Prefeitura do Rio inaugura Circuito da Diversidade

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Por iniciativa da Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura em parceria com a Coordenadoria Executiva da Diversidade Sexual e o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, será lançado no próximo dia 28 o Circuito da Diversidade com a inauguração de de três placas especiais.

Elas serão instaladas nos seguintes endereços: Cabaret Casanova (Av. Mem de Sá, 25, Centro), palco de apresentações de artistas emblemáticos como Madame Satã; Largo da Carioca (endereço do extinto jornal “A Pátria”), em homenagem a João do Rio — jornalista, cronista, contista e teatrólogo que completa seu centenário de morte este ano; e no Parque do Flamengo (Parque do Flamengo, em frente à Rua Dois de Dezembro), em homenagem a Lota de Macedo Soares.

Além do lançamento do Circuito, o Dia do Orgulho LGBTI+ também será celebrado em um seminário promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ), em parceria com a Coordenadoria Executiva da Diversidade Sexual. Intitulado “Stonewall carioca: avanços, resistências e história da cidadania LGBTI no Brasil a partir do Rio de Janeiro”, o debate será transmitido pelo YouTube da OAB/RJ, a partir das 10 horas, e discutirá o reconhecimento dos direitos civis dos cidadãos LGBTI+ brasileiros nas últimas duas décadas, a partir do pioneirismo carioca na criação de legislações de combate à discriminação e na luta por direitos constitucionais da população LGBTI+.

Entre os participantes confirmados, estão Raquel Castro, presidente da Comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero do Conselho Federal da OAB, Rodrigo Pacheco, Defensor Geral da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, e Henrique Rabello, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de gênero da OAB-RJ.

A agenda do dia do Orgulho LGBTI+ se encerra com uma sessão solene promovida pela Câmara dos Vereadores, com transmissão ao vivo pela TV Câmara, a partir das 16h. Na cerimônia, serão homenageados ativistas do movimento LGBTI+ carioca. Abaixo um pouco da história por detrás dos nomes que serão colocados nas placas:

Cabaret Casanova

Aberto em 1937, com o nome Viena Budapeste, o espaço renomeado Cabaret Casanova era considerado um dos espaços mais antigos da Lapa. Acredita-se que lá Noel Rosa teria composto a música “A Dama do Cabaré”, depois de levar um fora de uma amante.

Situada na Avenida Mem de Sá, a casa foi referência na noite LGBTI+ do Rio — em especial, devido às apresentações de ícones da arte drag brasileira, como Laura de Vison e Meime dos Brilhos. Foi no Casanova que se formou o grupo Dzi Croquettes e que o lendário Madame Satã fez suas últimas incursões pela Lapa boêmia. O espaço também recebeu artistas como Carlos Machado e Alcione, até fechar as portas, nos anos 2000.

João do Rio

Em 2021, completa-se o centenário da morte do jornalista, cronista, contista e teatrólogo João do Rio (1881-1921). Um dos grandes nomes da imprensa brasileira, João popularizou entre nós as então novidades da entrevista e da reportagem in loco, possibilitando que os jornalistas saíssem das redações e fossem para a rua. Fundou o jornal A Pátria, que funcionou no Largo da Carioca, no Centro do Rio.

É considerado o maior cronista da cidade, tendo percorrido das favelas aos salões da sociedade, e assinado contos e peças de teatro de sucesso. Foi membro da ABL e diretor da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT). Apesar de seus inúmeros desafetos, que o atacavam por sua afrodescendência e homossexualidade, alcançou tamanho prestígio junto à sociedade da época que cerca de cem mil pessoas estiveram presentes em seu enterro, no cemitério São João Batista.

Dito “o pai da crônica”, este gênero tão afeito à nossa proverbial preguiça e talento para o papo furado, João do Rio era gay, dândi, sofisticado, ao mesmo tempo descendente de negros recém-libertos e de brancos oligarcas, políticos influentes. A obra desse cronista da vida carioca antecipa muitas características do modernismo. Pode-se relacioná-la à produção em prosa de Oswald de Andrade e ao jornalismo de nossos dias.

Lota de Macedo Soares

Filha de brasileiros, a arquiteta-paisagista e urbanista autodidata Lota de Macedo Soares (1910-1967) nasceu em Paris, na França. Na década de 1960, a convite do então governador Carlos Lacerda, foi uma das idealizadoras do projeto do Parque do Flamengo, o maior aterro urbano do mundo.

Em 2013, teve parte de sua vida ilustrada no cinema, com o filme “Flores Raras” (de Bruno Barreto), que narra seu relacionamento com a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop. Nas telas, Lota foi interpretada pela atriz Glória Pires. A escritora e a arquiteta foram casadas de 1951 até 1965 e moravam na casa Samambaia, em Petrópolis. O filme também ilustra o triângulo amoroso protagonizado pelas duas com Mary Stearns Mors, ex-companheira de Lota.

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Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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