Afinal, um beijo gay em Star Wars é importante?

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Bom, já faz algumas semanas que mais uma geração teve a sua trilogia de Star Wars completa com o lançamento do “A Ascensão Skywalker”. Desde então o filme vem recebendo uma grande quantidade de críticas, elogios, fanbase revoltada e uma parte da comunidade particularmente ofendida com os – sim, no plural – Queer baits que ocorreram nessa nova franquia.

Eu não vou entrar aqui nos méritos do filme, se gostei ou não do desfecho da novo trilogia – pra falar a verdade, não gostei -, mas quero sim comentar sobre o comportamento do seu principal diretor, J.J. Abrams.

Antes do lançamento do que prometia ser um desfecho arrasa quarteirões, o marketing foi gigantesco. Entrevistas, trailers, viagens da equipe e muitas promessas.

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“No caso da comunidade LGBTQ, era importante para mim que pessoas que vão assistir este filme se sintam representadas. Não vou entregar nada sobre o que acontece no filme, mas eu disse o que eu acabei de dizer”

Frase essa dita por J.J. para a Variety, reforçando o quanto ele acredita sobre a importância da representatividade do público LGBTQ na série Star Wars.

Então é natural esperar que a comunidade tivesse criado mil teorias, que iam desde o clássico “Poe e Finn” até hipóteses de que a Rey seria salva por um relacionamento lésbico. E o que tivemos? Isso:

Cena do Filme Star Wars: A Ascensão Skywalker

Você não reconhece as personagens? Tudo bem, na hora nem eu reconheci, e olha que eu sou um grande fã de Star Wars. Trata-se da Comandante d’Acy, é uma personagem pequena que surgiu no The Last Jedi e sua namorada que não possui um nome.

E não tem nada de errado com o beijo em si. É um pouco covarde? Sim. Dura dois segundo? 3 segundos no máximo. São personagens irrelevantes? Com certeza.

Mas creio que a questão principal seja o quanto foi criado em cima de Finn e Poe, inclusive pelos atores que publicamente declararam torcida para uma evolução de relação dos dois personagens.

Existe toda uma construção em cima de um “tensão sexual” entre os personagens que não é levada para a frente – inclusive com o roteiro do último filme apresentando a ex-namorada do Poe Dameron (Oscar Isaac) para tentar acabar de vez com qualquer possível comentário -, e acabamos entrando em um terreno um pouco mais nebuloso, mas que os fãs mais antigos talvez entendam.

Star Wars possui um forte apelo geracional. A trilogia original e a trilogia prequel pertencem a gerações de fãs diferentes, cada um com a sua particularidade, e essa era a chance de uma nova geração ter contato com Star Wars e vivenciar novos modos de se ver representado em seus personagens. E veja bem, essa nova trilogia apresenta uma excelente nova gama de etnias e gêneros diferentes nos papéis principais, mas a questão do Finn e Poe sempre ficou ali, como uma pequena lua gravitando um sistema da orla exterior, mas que infelizmente nunca fomos visitar.

Então é natural que os fãs estejam revoltados com a promessa não concluída… Aliás não só os fãs como o MARAVILHOSO John Boyega, nosso Finn, deixa bem claro no seu twitter o que ele pensa de algumas conclusões amorosas da saga.

 



E não só ele como o próprio Luke Skywalker – o ator Mark Hamill se pronunciou sobre o caso em seu twitter, o que dá uma dimensão do quanto os fãs esperavam que Finn e Poe tivessem um fim juntos.

 



Talvez somente em uma próxima geração de filmes tenhamos uma luz no fim do túnel com relação a isso, e que os fãs escutem a palavra de Luke Skywalker, pois haverá novas trilogias para novas gerações, mas considerando como a Disney tem retirado a cena para agradar diversos outros países, eu creio que só veremos isso em uma galáxia muito muito distante.

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José Neto
Neto já escreveu sobre cultura geek e atualmente cuida do Mil Páginas, um canal de YouTube sobre livros e quadrinhos, falando abertamente sobre literatura.
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