Deputada associa HIV a gays

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O ano é 2019, mas ainda assim existem pessoas que associam o vírus do HIV a gays. É o caso da deputada Carla Zambelli (PSL).

Numa guerra que está travando com o youtuber Felipe Neto, Zambelli usou o twitter para ligar o aumento dos casos de HIV entre os jovens e a homossexualidade.

Quando questionada sobre a fonte para a afirmação, a deputada apontou uma matéria de 2018 do jornal O Globo que mostra um aumento dos casos entre homens jovens e gays de 12,1% em 2009 para 18,4% em 2018.

Aumento de 600% entre mulheres

O que a deputada parece não ter conhecimento ou convenientemente se esqueceu é de que o aumento não se restringe a homens gays.

Segundo o boletim epidemiológico HIV/Aids 2018 do Ministério da Saúde, os casos entre mulheres com mais de 60 anos cresceu 657% entre os anos de 2007 e 2017.

Com esses dados fica mais claro lembrar que a doença não escolhe orientação sexual e que a prevenção é importante para todas as sexualidades.

Governo Bolsonaro e o HIV

Carla Zambelli faz parte do mesmo partido do presidente eleito Jair Bolsonaro e uma rápida pesquisa no Google é capaz de mostrar a posição dele sobre a doença.

+ Bolsonaro declara guerra a ideologia de gênero

Ainda nos tempos de CQC, Bolsonaro deu uma declaração dizendo que “o problema é de quem não se cuidou”.

Anos se passaram e quando assumiu a presidência, Jair rebaixou o Departamento de IST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde para um setor chamado Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, o que foi duramente criticado por ativistas e especialistas.

O governo federal ainda excluiu informações sobre o HIV de contas oficiais, prejudicando o combate da doença através da informação.

Mas, para Carla, a única coisa que importa é ganhar a guerra que travou com Felipe Neto sobre um inocente beijo entre pessoas do mesmo sexo numa HQ da Marvel.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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