Globo barrava histórias de LGBTs, diz Silvio de Abreu

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Não que o público não tivesse percebido, mas o autor Silvio de Abreu abriu a caixa de pandora e tornou pública as censuras que recebia da Rede Globo e esclareceu que as personagens lésbicas de Torre de Babel foram retiradas da trama por ordens da direção da emissora e não por rejeição do público.

As revelações, bastante detalhadas, aconteceram durante uma live com o jornalista Tony Goes no canal Manual do Tempo. De acordo com Silvio de Abreu, muitas vezes ele era obrigado a enviar sinopses sem revelar muitos detalhes do que pretendia fazer com os personagens para não correr o risco de ter o material vetado.

“Esse assunto, LGBT dentro da Globo nos anos 70, nos anos 80, não vou dizer que era proibido, mas toda vez que você apresentava um personagem ou uma trama ligada a isso sempre tinha restrições: ‘não pode fazer isso, não pode fazer aquilo’, tinha uma censura interna muito grande em relação a isso”, pontuou Abreu.

Ele relembrou sobre a série Boca do Lixo lançada na década de 90 e tinha Alexandre Frota, Silvia Pfeiffer e Reginaldo Faria como protagonistas. Embora tenha conseguido manter o personagem de Faria como homossexual, parte do que o autor chamou de “mundo homossexual” não pode ser explorado na trama, limitando o número de episódios que foram para o ar.

“Eu escrevi dez episódios, foram ao ar oito. Muita coisa do mundo homossexual foi cortada antes mesmo de ser gravada. Quando a história começava apesentar o personagem dele [Reginaldo Faria], apresentava muito do mundo homossexual, mas isso não teve na minissérie”, disse Abreu ao contar que não pode fazer um mergulho mais profundo na trama gay.

Sobre A Próxima Vítima (1995), o autor explicou que conversou pessoalmente com Boni, que era vice-presidente da emissora na época, sobre o veto aos personagens gays para convencer que a inclusão de personagens homossexuais não tinha nada a ver com a escandalizar os espectadores e que as famílias estavam prontas para comprar os personagens se entendessem que a orientação sexual não influenciava no caráter. Assista ao bate-papo completo.

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Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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