Vacinação por gênero causa preocupação em entidade trans

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Com passos curtos no Brasil, já que menos de 10% da população foi vacinada, a campanha de imunização ligou o alerta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Pelo menos três cidades do Rio de Janeiro estariam organizando vacinação por gênero para evitar aglomeração, segundo informações recebidas pela instituição.

A preocupação está longe de ser infundada. Ainda em 2020, no início da adoção do isolamento social como medida preventiva contra o coronavírus, alguns países tentaram implementar um rodízio de gêneros que acabou prejudicando pessoas trans. O Dentro Do Meio chegou a noticiar o exemplo da Colômbia.

“De imediato, a medida coloca as pessoas não binárias num “não lugar” e em contextos de risco e vulnerabilidade. Tais ações facilitam e incitam o estigma e a violência contra travestis, mulheres e homens trans. E podem impedir acesso a vacinação de pessoas não retificadas.”, publicou a ANTRA nas redes sociais.

Niterói nega separação e Rio de Janeiro fala de autodeclaração

O Dentro Do Meio entrou em contato com Maricá, Niterói e Rio de Janeiro, as três cidades que estariam adotando a vacinação por gênero para imunizar cidadãos. Vale lembrar que, por enquanto, apenas população mais idosa está sendo vacinada. No entanto, a Secretaria da Saúde de cada cidade é livre para organizar a imunização da melhor forma.

A cidade de Niterói negou que esteja fazendo separação por gênero. “A Secretaria Municipal de Saúde de Niterói informa que não há calendário de vacinação por gênero na cidade. O calendário é por idade.”, argumentou a Assessoria da Secretaria Municipal de Saúde por e-mail.

A cidade do Rio confirmou a separação por gênero, mas informou que a vacinação será feita com base na autodeclaração, ou seja, nenhuma pessoa trans precisará apresentar nenhum documento retificado para ser vacinada. Basta se dirigir até um posto de vacinação e explicar que se identifica como uma pessoa trans.

Nas redes sociais, a prefeitura de Maricá confirmou a vacinação por gênero, mas não respondeu nenhum dos e-mails e nem retornou nenhuma das ligações da nossa equipe para explicar como a medida será aplicada em transexuais.

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Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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