Erika Hilton e Thammy Miranda desmentem acusação de site gay

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Foto: Instagram/Montagem

Os vereadores Erika Hilton (PSOL) e Thammy Miranda (PL) foram alvos de uma matéria tendenciosa no início da semana passada. De acordo com o título de uma publicação no site Guia Gay, ambos teriam votado a favor de uma lei que excluí homens trans mesmo com “discursos em que dizem se orgulhar de estar na Câmara Municipal para defender a diversidade e identidade de gênero”. Em entrevista ao Dentro Do Meio, Thammy e Erika negaram o voto contrário a comunidade trans e Hilton classificou o veículo “antiético, sem compromisso com a verdade e transfóbico”.

A lei municipal 17574/21, a qual o texto se refere, foi sancionada no último dia 12 de julho e foi originada de uma iniciativa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) através da PL 388/21. Nela fica determinado que “Unidades Educacionais de Ensino Fundamental e Médio deverão organizar uma cesta de itens de higiene” como lenço umedecido, desodorante sem perfume, escova de dente, creme dental, fio dental, sabonete e, principalmente, “absorvente descartável, externo e interno, para oferecimento às alunas”.

Erika e Thammy tentaram passar um texto substitutivo no qual se lia “pessoas matriculadas no espaço” ao invés de “aluna”, sob a justificativa de que “também há outras pessoas que menstruam nesses ambientes” e “devemos garantir que essas pessoas possam ter acesso aos itens de higiene, bem como às orientações e acompanhamentos oferecidos”. Em sessão pública no dia 28 de junho, as vereadoras Juliana Cardoso (PT) e Luana Alves (PSOL) reforçaram a importância do substitutivo, mas o texto foi rejeitado.

Com o substitutivo barrado, foi votado o texto original, mas Erika e Thammy não desistiram de incluir identidades transmasculinas na lei que já foi sancionada. “Tivemos uma grande obstrução no dia da discussão do projeto. Apresentamos a emenda, tentamos convencer os pares da importância e da necessidade urgente dessa política, não conseguimos fazer isso em plenário, mas isso não morre em plenário. Agora nós vamos a outras instancias reverter essa política excludente que não levou em consideração os interesse de uma grande parcela da nossa comunidade que são as pessoas transmasculinas”, explicou Hilton. “O que não pode é haver uma exclusão e marginalização de pessoas, seja por qual motivo for”, complementou Miranda.

A vereadora não poupou críticas a matéria que tentou colocar ela e Thammy como inimigos da população trans. “É um jornalismo antiético e sem compromisso com a verdade. Esse veículo transfóbico que perpetua de forma constante mensagens e manchetes contra a população transvestigêneres sem nenhum embasamento com a verdade ou compromisso com a ética”, iniciou.

“Nós já entendemos o que as fake news são capazes de fazer, nós temos uma gestão de Jair Bolsonaro baseada em uma política feita com mentiras e manchetes falsas. Ver que pessoas da própria comunidade prestam esse tipo de desserviço, atacando uma parlamentar que tem compromisso com a pauta, que tem bagagem, trajetória, responsabilidade social e jamais faria sobre uma coisa dessas é revoltante, vergonhoso e diz mais sobre o veículo do que sobre mim. (…) Eu vejo pelas manchetes, pelas organizações e coletivos o quanto esse veículo tem um compromisso com a transfobia estrutural e um descompromisso com a verdade”, finalizou.

Já Thammy foi mais contido mas, assim como Erika, negou que tenha havido qualquer tentativa de contado da redação do Guia Gay para produção da matéria, mesmo que o texto publicado afirme o contrário. “Há uma certa desinformação e falta de compreensão de quem escreveu a matéria, pois não procurou a minha equipe e não tentou nenhum contato. O Substitutivo feito por mim e pela vereadora Erika Hilton não tinha sido aprovado, nós tentamos de todos os modos, mas o projeto foi pra votação final, não seria justo votarmos contra enquanto muita gente precisa do benefício”, explicou.

Parceria a favor da comunidade

Embora estejam em espectros políticos, Erika Hilton e Thammy Miranda não descartam novas parcerias em favor da comunidade. Questionado sobre outros projetos em andamento, o vereador respondeu: “Estou à disposição para lutar por qualquer projeto que seja em benefício da nossa gente, e ela também. Então certamente em algum momento vão surgir novos projetos”.

Já Hilton disse que sempre está em busca de parcerias para lutar por direitos, mesmo com pessoas que estão “do outro lado” e garantiu que já tem outros projetos em andamento. Ela também comentou sobre o posicionamento do prefeito Ricardo Nunes que historicamente se declara contra “ideologia de gênero”. “Sem sombra de dúvidas isso [ser contra a “ideologia de gênero”] significa um retrocesso e um prejuízo a nossa comunidade. Estamos falando de uma pauta que não necessariamente é sobre essa tal ideologia de gênero mas, quando eles falam sobre isso, estão falando do direito e da dignidade de pessoas LGBTQIA+ e isso é preocupante”.

A vereadora também disse que não entendeu ainda o real posicionamento de Nunes, já que em outro momento, quando conversaram, ele se mostrou aberto as pautas da comunidade. “Eu estive no gabinete do prefeito em 28 de junho, levando as minhas propostas principais para que a gente pudesse construir um diálogo, para que as propostas não morressem e pudessem ser sancionadas pela prefeitura. Eu tive um ok do prefeito, que disse que apoiaria as propostas, mas na sequência começou a circular esse vídeo”.

O vídeo ao que Erika se refere foi publicado nas redes sociais pelo vereador Rinaldi Digilio (PSL) no dia 7 de julho. Nele, o parlamentar aparece ao lado do prefeito e outros vereadores da chamada bancada cristã garantindo que Nunes iria combater a “ideologia de gênero nas escolas”. Assista:

Mesmo com esse discurso, Erika disse que não deixará de lutar pelas pautas apresentadas na reunião com o chefe do executivo da cidade. Thammy, por sua vez, preferiu não responder aos questionamentos do Dentro Do Meio sobre o prefeito de São Paulo.

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