Gloria Groove diz que todos clipes de Alegoria chegam em novembro

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Gloria Groove lançou nesta terça-feira (12), o primeiro clipe do EP áudio visual “Alegoria” e eu tenho ótimas notícias: a cantora revelou ao Dentro do Meio que os demais vídeos chegam ainda em novembro.

Quando conversei com a Drag Queen pela última vez, ela tinha acabado de lançar o single “Coisa Boa” e, apesar de não ter dito nada na época, ela já estava trabalhando no disco que foi lançado a 0h de hoje.

Entre muitas risadas, Gloria e eu falamos sobre militância, pessoas trans e cancelamento. Confira agora o bate papo exclusivo, descontraído e super bem-humorado que eu tive com GG.

Dentro do Meio: A última vez que a gente se falou foi no lançamento de “Coisa Boa” e a gente já tinha falado sobre álbum novo…

Gloria Grove: E aqui estamos nós! E aí, cê já ouviu o álbum? Já viu o clipe?

DDM: Vi e estou ouvindo o álbum em looping desde ontem…

Gloria: E aí? Conta para mim o que você tá achando?

DDM: Hinário. Sua videografia continua impecável, mas eu quem vou entrevistar você hoje…

Gloria: É que como eu não consegui sentar para ver os reacts no YouTube, eu tô muito carente de saber o que as pessoas estão achando. Mas vamos começar, então.

DDM: Me conta qual é a maior diferença entre o O Proceder e o Alegoria?

Gloria: O que eu acho da hora desse EP é que ele é uma evolução de todos os lados que eu consegui mostrar desde O Proceder até agora. Ele é a evolução tanto da Gloria do Hip Hop e do Trap quanto da Gloria do Funk e do “Bumbum de Ouro”. Ele é a evolução de tudo isso e isso é uma coisa que eu amo muito.

DDM: Você conseguiu mostrar todas as suas facetas nessas 4 faixas, né?

Gloria: Sim. Eu foco muito nisso de conseguir mostrar várias facetas para garantir que o trabalho vai ficar bem versátil, bem diverso e que vai ter para todo mundo, sabe? Eu gosto muito desse experimento de conseguir acessar o maior número de pessoas possível.

DDM: O clipe de “Mil Grau” saiu hoje ao meio-dia. E os outros clipes? Já estão prontos?

Gloria: Os próximos vídeos vão para sua mesa ainda esse mês, amore! A gente vai entrar dezembro com Alegoria já no ar.

DDM: Gloria, cê sabe que esse mês é meu aniversário, né? Então, eu quero te agradecer pelo presente…

Gloria: Então, parabéns e aqui tá o meu presente. Quatro clipes no mês do seu aniversário!

DDM: OBRIGADO!

Gloria: É como se eu estivesse lançando um ano de trabalho em um mês. Em 2018, eu lancei exatamente 4 clipes. O trabalho é muito grande.

DDM: Já tá tudo pronto?

Gloria: Um ainda está em processo, mas “Mil Grau” já foi e outros dois também. Até o final do mês, estamos aí. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. É isso que tô te falando, foi nessa loucura que eu me envolvi a partir do momento que eu decidi: “vamos chutar grande, vamos lançar um projeto visual”. E equipe falou ‘vamos!’. Desde esse momento a gente assumiu a bronca, assumiu o risco e assumiu um sonho.

DDM: Então quando a gente conversou lá no lançamento de “Coisa Boa” vocês já estavam conversando sobre isso?

Gloria: Já! Já tava rolando. Eu queria muito trazer uma coisa completa para os fãs que já estavam carentes disso desde O Proceder.

DDM: O release que a gente recebeu sobre Alegoria diz que os próximos vídeos serão lançados através de desafios nas suas redes sociais, mas eu tô te acompanhando desde que você falou do EP a primeira vez na 89 e ontem te assisti no Encontro com Fátima Bernardes e ela deixou escapar, meio sem querer, que vai ser um clipe por semana. É isso mesmo?

Gloria: Acho que não é isso, hein? As ações vão ser liberadas através da minha rede social e nem todas vão envolver periodicidade ou metas. Vão ser ações diversas. Uma ação diferente para cada vídeo.

DDM: Eu gostei muito de “Magenta Cash”. Queria que você falasse um pouquinho dessa faixa e de Pink Money…

Gloria: Era um tema que eu queria muito discutir na minha música porque eu acho que se tem uma figura que pode discutir essa parada com liberdade de criação, com deboche, com referência e com estilo, essa figura é a Drag Queen. E eu me senti muito no dever de retratar esse momento porque, olha eu sendo conceitual, eu boto muita fé naquela parada que a Nina Simone falava de que a função do artista é refletir o seu tempo. “Magenta Cash” é aquele lugar em que a militância e o fervo se encontram. É tipo “Coisa Boa”. E a escolha da Monna (Monna Brutal) também é muito louca porque essa música já tava pronta fazia um tempo e eu queria muito colocar alguém, mas eu nem sabia se deveria colocar, foi aí que o Lucas Boombeat, meu amigo do Quebrada Queer, me mostrou a Monna e eu fiquei maluca, ensandecida, muito fã, mandei mensagem para ela no mesmo dia falando o quanto ela era perfeita, que eu tava apaixonada e felizmente ela topou participar de “Magenta”. Para mim o mais importante também é isso: trazer uma pessoa como a Monna para o holofote, de reparar no privilégio que a gente tem como homens gays fazendo Drag. Porque as manas trans são muito desacreditadas no nosso meio e no meio da música. Então, eu acredito que a gente, por ser Drag Queen, tem esse privilégio, sai na frente e a maneira que eu encontrei de reparar isso foi incluir as travestis dentro do meu trabalho, seja chamando alguém como a Monna para trabalhar comigo, porque eu sou muito fã dela e acho que ela representa muita coisa, seja colocando travesti no meu elenco de balé ou trabalhando com elas atrás das câmeras.

DDM: E falando de Pink Money, as pessoas começaram a entender o que isso significa e também começaram com uma cultura muito forte de cancelamento. Você chegou inclusive a ser ameaçada de cancelamento quando regravou uma música da Priscila Alcântara. O que você acha de tudo isso?

Gloria: Não foi uma nem duas vezes que quiserem me cancelar, não, viu? Foi quando eu comecei a montar minha própria opinião sobre a cultura do cancelamento e muita gente não concorda comigo. No dia que eu me posicionei sobre isso eu falei: “Galera, vocês não contem comigo para isso daí não, tá?”. Porque isso daí é a galera com fobia da humanidade das pessoas. Quando alguém mostra o lado humano todo mundo fica “nossa, como assim” e não é bem por aí. É instrução, calma! “Ai, Gloria, mas tem gente que não quer mudar”. Tá bom, gente. Se a onda de vocês é desacreditar das pessoas, a minha é acreditar que a gente tá caminhando para uma coisa melhor. Não é esse o nosso intuito com a música que a gente faz e com a arte que a gente coloca na rua? Tanto que teve essa discussão do rolê de Salvador e resolvi dessa forma, botei atitude exatamente no que eu tinha dito, que é a instrução. Teve o problema, a galera quis que eu comprasse a briga com o cara que me contratou e eu resolvi o problema. Falei com o cara pelo telefone e expliquei para ele o quanto isso é sobre engrandecer e ser uma pessoa melhor porque ele era uma referência. Eu até brinquei nos meus tuítes que não existe um “manual de militância ativa para representantes”, então eu não tenho como adivinhar uma maneira de lidar com essas situações. As pessoas contam com a gente para comprar essas brigas e eu sou um gay de 24 anos com um celular na mão que fica “Beleza, o que eu faço agora? Como eu vou resolver isso daqui sendo uma representante e tendo a responsabilidade que eu tenho?”. É sobre refletir isso e faço questão fazer disso um processo claro, sincero e vulnerável para quem me acompanha, sabe? Para perceberem o quanto eu também tô aprendendo com o que tá acontecendo.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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