Com escudos e cassetetes, PM despejará moradores da Casa Nem

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Pouco menos de um mês depois de determinar e suspender uma reintegração de posse do prédio em que funciona a Casa Nem e vivem cerca de 60 pessoas em situação de vulnerabilidade em Copacabana no Rio de Janeiro, uma tropa da PM foi convocada para despejar os moradores com uso de força se necessário.

Através das redes sociais, Indianara Siqueira, um das idealizadoras do projeto, está compartilhando desde as 6h da manhã desta segunda-feira (24) a ação dos policiais que estão munidos de capacetes, escudos e cassetetes. Veja:

Despejo neste momento é ilegal

Ao Bom dia Rio, a advogada da Comissão dos Direitos Humanos da OAB, Ludmila Cindra, disse que por conta da pandemia, hoje não seria um bom dia para reintegração de posse.

“O Conselho Tutelar disse que não tem lugar para que essas famílias se realoquem. Existem crianças aqui dentro, o que dificulta mais ainda a reintegração de posse. Se o poder judiciário esperasse um pouco mais, o desfecho dessa situação poderia ser pacifico, tendo em vista que já existe um outro imóvel cedido pela prefeitura”, pontuou.

Em julho, a ordem de reintegração foi suspensa porque o conselho tutelar não compareceu por julgar não deveria haver reintegração durante a pandemia e entender que os moradores ainda não teriam para onde ir.

Atualização: prédio foi desocupado de maneira pacífica

Após a repercussão nas redes sociais e a mobilização de dezenas de pessoas, uma solução menos danosa foi encontrada para reintegração do prédio em que funcionava a Casa Nem.

Um acordo firmado com Erick Witzel, apontado em vídeo por Indianara como Secretário da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual – CEDSRIO, mas que aparece no site oficial do órgão como Assessor de Empregabilidade e Articulação Institucional, garantiu aos moradores um espaço temporário.

Provisoriamente, a Casa Nem vai ser transferida para uma escola municipal na Rua República do Peru até que o prédio prometido pela prefeitura em Laranjeiras seja reformado e preparado para ser cedido. O acordo também garante o funcionamento de todas as ações feitas pela ONG.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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