Segurança que impediu trans de usar banheiro em Maceió é condenado

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Seis meses após acatar a denúncia, a justiça condenou o segurança do Shopping Pátio Maceió por ter impedido Lanna Hellen de usar o banheiro feminino em janeiro de 2020. O juiz Ygor Vieira de Figueirêdo usou o entendimento do Supremo Tribunal Federal, que em 2019 equiparou os crimes de LGBTfobia e racismo, mas o segurança ainda pode recorrer da decisão.

“Resta evidente que o réu não permitiu que a vítima utilizasse o banheiro feminino exclusivamente em virtude do fato dela ser transexual, o que representa conduta discriminatória inaceitável e que deve ser enquadrada como racismo”, escreveu o juíz na sentença. O segurança, identificado como José Rui Góis, chegou a negar que tivesse impedido Lanna de usar o banheiros, mas vídeos e testemunhas ajudaram a comprovar o fato.

Góis foi condenado a um ano e seis meses de prisão, mas pena foi convertida em pagamento de 10 salários mínimos para ser destinado a um grupo ou organização não governamental de Alagoas que atue em favor da comunidade LGBTQI+ e seis horas por semana em prestação de serviços comunitários pelo mesmo tempo que duraria a prisão.

Ministério Público tentou arquivar caso sem julgamento

Nas redes sociais, Lanna compartilhou o vídeo de uma entrevista no qual a advogada dela explica os passos que foram dados até a condenação do segurança. De acordo com a criminalista Rayanni Mayara Albuquerque, o primeiro promotor que recebeu os dados do caso pediu arquivamento por entender que não houve crime na situação.

Após uma petição, o segundo promotor decidiu acatar a denúncia, mas optou por enquadrar a situação em injúria racial, o que também ia contra ao desejo da acusação. Por fim, durante o julgamento, o juiz Ygor Vieira de Figueirêdo optou por enquadrar o caso no crime de racismo. Veja abaixo o vídeo compartilhado por Hellen.

Marmitas para pessoas carentes

Quem acompanha Lanna nas redes sociais sabe que há cerca de um ano ela faz comida para distribuir para pessoas carentes e em situação de rua. Para comprar os alimentos, ela conta com a doação de pessoas que a acompanham nas redes sociais graças a repercussão do caso do shopping.

Embora seja cabelereira, a história dela não se diferencia muito da de outras mulheres trans que, por falta de oportunidade, teve que recorrer a prostituição em outros momentos da vida. Em vídeo postado na última quinta (3), Lanna compartilhou um pouco da história dela e mostrou o processo de montagem das marmitas. Assista:

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Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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