Relatórios oficiais mascaram LGBTfobia no Brasil

15
views
Paulo Pinto/FotosPublicas

Boa parte dos relatórios sobre LGBTfobia no Brasil não são gerados a partir de dados danos fornecidos pelas autoridades competentes e o motivou voltou a ficar claro com a divulgação do 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na segunda (19).

Amapá, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins foram os únicos que apresentaram alguns dados. Vale lembrar que, além do Distrito Federal, o Brasil possui 26 estados.

Ainda de acordo com o anuário, boa parte das informações referentes à violência contra pessoas LGBT vem de setores da saúde, mas os dados não são suficientes para um relatório que reflita a realidade do país . Para se ter uma ideia, falando em números absolutos, o anuário aponta 84 homicídios dolosos em 2019.

O número, que está bem longe de ser considerado baixo, é facilmente contestado quando se compara com o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), que há mais de 40 anos contabiliza e divulgada dados de LGBTfobia. De acordo com o levantamento do GGB houveram 297 homicídios motivados por LGBTfobia em 2019.

Governo Bolsonaro influencia omissão de dados

Apesar de não ter poder para impedir que os relatórios sejam divulgados pelos estados, o Governo Bolsonaro influencia bastante na omissão dos dados por uma questão puramente ideológica. Prova disso é a postura adotada durante a 35ª Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos que aconteceu na última quinta (22).

Adotando uma postura contrária à Argentina, Uruguai e Paraguai, o Brasil se recusou a assinar um documento que continha “identidade de gênero”, “expressão de gênero” e “crimes de ódio”. Membros do Ministério da Mulher, Família e Dois Direitos Humanos e do Itamaraty classificaram as expressões como inaceitáveis.

Em nota divulgada pela Folha de S. Paulo, o governo disse que a falta de tipificação específica para crimes contra LGBTs pautou a decisão de vetar o documento. Grosso modo, é possível afirmar que é conveniente para as autoridades que não haja tipificação, basta lembrar que os limites da equiparação da LGBTfobia ao racismo está sendo questionada pela equipe de Bolsonaro.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
COMPARTILHAR