Agência de checagem desmente que Brasil seja seguro para turistas LGBT

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Paulo Pinto/FotosPublicas

Ganhou as redes sociais durante a semana, especialmente em portais conservadores e perfis de apoiadores do presidente, a narrativa de que seria mentira que o Brasil lidera o ranking de violência contra pessoas LGBT. A prova disso seria um estudo que coloca o país em 15º lugar numa lista de nações seguras para turistas da comunidade, mas a agência de checagem de notícias da AFP desmentiu as manchetes.

As matérias, que chegaram a ser compartilhadas pela deputada bolsonarista que ligou HIV a gays, se basearam num ranking do site Asher & Lyric. Para fazer a lista, a publicação analisa especificamente direitos conquistados pela comunidade e não se debruça em dados violência. Esse “detalhe” inclusive é citado ao final do estudo. “Alguns itens em nossa lista, como reconhecimento de adoção e proteção ao trabalhador, podem não afetar os viajantes LGBTQ + diretamente”.

Para desmentir que o Brasil seria seguro para LGBTI, a AFP relembrou dados de violência publicados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e os relatórios do Grupo Gay da Bahia. A agência também destacou que as publicações que comemoram o ranking omitiram um dado importante do ranking Asher & Lyric que destaca que “mesmo o Brasil tendo sido bem colocado, houve um aumento recente de violência contra a comunidade LGBTQ+, especialmente contra pessoas trans”.

Embora o número de direitos para população LGBTI tenha crescido nos últimos anos com adoção, casamento e criminalização da LGBTfobia, na prática, isso não se traduziu na diminuição de violência. Nos últimos 20 dias, ao menos 6 mulheres trans foram agredidas e 3 delas mortas por crime de ódio.

Comentários

Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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