Homem que matou gay com facada na Paulista é preso

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A polícia civil prendeu na última terça-feira (25), Fúvio Rodrigues de Matos, homem que matou gay com facada na Paulista, o crime ocorreu no dia 21 deste mês . Em depoimento, ele disse ter agido em legítima defesa, estar arrependido e que não é homofóbico. Na versão de Matos, tudo começou por um mal entendido, já que ele sequer teria falado com a vítima.

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“Em certo momento, começou a chover e eu falei para o meu colega: ‘corra que nem homem’. Nesse momento, uns quatro rapazes passavam por mim e um deles, esse com o qual eu briguei logo depois, me disse: ‘você está falando comigo?’”, contou em depoimento.

Relembre o caso

O cabeleireiro Plínio Henrique de Almeida Lima, de 30 anos, voltava do Parque Ibirapuera com o marido e mais dois amigos quando o grupo foi abordado por Fúvio com ofensas. Entre outras coisas, ele teria dito “seus gays, merecem morrer” e chamado os rapazes de “viadinho, menininha”.

Um dos amigos da vítima teria perdido a paciência e agredido Fúvio, que tirou um canivete da bolsa e atingiu Plínio na altura do peito. Câmeras de segurança da região do metrô não captaram a agressão, mas mostram a vítima levantando a camisa durante a discussão para olhar o ferimento momentos depois de ter sido atingido.

Plínio chegou a ser encaminhado para Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas, mas não resistiu ao ferimento e morreu. “Estava feliz porque tinha se casado recentemente no cartório com o marido e planejavam adotar uma criança”, revelou ao G1 Felipe Almeida Lima, que era irmão da vítima.

Colega do assassino diz que tentou impedir

Fúvio não estava sozinho. Jamerson Matos dos Santos, de 20 anos, foi intimado a prestar depoimentos e disse que tentou impedir a discussão entre o grupo de Plínio e o assassino, mas não teve sucesso.

Ele contou ao delegado que estava com fones durante a maior parte da confusão e por isso não ouviu ofensas ou detalhes da briga, mas que em determinado momento, Fúvio teria dito que o Plínio e os amigos estavam falando deles.

Mais próximo da estação, o grupo da vítima e o assassino teriam começado uma confusão e Jamerson viu quando Fúvio sacou o canivete. Ele teria pedido “Não faz isso” antes do golpe ter atingido Plínio e ele ter decidido se afastar.

Os dois voltaram a se encontrar na estação. Jamerson disse em depoimento que Fúvio correu para estação e o chamou para ir embora, mas ele preferiu não acompanhar mais o colega, que foi filmado entrando no metrô sozinho.

Prisão temporária

A Justiça decretou 30 dias de prisão temporária para Fúvio que, de acordo com o delegado Hamilton Rocha Benfica, pode ficar preso por até 30 anos se for condenado por homicídio.

“É um homicídio, no meu entender, de forma qualificada porque a questão homofóbica é o motivo fútil”, argumentou o delegado. “Uma pena muito alta de 12 a 30 anos (se houver condenação), que é justificada por tirar a vida de uma pessoa por um fato tão banal”.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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