A primeira pessoa a vencer um campeonato de games foi uma mulher trans

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Embora a representatividade esteja bem longe do ideal, a popularidade dos campeonatos de e-sports está cada vez maior. Não é incomum encontrar partidas de League of Legends, Overwatch e outros games sendo narrados e comentados como jogos de futebol, volêi, tênis, entre outros.

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O que pouca gente sabe é que a primeira pessoa a vencer um campeonato nestes moldes, mesmo antes de receber o nome de e-sports, é uma mulher trans. Além do feito histórico, Rebecca Heineman é responsável pelo desenvolvimento de jogos clássicos como Dragon Wars e Doom.

Embora só esses fatos já sejam o suficiente para exaltar Rebecca Heineman, precisamos voltar algumas décadas para entender melhor a genialidade e importância do nome dela na indústria dos games.

Durante a adolescência, na década de 1980, Rebecca descobriu sozinha como copiar cartuchos de Atari para colecionar. “Eu tinha um amigo que colecionava cartuchos de Atari 2600 e ele tinha dinheiro, então comprava todos no lançamento. (…) Acabei descobrindo como usar um computador Apple 2 para baixar e jogar”, contou em entrevista para Xtra Magazine.

Pode parecer pouca coisa num mundo em que existe torrent, mas é um feito incrível para os anos 80. Pouco depois, ela competiu com 45 mil pessoas e conquistou a maior pontuação. Na época, Rebecca já tinha certeza de que era uma menina.

“Me assumi em 2001, mas sei que sou trans desde os 10 anos. Mesmo durante os anos 80, quando vocês me viram ganhando aquele prêmio, na minha cabeça eu estava: ‘Caramba, espero que eles percebam que eu sou uma garota”.

Durante a vida profissional, Heineman teve medo e encontrou diversas barreiras para conseguir viver como gostaria. “Vi outras pessoas terem a vida profissional arruinada apenas por se assumirem trans”, conta.

Foi apenas quando foi contratada pela EA Games que ela se sentiu vontade para viver de acordo com o gênero que se identifica, mas ainda há um grande caminho a trilhar segundo a própria.

“Leva um tempo até que pessoas extremamente misóginas e transfóbicas finalmente envelheçam e saiam, porque elas não vão mudar. A única maneira de se livrar dessas pessoas é esperar que elas se aposentem, não estejam mais na indústria e garantir que todas as pessoas novas que chegarem não tenho um pensamento antigo”.

O caminho para mudar os pensamentos antigos, inclusive, são fóruns e grupos como o da Glaad do qual Rebecca faz parte. Este grupo, inclusive, fez consultoria para o desenvolvimento do premiado Tell Me Why, que tem um homem trans como protagonista.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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