“Não queria ser o viadinho”, afirma Gianecchini

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Foi publicada neste domingo (29), a primeira entrevista de Reinaldo Gianecchini em 7 anos. Além da carreira e da luta contra o câncer, o ator falou pela primeira vez sobre a própria sexualidade.

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A entrevista tenta explorar um Gianecchini bem resolvido depois de todos esses anos, mas o que revela é um homem que ainda não sabe direito como se posicionar em algumas questões.

O ator, que hoje tem 46 anos, disse que cresceu em uma família completamente feminina e que tinha “pânico de ser chamado de viadinho” na infância, por isso sempre travava para jogar futebol.

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Quando questionado sobre a sexualidade, Reinaldo parece voltar a ser essa criança com medo ao dar uma resposta tão vaga que fez com que a repórter questionasse com todas as letras se ele já tinha transado com outros homens.

Acredito que o momento político tenha passado pela cabeça dele e, neste momento, Giane parece ter um lampejo de lucidez. Ele afirma que “esse é o momento de dizer isso” depois de confirmar que teve romances com outros homens.

“O desejo para mim não passa pelo gênero e nem pela idade. Demorei para falar porque isso esbarra sempre no tamanho do preconceito no Brasil”, afirmou.

Infelizmente, depois disso o ator mostrou que parece estar num lugar em que a homofobia não o alcança. Pelo menos é o que mostra acreditar. “Nunca me senti obrigado a empunhar bandeira de homossexualidade”.

É aqui que Reinaldo deixa escapar que não está muito preocupado com a quantidade de LGBTI que são assassinados todos os dias. Se essa fosse uma das preocupações, talvez ele entendesse o porquê de “levantar essa bandeira” ser tão importante.

A frase, inclusive, lembra a postura recente de um outro ator assumidamente gay. Paulo Gustavo que, de acordo com um colega de elenco, disse que um beijo entre pessoas do mesmo sexo seria expor a opinião pessoal dele.

E é nesse lugar em que os dois atores, Paulo Gustavo e Reinaldo Gianecchini, parecem estar. Um lugar em que tudo bem ser gay, desde que você não levante bandeiras que afrotem o que é tido como normal.

Mesmo com essa postura um tanto quanto prejudicial, é importante ter alguém do tamanho de Reinaldo Gianecchini falando abertamente sobre ter relações com pessoas do mesmo sexo.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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