Polícia ouve agressores de Karol Eller

82
views
Karol Eller mostra rosto inchado e com hematomas após agressão

A polícia ouviu na última terça-feira (17), os dois agressores da youtuber assumidamente bolsonarista Karol Eller. A vítima também foi ouvida e novas versões da agressão sofrida no último domingo (15) ganharam a imprensa.

De acordo com a Época, o depoimento mais esclarecedor foi o de Suellen Silva dos Santos, namorada da vítima e policial civil. Segundo ela, Alexandre da Silva, o único suspeito que teve a identidade divulgada, passou a implicar com Karol dizendo que ela “não era mulher” e chamando-a de ele.

Suellen contou ainda que as provacações de Alexandre foram ficando mais intensas até que ele passou a empurrar e depois socar e chutar Karol até que ela ficasse desacordada. A Polícia não tem dúvidas de que se trata de um caso de homofobia e descartou motivação política.

“Trata-se de um caso típico de homofobia, sem ligação com a militância da vítima. De acordo com os depoimento, os agressores chamavam a Karol o tempo todo de sapatão e demonstravam claramente preconceito”, disse a delegada Adriana Belém, responsável pelo caso

Versão do agressor

Alexandre negou que seja homofóbico e deu uma outra versão para “confusão” com Karol. De acordo com ele, a vítima estava com uma arma na cintura e se apresentava como delegada federal.

O agressor ainda acusou a vítima de estar muito agitada por ter usado cocaína e de ter colocado em risco a vida dos presentes depois de ter derrubado a arma. Na versão dele, a agressão foi legitima defesa, uma vez que Karol teria dado um soco em um amigo dele.

“Não sou homofóbico, não aconteceu nada disso que ela está dizendo. Eu e minha família estamos sendo ameaçados na rua por uma mentira absurda que essa menina inventou. Tenho certeza que vamos provar que estamos falando a verdade”, garantiu Alexandre a Época.

Repercussão da agressão

Como não poderia deixar de ser, as redes sociais viraram uma batalha campal por conta da agressão de Karol Eller. Muitas pessoas disseram que não seria possível ter empatia com alguém que apoia um homofóbico convicto com Jair Bolsonaro e trouxeram à tona um vídeo em que ela disse que homofobia era vitimismo.

Uma outra parcela repreendeu esse grupo de pessoas alegando que quando um de nós sofre uma agressão dessa magnitude, toda comunidade LGBT também é agredida. Por tanto, independente dos discursos da vítima, todos deveríamos ser solidários a ela.

Também houve quem se indignasse com a agressão e trouxesse a discussão para uma esfera política, dizendo que o caso teria sido motivado pelo apoio de Karol ao governo, que a esquerda estaria tentando abafar o caso ou mesmo comemorando que ela tenha ficado desfigurada.

Quem ainda não disse uma palavra sequer sobre a agressão foi o presidente, embora dois de seus filhos já tenham usado as redes sociais apoiando Karol, Bolsonaro se manteve neutro.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
COMPARTILHAR