A importância de erguer a bandeira

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Dentre todas as coisas que Fernanda Gentil falou sobre homofobia, durante e depois da desastrosa entrevista na semana passada, a questão de “levantar a bandeira” foi uma das coisas que mais me chamou atenção.

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E isso aconteceu porque, pouquíssimo tempo antes, tinha me incomodado quando Reynaldo Gianecchini falou que “não queria levantar nenhuma bandeira” e por isso não havia falado sobre a própria sexualidade até então.

Afinal, qual é o problema dos famosos LGBTI com levantar a bandeira? Ainda mais em tempos tão necessários como os de hoje em que temos tantos conservadores tentando nos empurrar de volta para dentro do armário.

Ok, cada um tem seu tempo para se aceitar e ninguém nasce desconstruído, mas quando a gente fala em “não levantar bandeiras”, me parece que precisamos ser discretos o suficiente para não sermos notados.

Afinal o que é levantar a bandeira?

Estamos no país em que mais de mata pessoas LGBTI no mundo. Ser contra homofobia já não importa mais. É preciso ser anti-homofóbico.

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Quando falo de levantar a bandeira, eu não me refiro a sair por aí usando as cores do arco-íris sempre que possível, embora essa postura combine muito mais comigo.

Também não espero que as pessoas desrespeitem o próprio tempo para falar sobre a orientação sem que estejam prontas. De novo, cada um tem seu tempo.

Assim como não existe um único tipo de homem gay, como sugerem os personagens cheios de esteriótipos de novelas, não tem só um modo de se posicionar a favor da comunidade LGBTI.

Levantar a bandeira pode ser falar sobre o óbvio. Explicar para aquele seu amigo porque a piada dele foi transfóbica ou porque “seu viado” não é uma ofensa.

Pode estar nas linhas de frente. Literalmente levantando bandeiras e protestando. Ajudando a organizar Paradas ou participando de projetos como a Casa 1, por exemplo.

Também pode ser viver. Simplesmente viver. Sem medo ou sem esconder quem você é. Amar quem tem vontade. Andar de mãos dadas ou trocar um carinho no seu restaurante preferido.

O que não dá é para não levantar nenhuma bandeira com medo de ofender quem quer que seja. Não levantar bandeira porque “não acha necessário”. Sempre é necessário.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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