Homens trocam cueca por calcinha na hora do sexo

Prática não tem nada a ver com orientação sexual; adepto revela sentir preconceito.

797
views


Foto: Acervo Pessoal/Apolo Sanches.

Atire a primeira pedra quem não tem um fetiche. São tantas as possibilidades e oportunidades para apimentar uma relação que opções não faltam! Os fetiches mais comuns costumam ser fazer sexo em lugares públicos, voyeurismo, sair com garotos de programa, submissão e dominação, entre muitas outras coisas. Algo polêmico que mexe com a cabeça de muitos homens na hora do sexo é o uso de peças íntimas femininas. A brincadeira tem muitos adeptos, mas por conta de preconceito, tem gente deixando de realizar suas fantasias por medo.

O estudante de odontologia Maycon Sá, de 24 anos, de Florianópolis (SC), desenvolveu o fetiche após receber alguns convites para experimentar. “Comecei a usar com os caras me pedindo pra usar, mas no começo eu tinha um tabu em relação a isso”, lembra o catarinense.

Hoje, Maycon tem uma coleção de lingeries. “Eu tenho bastante coisa, calcinhas, body, salto e até peruca”, confessa. “Eu uso porque eu gosto mesmo, estou começando usar até no dia a dia”, se diverte contando que ele mesmo compra.

Foto: Acervo Pessoal/Apolo Sanchez.

O ator pornô e garoto de programa Apolo Sanchez se exibe usando calcinhas em seu twitter  e em seu canal no Câmera Privê. “Sempre tive esse fetiche em feminilização do passivo submisso para o macho alfa”.

Diferente de Maycon, Apolo conta que não trocou as peças femininas pelas masculinas. “Na verdade, eu nem uso cueca. Não gosto de usar nada por baixo. A calcinha vem só em momentos sexuais”, explica o profissional do sexo.

Por conta da exposição, alguns clientes pedem para Apolo vestir calcinhas nos programas. Ele conta que outros até compram. “Eles fantasiam sentir meu cheiro nelas”.

Foto: Acervo Pessoal/Apolo Sanchez.

Preconceito

Por ser algo associado ao universo feminino, os homens adeptos às lingeries sofrem com machismo e preconceito. Maycon, por exemplo, só usa ou fala que tem quando o cara fala que curte, caso contrário, ele prefere não comentar para não ser discriminado. “Eles não entendem que usar calcinha é igual usar uma jockstrap. Já fogem na hora”, compara.

Já Apolo conta que nunca sentiu preconceito quanto a isso. “Às vezes tem um comentário inútil, mas destoa na maioria positiva”, afirma.

Quando está afim de transar usando calcinha ou outra peça feminina, Maycon procura chamar quem ele sabe que curte ou entra em salas de bate-papo ou apps de pegação como “cd” (crossdresser) ou “macho de calcinha” para atrair novos encontros. “Usar o termo cd já foi complicado por eu ter um jeito mais masculino, a maioria dos caras que procuram cdzinhas preferem as bem afeminadas, com jeito mais feminino”, conta o estudante.

Para Maycon, diferente das calcinhas, os acessórios de couro são os itens mais aceitos na hora do sexo. “Mesmo sendo um dos que mais assusta, é o que eu acho que é melhor aceito pelos caras. Talvez por ser mais masculino”, deduz.

Mercado masculino

Com o interesse de alguns homens nas lingeries, algumas empresas decidiram apostar nesse público. É o caso da marca australiana HommeMystere que cria peças íntimas especialmente para eles. No site, a companhia possui diversos tipo de calcinhas: com renda, sem rede, cinta-liga, fio-dental, camisolas e muitas outras opções. E detalhe: fazem entrega no mundo todo!

Foto: Divulgação/HommeMystere.

Já no mercado pornô, a pioneira neste segmento é a produtora gringa Gentlemen’s Closet. Lá, os atores vestem cinta-liga, calcinhas, meia-calça e outros acessórios femininos. Peças para todos os gostos!

Foto: Divulgação/Gentlemen’s Closet.

Não existe um nome específico para aos adeptos desta prática, o mais próximo seria crossdresser, entretanto, este se característica pelo uso completo de roupas do sexo oposto. Além disso, vale lembrar que nem todos os homens que curtem vestir peças íntimas femininas são gays. Assim como na novela “O Sétimo Guardião”, em que o delegado Machado (Milhem Cortez) usava calcinhas para apimentar a relação com a esposa, héteros também podem ter isso nas suas fantasias sexuais sem nenhum problema. Portanto, respeitem o fetiche alheio e vão gozar a vida!

Foto: Acervo Pessoal/Apolo Sanchez.


Comentários