Evandro Santo fala sobre Bolsonaro e militância LGBTI

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É impressionante como essas “celebridades” não deixam a gente ter um minuto de paz nesse país. Evandro Santo, que ficou nacionalmente conhecido pelo personagem Cristian Pior, deu a enteder que a militância LGBTI é injusta com ele durante uma entrevista.

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“Existe uma militância severa, uma militância suave e uma militância pessoal. Você não consegue agradar todo mundo. As vezes eu recebo ataque de gays também. 30% dos haters. Mas eu não ligo”, contou o humorista ao canal do Bonfá no YouTube.

Evandro, que recentemente foi alvo de uma agressão homofóbica depois de um show em Marília, tentou amenizar as declarações que deu em um debate antigo com o jornalista Fefito sobre homofobia, mas tudo que ele conseguiu foi falar mais besteira.

De acordo com o humorista, o fato de podermos andar de mãos dadas em lugares como Augusta e Paulista ou termos acesso a aplicativos e saunas são sinais de aceitação e evolução da sociedade.

“A violência é com gay, é com a mulher que apanha porque não quis dar o celular, é o uber que é assaltado, a violência reflete em todo mundo, entendeu? E sempre teve. Eu já vi amigo meu apanhar, já vi travesti ser morta, mas deu uma evoluída”, pontuou.

Apoio ao Bolsonaro

Evandro nega com todas as forças que tenha apoiado ou que sequer goste do presidente Jair Bolsonaro.

“Quando você trabalha em algum lugar, sempre tem um cliente que você não gosta, mas precisa atender”, justificou.

O ator ainda foi além e disse que não apoia violência contra o presidente. “A gente tem que ser gentil. Não concordo com ele, não apoio, mas também não acho que tem que ter esse tipo de agressão, não acho graça de terem enfiado uma faca nele. Acho que a violência não se justifica” explicou.

Ele ainda mostrou ter orgulho da foto na qual aparece ao lado de Bolsonaro. “Eu fiz o Bolsonaro colocar uma bandeira LGBT. Um grande viado fez um cara que supostamente é homofóbico usar a bandeira”.

Quando questionado se considera o presidente preconceituoso, Evandro desconversou. “Eu já o entrevistei 4 ou 5 vezes e comigo ele foi tranquilo. Eu não acho legal o que ele fala e o que ele pensa, mas comigo, como repórter, ele sempre foi gentil”.

Amada pelo povão

Evandro fez a linha Susana Vieira ao comentar sobre as críticas que recebeu por conta de seu posicionamento sobre a comunidade LGBTI ao longo dos anos.

“Eu tenho bastante carinho. Em qualquer balada ou boate gay que eu vou, eu sou bem recebido. Querem tirar fotos comigo, me abraçam” disse.

Por um instante parecia que ele ia dizer que se considerava amada pelo povão, mas ao invés disso preferiu citar famosos que, segundo ele, o adoram.

“Silvetty Montilla e Leo Aquilla me apoiam. Nany People, sabe? São pessoas que me adoram. Qualquer lugar que eu vá, nunca fui agredido por um gay”.

Mais militante que eu?

E, por incrível que pareça, Evandro acha que faz sua parte na militância LGBTI e contribui bastante para nossa evolução.

“Amor, olha as matérias minhas no Pânico da Parada Gay, pelo amor de Deus. Fui expulso de casa porque era gay” disse. “É muito estranho isso, porque tem gente que fala assim: ‘cara, minha mãe te adora e o seu personagem me ajudou a me assumir’”, completou.

“Entrei na TV como gay assumido em todos os meus trabalhos, fui gay em horário nobre de domingo, num programa de homens, sabe? Quer mais militância que isso? Minha entrevista no (Danilo) Gentili bateu a do Bolsonaro, o recorde histórico… O que mais eles querem?”, questionou.

O ator ainda disse que “é uma palhaçada” dizer que ele nunca apoiou a comunidade e que quem o crítica não faz nada para ajudar de verdade.

“Eu sempre fui em todas as Paradas, tenho muitos amigos gays. Então, eu não sei. O que é militar? O que é ser militante? O que é ser isso? Porque muita gente que fala na internet e não faz nada. Esses dias eu ouvi dizer que tem uma casa de travestis e gays que estava quase fechando, porque não tinha verbas e as pessoas não fazem doações. Então tem muito grito, muita voz na rede social e na prática nada”, concluiu.

Se você tiver estômago, paciência ou for um fã dele que está perdido por aqui pode ver a entrevista completa, em duas parte, neste link.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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