexual de atores e atrizes.

“Desvendar a sexualidade de astros e estrelas é um comportamento homofóbico comum. Notícias desse tipo estouram. Antes, isso podia significar o fim de uma carreira. Agora, muitos respondem com um glorioso: ‘E daí?'”, escreveu o autor.

Carrasco também listou vários comentários “comuns” como “tenho até amigos que são”, “nem parece” e “tudo bem ser lésbica, só não precisa se vestir como homem”. O artigo na íntegra pode ser lido aqui.

Personagens LGBT de Walcyr

Apesar das críticas e de incluir personagens LGBTs nas próprias tramas, Walcyr Carrasco parece não ter ciência que contribui um pouco para disseminar a homofobia que ele aponta no texto.

Em A Dona Do Pedaço, obra mais recente dele, Carrasco escreveu três personagens LGBTs. Um deles foi interpretado por Malvino Salvador, que tem um histórico de declarações homofóbicas. Em determinado momento da trama, Agno (Malvino Salvador) fica completamente obsecado pelo personagem de Caio Castro, chegando a armar para vê-lo pelado.

Além disso, Walcyr reza a mesma cartilha de grande parte dos autores globais fazendo com que as demonstrações de afeto entre casais do mesmo sexo sejam bem pequenas. Mãos dadas e beijos geralmente só acontecem no último capítulo e, mesmo assim, de forma bem rápida. Enquanto isso casais hétero ganham enormes cenas de sexo.

Apesar de falar sobre “acabar com carreiras”, o autor é viciado em escrever cenas em que personagens são arrancados do armário como forma de humilhação. Em O Outro Lado Do Paraíso tem “cura gay” e nem precisamos dizer o tamanho do desserviço.

Seria bom se Walcyr lembrasse do próprio artigo ao escrever o próximo personagem LGBT em horário nobre.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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