A evolução do amor entre mulheres nas novelas da Globo

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Embora existam registros de dezenas de outros casais LGBT na TV brasileira, recentemente, o grupo Globo trouxe dois casais queridos formados por mulheres para programação. Rafaela e Clara em Mulheres Apaixonadas, que está reprisando a última semana no Canal Viva, e Leila e Penha em Amor de Mãe.

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Marcada por diversos merchans sociais, como são chamados temas sensíveis a população, Mulheres Apaixonadas estreou em 2003, ou seja, 17 anos antes do primeiro capítulo de Amor de Mãe. Os dois casais caíram nas graças do público. Na trama de Manuel Carlos, as adolescentes Clara e Rafaela se apaixonam e precisam enfrentar as gracinhas de uma colega homofóbica e lutar contra o preconceito da mãe de uma delas.

Já o enredo de Manuela Dias demorou para trazer personagens LGBTI, o que chegou a gerar críticas nas redes sociais. Leila, que começa a novela em coma, era casado com Magno, filho de uma das protagonistas, enquanto Penha era casada com o policial Wesley. Como ambas eram coadjuvantes, não há muitas informações sobre relacionamentos passados, mas ao que tudo indica, o relacionamento das duas foi o primeiro com alguém do mesmo gênero.

Enquanto na novela de Maneco o relacionamento das duas era uma questão importante para permanência delas na trama, o último folhetim inédito das 21h pouco se debruçou na orientação sexual para que duas mulheres pudessem se relacionar. Essa, inclusive, é uma das demandas de boa parte da comunidade LGBTI, que personagens existam sem que a identidade ou orientação seja o foco.

Preconceito e orientação sexual

Como já explicamos, amor adolescente de Rafaela e Clara serviu para explorar o preconceito da sociedade em relação a homossexuais. Durante os capítulos, as personagens são chamadas de sapatonas, anormais, aberrações e a mãe de Clara chega a sugerir um “tratamento” por conta do relacionamento da filha.

A torcida do público deu um final um pouco mais fechado com as duas morando juntas, no entanto, mesmo com a relação delas permeando todos os capítulos da história, Manuel Carlos escreveu apenas uma cena de beijo e sequer é uma troca de carinho entre as duas, mas uma peça de teatro dentro da novela na qual elas interpretam Romeu Julieta. Quando os lábios delas se tocam, Rafaela está se fingindo de morta e não pode retribuir o carinho.

Em Amor de Mãe o relacionamento de amizade entre Leila e Penha se desenvolve para amor meio do nada. Quando sai da prisão, Penha, que ainda tem uma relação conturbada com Belizário, beija a amiga. Elas não chegam a enfrentar nenhum preconceito explícito e trocam muito mais carinhos do que Rafaela e Clara, mas ainda assim nada que se aproxime dos casais hétero da mesma novela.

“Ainda existe muito tabu com relação ao beijo gay nas novelas, e isso é reflexo da lenta evolução de uma sociedade extremamente preconceituosa”, disse Clarissa Pinheiro, interprete de Penha, ao Notícias da TV. Ela, inclusive, já interpretou uma mulher lésbica em Onde Nascem os Fortes.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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