Feministas radicais criticam eleição de mulheres trans

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O que parecia ser alucinação de J.K Rowling começa a ganhar eco em criadoras de conteúdo brasileiras que se intitulam feministas radicais. Poucos dias após eleições históricas que aumentaram o número de LGBTIs nas câmaras municipais, Isabela, conhecida pelo perfil @feminisa, e Patrícia Lelis, que ganhou destaque por ser ex de Eduardo Bolsonaro e por acusar Marco Feliciano de estupro, criticaram o aumento de mulheres trans eleitas.

O maior argumento das duas feministas radicais seria de que “corpos masculinos” não deveriam representar “mulheres de verdade” na política. Se aproximando bastante do discurso de pessoas que também as oprime, Feminisa e Lelis afirmam que estão do lado da ciência e portanto não podem concordar que mulheres trans são mulheres.

Erika Hilton tem sido o alvo preferido das duas mulheres brancas que insistem que pessoas trans, cuja expectativa de vida no Brasil é de 35 anos, estão tentando roubar o protagonismo das mulheres na luta por direitos iguais. Lelis chegou a sugerir que homens trans só recebem atenção da mídia quando a pauta é gravidez – que seguindo a lógica radical, é algo apenas para mulheres cis.

Criticadas, ambas sugeriram que há uma tentativa de cancelamento e também de silenciar pautas feministas em nome da sociedade patriarcal. Numa tentativa de inverter o que realmente aconteceu, Lelis chegou a sugerir que a comunidade trans incita o ódio, não está aberta ao diálogo e ataca gratuitamente feministas

Endosso ao discurso transfóbico

Normalmente, o Dentro Do Meio busca ilustrar as matérias com a indexação das postagens originais dos envolvidos, mas dessa vez, apesar de escolhermos noticiar a aproximação de mais uma ameaça na luta LGBTI por respeito, optamos por não aumentar o engajamento das envolvidas.

O jornalista que vos escreve também reconhece que é um homem cis e, portanto, não sabe o que é sentir na pele as opressões que mulheres cis e/ou pessoas trans passam durante toda a vida. No entanto, é importante lembrar que o machismo é o pai de opressões que atravessam mulheres e pessoas LGBTI.

A ciência não deve ser usada como muleta para discriminação. Vale lembrar que já usaram deste argumento para escravizar negros, classificar homens gays e mulheres lésbicas como doentes e, ainda nos dias atuais, usam a ciência para ver algumas mulheres como apenas um útero.

Comentários

Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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