MP investiga caso de homofobia em podcast do Rio Branco

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O Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC) irá investigar uma denuncia de homofobia envolvendo o podcast Submundo. Na última terça-feira (1), um grupo de humoristas responsável pelo extinto canal no YouTube, que levava o mesmo nome do podcast, passou um trote para o criador de conteúdo Lucas Lima, conhecido em Sena Madureira, no interior do Acre, chamando o jovem de “gayzinho” e fazendo com que ele fosse expulso de casa pelo pai, que ainda não sabia da orientação dele.

Na gravação, que foi retirada da internet após a repercussão negativa, os apresentadores do podcast se passam por organizadores do Miss Gay Acre e dizem estar ligando para convidar Lucas para apresentar o evento. Desde o início eles deixam claro que sabem da orientação de Lucas e chegam a pedir que ele dê selinhos durante a suposta cobertura do evento.

De acordo com o G1, Lima chegou a pedir na ligação que ele e os contratantes conversassem em outro momento. Em uma das vezes que pediu para conversar depois, um dos apresentadores reagiu fingindo conversar com uma secretária. “Vou ligar pra você amanhã e resolver tudo isso. Marta, anota na minha agenda que amanhã eu vou conversar com um ‘gayzinho’ chamado Lucas Lima”.

“Foi um constrangimento porque eu não imaginava que estava em live, em trote, e ele me expôs ao ridículo me chamando de ‘gayzinho’ e falando aquelas palavras homofóbicas e falando de onde eu sou e esses vídeos começaram a viralizar”, disse Lucas ao site. Ele fez um boletim de ocorrência na última sexta-feira (4) e depois de ser expulso de casa pelo pai, está vivendo com a mãe e avó em outro estado.

O MP-AC informou que está dando suporte jurídico e psicológico ao jovem através do Centro de Atendimento à Vítima (CAV). Já os criadores do podcast se desculparam publicamente e decidiram parar com as gravações definitivamente. Em nota nas redes, eles enfatizaram que não tentaram justificar o erro e que estão prontos para lidar com as consequências. Que você lê na integra mais adiante.

“Nesse dia, pedimos para mandar o número de alguém que fosse homossexual que a gente ia contratar para apresentar o evento do miss gay, só que o Michael Jones, que é quem fez o trote e eu falando o que ele tinha que falar, assumiu o personagem de alguém que é muito grosso, e dá pra ver no vídeo, aquilo era parte do jogo cênico (gritar pela Marta). E, foi isso. Não odeio os gays, foi só uma brincadeira que saiu do tom e tomou a proporção errada”, disse Geovany Calegário, um dos responsáveis pelo canal, ao G1.

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Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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