“Não existe respeitar homofobia”, afirma Fernanda Gentil

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A apresentadora e jornalista Fernanda Gentil usou as redes sociais para justificar o que disse em entrevista no último domingo (27) sobre respeitar homofóbicos e racistas.

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“Não existe respeitar a homofobia. O racismo. A gordofobia. E nenhuma outra fobia”, escreveu Gentil.

Através de um longo texto e cerca de 40 min de live, ela explicou que a entrevista para Folha de S. Paulo durou mais de 2h e foi tirada de contexto.

“Foi uma frase mal colocada, num contexto diferente do que a gente tava conversando e deu a entender a ideologia maluca, absurda e que é no mínimo contraditória com o que eu sou e o que eu vivo”, justificou durante a live.

A apresentadora também esclareceu que não responsabiliza o jornalista por ter usado um “recurso” que ela, enquanto jornalista, já usou muitas vezes para fazer uma entrevista caber num veículo.

“Seria muito mais difícil explicar tudo isso em outra fase da minha vida. Mas hoje, sendo quem eu sou, vivendo o que eu vivo, amando quem eu amo, dizendo o que eu digo e pregando o que eu prego, é muito simples explicar que foi só uma frase colocada”, argumentou.

Mas o que aconteceu?

Fernanda Gentil foi levada “para o olho do furacão”, como ela disse em live no Instagram, após a publicação de uma entrevista cheia de declarações “polêmicas”, para dizer o mínimo, no último domingo.

“Respeito quem acha um crime ter o beijo gay. Agora, não vai bater em quem beija, entendeu? Quem infelizmente é racista. Agora, vai discriminar, bater, matar porque é de outra cor? Aí não”.

Gentil, que é casada com a também jornalista Priscila Montandon, aproveitou para falar do filho e do temor que sente pela segurança dele.

“Eu torço para ter um filho gay? Não. Infelizmente não torço. Não torço porque o Brasil não é um ambiente 100% seguro”, argumentou.

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Para a apresentadora, há uma “luz no final do túnel” que indica uma melhora no país, mais que ainda não considera um lugar seguro para nenhuma orientação sexual.

Que vista qualquer cor

Ainda sobre o filho, Fernanda disse que gosta de fazer parte de tudo que ele consome e que não vê problemas cor de roupas ou entretenimento com beijo de pessoas do mesmo sexo.

“Não é uma cor de camisa, nem uma cena de um beijo de mulher com mulher ou homem com homem que induz alguém a alguma coisa”, pontuou antes de dar mais uma escorregada e sugerir que podemos escolher a orientação sexual.

“A minha luta é para que eu viva num país que me dê segurança de saber que eles estão seguros com qualquer escolha deles. Qualquer coisa, tá? Não só com gay.”

Bolsonaro e polarização

Sem revelar em quem votou, a apresentadora aproveitou a entrevista para comentar sobre um like que numa postagem de Luciano Huck que dizia “Não voto no PT, nunca votei”.

“Sempre vai ter (polarização). A gente não pode querer que todo o mundo pense igual. Se queremos tolerância, temos que tolerar”, comentou.

“Se isso é o discurso de alguém, não sei se eu votei nele ou não. Mas é o meu discurso. Antes de conhecer Bolsonaro ou de ele falar qualquer coisa, eu estou pelo partido Brasil”.

A gente já ouviu esse discurso antes, Fernanda. Geralmente, ele vem de pessoas que apoiam atual presidente, não acreditam ele seja homofóbico, mas acreditam em ditadura gay.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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