Polícia nega ajuda depois de ataque homofóbico

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Denúncia de homofobia, negligência policial e omissão de socorro já nas primeira horas de 2020. No total, pelo menos 3 gays foram agredidos, mas os policiais de Ubatuba se recusaram a ajudar.

De acordo com o engenheiro agrícola Guilherme Tavares, os policiais disseram que não poderiam sair de suas posições e que estavam prontos para “invadir a praia”.

Guilherme, inclusive, foi a primeira pessoa a ser agredida. Ele contou ao Dentro do Meio que estava ficando com outro rapaz quando foram abordados.

“Sugeri que fôssemos perto do mar porque ali tinha muita gente e alguém poderia se incomodar. Ficamos na direção de onde meus amigos estavam e na frente do mar a gente continuou se beijando. De repente eu recebo uma voadora nas costas”, relembrou.

O engenheiro disse ainda que, mesmo cambaleando, conseguiu acertar um soco num segundo cara que vinha na direção dele e do rapaz que ele estava ficando.

Quando o homem que acertou Guilherme com uma voadora pegou uma garrafa, ele fugiu correndo em direção aos amigos.

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“Não sei o que aconteceu com o outro menino, mas meus amigos, um policial e outro caiçara quiseram tirar satisfação para saber o que tinha acontecido com ele”, continuou.

Quando Guilherme voltou a ver os agressores, notou que eles estavam com as esposas, uma criança e um carrinho de bebê. Um deles estava armado, então, ele decidiu ir embora.

“Eu voltei desesperado para o pessoal gritando: VAMO, VAMO, ELES ESTÃO ARMADOS”. Ele disse que encontrou outros amigos e quando contava para um deles, o único gay, o que tinha acontecido, sentiu “um zumbido muito forte do ouvido e uma dor latente”.

O engenheiro disse que viu o amigo levar duas garrafadas antes de ir de encontro a polícia.

“Contei o que havia acontecido e pedi para que eles fossem ajudar, mas eles se recusaram. Disseram que não poderiam sair do local porque estavam aguardando ordens pra invadir a praia”, comentou.

Ele pediu para que os policiais levassem o amigo dele, que estava sangrando depois das garrafadas e em estado de choque, para um hospital, mas eles recusaram novamente.

O amigo de Guilherme teve traumatismo craniano leve e não corre risco de vida. Ele tentou registrar um boletim de ocorrência na delegacia de Ubatuba, mas não teve sucesso.

“A policial que me atendeu se demonstrou bem desacreditada e disse que a situação naquela praia havia saído do controle. O B.O. eu vou registrar hoje aqui em São José dos Campos. Como não tenho informações dos sujeitos (nome, foto, vídeo), eles disseram que não tem como processar mas farei para que entre nas estatísticas”, finalizou.

Durante todo o dia eu tentei contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para ter mais informações sobre a situação na Praia Grande de Ubatuba, mas não tive resposta.

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