Parada LGBT Virtual 2021 corrige edição anterior

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Quem decidiu reservar o último domingo (7) para assistir a segunda versão virtual da Parada LGBT de São Paulo foi positivamente impactado. Embora ainda existam alguns equívocos, a equipe responsável se comprometeu a corrigir os erros da edição 2020.

O tema escolhido para este ano foi HIV, que há muitos anos vem sendo pedido por ativistas, e serviu como fio condutor para toda a transmissão. Mesmo quando o assunto passava a ser família, o roteiro dava um jeito de amarrar os temas.

Para quem não assistiu o ano anterior parece óbvio que o tema central tenha sido respeitado, mas vale destacar a Parada Virtual 2020 foi um amontoado de “recados” sem sentido.

Dança das cadeiras na apresentação

Outro fator criticado no ano anterior foi a apresentação focada nos criadores do Diva Depressão, que pouco acrescentavam nas discussões. Neste ano a participação dos dois foi consideravelmente diminuída.

Ao invés de atuarem como âncora da transmissão, os dois foram redirecionados para a parte do entretenimento do evento, quando faziam uma breve entrevista com os artistas que se apresentaram.

No lugar deles, Lorelay Fox, Alberto Pereira Jr., Bielo Pereira e Nataly Neri. A escolha, inclusive, foi elogiada nas redes por ter dado protagonismo para 3 negros.

De casa, outros youtubers se revezavam para debater os assuntos. Lucas Raniel, que usa ao alcance para falar sobre HIV, e Linn da Quebrada, cantora, atriz e apresentadora foram alguns dos nomes.

Velha guarda teve espaço. Pouco, mas teve.

Se em 2020 repercutiu o fato de nomes importantes da noite paulistana terem ficado de fora, na edição desse ano houveram 4 entrevistas para compensar esse fato.

Salete Campari, Sundry Buck, Márcia Pantera e Silvetty Montilla contaram suas histórias e fizeram apresentações curtas durante a transmissão. A íntegra das entrevistas e dos shows delas está disponível no canal da Dia Estúdio.

De maneira rápida, também houve uma rápida homenagem aos LGBTI que faleceram. Com um ano de atraso, a imagem de Miss Biá apareceu por alguns instantes.

Nem tudo são flores…

Por falar em homenagem aos mortos, uma das gafes da transmissão veio justamente quando se falava de Paulo Gustavo. Ao conversar com Hugo Gloss, os meninos do Diva Depressão se apressaram cortar uma fala sobre o ator.

Sob a justificativa de que não queria chorar e que “era dia de festa”, eles não permitiram que Gloss falasse mais sobre o vídeo que seria transmitido na GNT, o que gerou um certo desconforto.

Também foi criticada a ausência de homens trans na equipe de 12 apresentadores. Vale lembrar que neste ano, além de Mandy Candy que já estava presente no anos anteriores, Linn da Quebrada e Bielo reforçaram o time de pessoas trans a frente da Parada Ao Vivo.

Mandy foi a responsável por outro escorregão. Ao falar de “hate”, ela disse que as coisas estão melhorando para pessoas trans. A informação, no entanto, vai de encontro com dados recentes da ANTRA que dizem que em 2021 já houveram mais mortes de transexuais do que em 2020.

Mesmo que ela estivesse se referindo a presença de trans na internet, não é incomum ver ataques para essa população. Apenas para citar casos mais recentes, Marília Mendonça e a dupla de Lily levantaram discussões sobre “piadas” envolvendo travestis.

Mesmo com esses deslizes, é visível o esforço dos envolvidos para corrigir a falta de preparo do ano anterior. Como já acontecia antes da pandemia, é provavelmente que mesmo com o fim do isolamento as edições virtuais continuem em paralelo com o evento físico. Resta esperar para ver se continuarão a haver evoluções.

Comentários

Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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